















 Sonhos de princesa
  The Prince's Virgin Wife
  Lucy Monroe
  Noivas Reais 1


   Sofisticao e sensualidade em cenrios internacionais...
   
   "Se eu encontr-la nua na minha cama,  demisso na certa!"
   Maggie no precisava de avisos. Sabia que o prncipe Tomasso Scorsolini, seu lindo chefe italiano, estava fora de cogitao. Mas agora Tomasso precisava se casar. 
J estava cansado de oportunistas, e a inocente Maggie ser a esposa mais conveniente! Maggie no sabe exatamente quais sero seus novos deveres reais. Mas, ficar 
nua na cama do prncipe no  mais uma ofensa passvel de demisso -  uma exigncia!
   
   
   - Gostei de voc, Maggie.
   - Eu gostei de voc tambm - ela respondeu, sem ar.
   - O emprego  para dormir.
   - Sim, eu sei.  perfeito para mim.
   - Se eu contrat-la voc deve me prometer que no passaremos da amizade. Pensei que fosse mais velha... Eu no namoro com quem trabalha para mim. Nunca.
   Ela olhou para ele sem saber o que dizer.
   
   
   
   
   CAPTULO I
   
   - Voc a contratou?
   O prncipe Tomasso Scorsolini caminhava na sute do Hotel Hong Kong falando no celular, aguardando com uma impacincia mal disfarada para saber se sua presa 
havia mordido a isca.
   - Ela veio ao palcio para a entrevista, como combinado, e me impressionou muito. - A voz de Theresa era de aprovao. - No sei como ficou sabendo sobre ela, 
mas  uma moa adorvel e ser boa para as crianas. Realmente  ideal, mas inicialmente no pensei que fosse aceitar a proposta.
   - Por qu? - Ele havia se assegurado de que Maggie Thomson no tinha problemas de lealdade, e tomou algumas medidas para que os empregadores atuais a demitissem, 
sugerindo, ao mesmo tempo, que ela considerasse ocupar o cargo na casa dele.
   - Estava preocupada com o impacto que sua ausncia, no prazo de dois anos, traria a Annamaria e Gianfrancesco, especialmente depois da morte de Liana.
   - Dois anos? Ela planeja ir embora?
   - Tem planos para abrir a prpria creche depois que economizar o suficiente.
   Ah, ento ela ainda tinha os mesmos sonhos. Ele no ficava surpreso com isso. Maggie Thomson era quase to teimosa quanto ele.
   - O que falou a ela?
   - Segui seu conselho e a apresentei em primeiro lugar a Gianni e Anna. Eles gostaram da Srta. Thomson de imediato e ela logo se encantou por eles. Voc sabe como 
a pequena Annamaria  tmida e, mesmo assim no fim da entrevista, ela estava sentada no colo da Srta. Thomson. Nunca vi nada assim.
   Ela no precisou dizer o que os dois sabiam. A ligao entre as crianas e a me verdadeira nunca fora muito significativa. Liana no os educou.
   - Que bom ouvir isso! Muito bom.
   - Sim. Eu disse a ela que, caso se comprometesse com um contrato de dois anos, pagaramos um bnus no final para ajudar os negcios dela.
   - E isso a convenceu?
   - Inicialmente, no. Ainda estava preocupada com as crianas, mas eu expliquei que, na contratao de ajuda domstica, um contrato de dois anos era de longo prazo.
   Ele no tinha planos de permitir que Maggie Thomson partisse em dois anos, nem depois disso, mas Theresa no precisava saber desse detalhe.
   - Brilhante. E ela aceitou.
   - Sim.
   - Obrigada, Theresa. Diga a Cludio que o verei quando voltar a Isole del Re.
   - Voc deve v-lo antes de mim. - Algo no tom da cunhada o incomodou.
   - Voc est bem, Theresa?
   - Sim, claro. Como voc sugeriu, a Srta. Thomson aceitou comear imediatamente.
   - Excelente.
   - Sim, mas vou sentir falta das crianas.
   - Sinto muito, Theresa.
   - No seja bobo. Gosto da companhia deles, mas  importante que tenham uma pessoa mais constante para tomar conta deles. Se voc morasse aqui no palcio seria 
diferente, mas como mora em outra ilha, no posso suprir a falta da me deles.
   Ela desligou.
   Tomasso desligou tambm e sorriu no quarto vazio. Tudo estava dando certo.
   Aparentemente, seus filhos e Maggie se adoraram. Alm disso, ela ainda era a mesma criatura doce da poca da faculdade. Ele no esperava nada de diferente desde 
que leu o relatrio que recebeu sobre ela.
   Era eficiente, bem-humorada no ambiente domstico e fcil de conviver. Na poca da faculdade, ele no apreciava essas qualidades. Estava muito interessado na 
beleza externa para entender o quanto a presena dela significava para ele... at que ela se foi.
   Ele podia reconhecer o quanto sua vida caminhara suavemente enquanto Maggie foi sua governanta. Quatro anos em um casamento passageiro com Liana o curaram dessa 
complacncia.
   No primeiro ano depois da morte dela, Tomasso se recusava a pensar em ter outra esposa, pois no tinha o desejo de se aventurar em outro casamento sem harmonia. 
Mas tambm no queria terminar como o pai e, nos ltimos meses, comeou a ansiar por um casamento pacfico como o que seu irmo mais velho tinha com a gentil e doce 
Theresa.
   Sempre que Tomasso fantasiava com esse tipo de harmonia, s conseguia pensar em uma mulher: Maggie Thomson. Podia ouvir sua suave voz o lembrando de tomar caf 
antes de sair, podia lembrar-se de suas mos ocupadas se assegurando de que a vida dele transcorresse sem dificuldades.
   Ele queria aquela harmonia novamente, mas, dessa vez, no cometeria o erro de mand-la embora.
   Ela se afastou dele uma vez, dizendo que a relao dos dois era puramente profissional, mas que no o queria mais como chefe. Ele aceitou a inverdade por duas 
razes.
   A primeira foi que sabia que a havia ferido e, mesmo que no tivesse essa inteno, sentia que devia a ela a honra de respeitar seu desejo de cort-lo de sua 
vida.
   A segunda era que Liana sentia cimes da relao dele com Maggie. Esse sentimento infundado surpreendera na poca. Ele o considerara parte do amor passional que 
Liana nutria por ele. A bobagem dessa crena ainda o amargurava.
   Liana amou apenas uma pessoa... a si mesma.
   Ele dava condies para que ela tivesse o estilo de vida que desejava. Nada mais. Casar com um prncipe, tornar-se uma princesa. Ele imaginava se o fato de Maggie 
saber de sua condio de prncipe mudaria sua atitude em relao a ele.
   Todos mudavam. E essa foi a razo de ter feito faculdade com a identidade de Tom Prince.
   Ele queria ter relaes com base em quem era, e no no que era. Queria provar que podia ser bem-sucedido por conta prpria, e no por causa da fora do nome de 
sua famlia. Pelo menos isso ele conseguiu provar. Formou-se com honras somente por seu mrito, mas as relaes foram outra histria.
   Sem que soubesse, Liana sempre tivera cincia de sua condio nobre e Maggie fugiu do simples Tom Prince muito facilmente.
   Ser que ela o desejaria como um dia Liana desejou, quando soube de seu sangue real?
   Ele concordou que esta no era a questo. Ela era exatamente o que ele queria como mulher e me de seus filhos. A razo para ela ter escolhido se casar com ele 
no importava, pois ainda seria ela mesma, uma mulher que reunia todas as condies para fazer a vida dele mais tranqila e dar a seus filhos a educao de que tanto 
precisavam.
   Porm, ele no era bobo.
   No sustentaria um compromisso eterno em lembranas que j datavam de seis anos. Ao contrat-la para cuidar dos seus filhos, ele teria a oportunidade de observar 
Maggie e assegurar-se de que ela fosse tudo o que ele lembrava antes de inform-la sobre seu desejo de casar-se com ela. Tambm queria garantir que a paixo latente 
que havia entre ambos no tinha desaparecido e que era to intensa quanto o encontro ardente que ele guardava na memria.
   No se sentiria confortvel com uma mulher que no gostasse desse lado da natureza.
   Recusava-se a ser como seu pai, que encontrava prazer sexual fora do casamento. Considerava este comportamento repreensvel, assim como o prprio pai, que no 
se casou novamente, depois da morte da mulher.
   O pai dele chamava isso de "a maldio dos Scorsolini". De acordo com o rei Vicente, os homens da famlia eram fadados a ter apenas um amor verdadeiro.
   Tomasso no se importava com seu suposto destino. Ele jamais quis amar como seu pai e terminar vivo, sempre em busca de preencher um vazio que nunca seria satisfeito.
   Sabia que era diferente do pai. At mesmo uma paixo superficial seria suficiente para ele se manter fiel. Foi assim com Liana. Embora, quando se casaram, ele 
acreditasse que era amor verdadeiro, logo viu que no era bem assim.
   Mesmo assim, manteve-se fiel, apesar dos problemas no casamento e a descoberta de que o que acreditava ser amor nada mais era do que encantamento pela beleza 
dela.
   
   - O papai vem logo pra casa?
   Maggie sorriu e aconchegou Annamaria na pequena cama.
   - Sim, querida. S mais dois dias.
   - Sinto saudades dele.
   - Eu sei. - Maggie beijou sua testa. - Boa noite, Anna.
   - Boa noite, Maggie.
   Ela apagou a luz e verificou mais uma vez Gianfrancesco. Estava dormindo...
   Certamente aquele emprego era diferente dos anteriores, mas agora trabalhava para a realeza. Eles certamente tinham uma forma particular de lidar com a vida domstica. 
Parecia estranho, mas ela gostava do senso de respeito que tinha dos colegas de trabalho e da bvia importncia que o prncipe dera  sua funo de cuidar das crianas.
   Ela fechou o quarto de Gianfrancesco, esperando que ele e a irm dormissem bem naquela noite. O pai deles no ligou como de costume, e foi difcil coloc-los 
na cama. Seus pequenos fardos precisavam dela, mais ainda do que a famlia que acabara de deixar para trs.
   Isso no era surpreendente, considerando que a me de Gianni e Anna morrera quando eles ainda eram muito novos, mas era impressionante o quanto ela j se importava 
com os dois.
   Ela os amava, de verdade.
   Deveria ser cedo demais para ter tais sentimentos por crianas s quais no dera  luz, mas sentiu uma forte ligao com elas desde a entrevista. Estava muito 
inclinada a recusar a oferta do prncipe, mas ento conheceu as crianas e sentiu que simplesmente no podia esquivar-se da necessidade que percebia nelas.
   Ela concordou com o contrato de dois anos, mas seu corao j perguntava agora como conseguiria separar-se dos dois quando chegasse o momento. Era bab deles 
por apenas dez dias, mas sentia como se estivesse a vida toda.
   Ela morou em mais de um orfanato quando era criana, teve vrias colegas de quarto nos dois ltimos anos de faculdade e foi bab em duas famlias diferentes, 
mas nunca se ligou to rapidamente a ningum como queles dois.
   Exceto Tom Prince.
   E aquela relao terminou mal para ela, assim como o emprego.
   De onde podia falar, tanto Anna quanto o irmo mais velho sentiam muita falta do pai, que dedicava muito tempo ao trabalho.  Eles precisavam tanto dela que se 
sentia incapaz de virar as costas.  Viciado em trabalho ou no, o prncipe no devia ser de todo mau, pois tinha dois filhos adorveis e uma cunhada muito dedicada.
   Ele no era exatamente algum negligente. Ligava para os filhos todos os dias, mais de uma vez, e conversava com eles em um nvel que mostrava o quanto sabia 
lidar com crianas. Maggie no escutava s escondidas, mas no podia evitar ouvir a fala das crianas.
   Ela acreditava que ele era um bom pai, apesar das preocupaes com o trabalho.
   Seu patro anterior era do mesmo jeito. Parecia uma condio comum entre as pessoas ricas. Ela se manteve no ltimo emprego por dois anos e podia contar nos dedos 
os feriados que os patres passaram com os filhos. No era o tipo de vida que invejava, ainda que significasse viver em meio ao luxo e a viagens constantes.
   Nunca se interessou em ligar-se a nenhum dos homens que conheceu naquele mundo que passou a freqentar desde que se formou. Se algum dia se casasse, seria com 
um homem que soubesse realmente ser parte de uma famlia, e no apenas um provedor.
   Queria algo real, algo duradouro e afetuoso... o tipo de famlia com a qual sonhara por toda a infncia
   Ela suspirou e deixou-se afundar no elegante sof em estilo vitoriano da sua sala de estar. Tinha 26 anos e comeava a duvidar que fosse encontrar um homem com 
o qual desejasse compartilhar sua vida. Esse pensamento no doa tanto quanto a idia de que, por causa disso, jamais teria filhos.
   Ela pegou o controle remoto e ligou a televiso.
   Certamente no encontraria ningum naquele meio. Gostava da princesa Theresa, mas seu marido, o prncipe herdeiro, era to concentrado no trabalho quanto o irmo 
mais novo. Maggie duvidava que isso fosse mudar quando o casal tivesse filhos e imaginava se essa seria a razo para ainda no os terem tido.
   Ela passou os canais at achar seu filme favorito, um romance dos anos 40. Ela adorava esse filme e sabia que ficaria acordada at de madrugada assistindo. O 
heri sempre a lembrava do homem que um dia fez seu corao bater forte e seu corpo arder como fogo.
   Infelizmente, assim como o homem da televiso, Tom Prince casou-se com outra mulher. Uma mulher linda, sofisticada e sensual. O tipo de mulher que virava a cabea 
de todos os homens. O tipo de mulher que Maggie sabia que jamais seria.
   Tom fora seu patro e colega de quarto na faculdade e, mesmo que tivesse dito o contrrio quando brigaram, seu amigo mais prximo. Ela vinha pensando muito nele 
ultimamente. Algo em Gianni e Anna fazia com que se lembrasse dele e dos sentimentos que ele provocou.
   Ela tambm vinha tendo outros tipos de sonhos... os erticos, nos quais aliviava as sensaes que conhecera nos braos dele naquela noite, seis anos atrs. Ela 
no entendia a ligao e no gostava disso.
   Fora muito ruim perd-lo para Liana e ter de viver sem sua presena diria. Mas agora ela sentia que estava temendo novamente a perda, mas no compreendia o porqu.
   Determinada a no pensar no passado e sofrer ela se concentrou no filme, mas, dessa vez, sua histria de amor favorita no lhe prendeu a ateno, e logo ela se 
perdeu em lembranas que no conseguia esquecer, por mais que tentasse...
   Maggie passava nervosamente as mos sobre a saia. A carta dizia que o traje para a entrevista deveria ser casual, mas ela queria causar boa impresso.
   Portanto, prendeu os cachos longos e louros em um rabo-de-cavalo e fez um coque, tentando aparentar mais que os 18 anos que tinha. Estava vestindo uma saia longa 
cor-de-creme e uma blusa clssica.
   E limpou bem o par de sandlias brancas que ganhara da me adotiva dois anos antes, por ter cortado a grama.
   Precisava daquele emprego. O salrio no era excelente, mas o emprego possibilitaria manter os estudos sem que precisasse recorrer a outro emprego que pagasse 
pouco para complementar.
   Ela tocou a campainha e entrou quando a porta foi aberta quase imediatamente por um homem que era bem mais novo do que esperava. Na realidade, no era muito mais 
velho que ela. Com os cabelos negros encaracolados, um rosto que podia ter sido esculpido por Michelngelo, olhos azuis angelicais e um corpo imponente e musculoso. 
Ele era lindo.
   - Deve haver... acho que deve haver um engano. - Ela olhou para o corpo maravilhoso dele e analisou as outras casas ao redor.
   - Est aqui por causa da vaga de governanta? - O homem alto, moreno e lindo perguntou com uma voz que revirou o estmago dela.
   - Hum, sim.
   Ele a olhou de cima a baixo, como se a examinasse.
   - Pensei que fosse mais velha.
   - Eu tambm.
   - Pensou que voc mesma fosse mais velha? - ele perguntou com certa ironia nos olhos.
   - Pensei que voc fosse mais velho - ela corrigiu, corando.
   Ele deu um passo para trs e indicou que ela podia entrar.
   - Ento, a surpresa foi recproca, certo?
   - Creio que sim.
   - Sou Tom Prince e voc deve ser Maggie Thomson.
   - Sim.  um prazer conhec-lo, Sr. Prince.
   - Tom, por favor.
   - Certo. - Ela o acompanhou na sala.
   - J cuidou de uma casa? - perguntou, enquanto eles se sentavam em lados opostos de uma mesa.
   Lembrando-se dos anos em que cuidou dos irmos de criao e da me doente, ela assentiu.
   - Muito.
   Ao perceber que sua resposta no fora to especfica, ela comeou a descrever as tarefas que fazia. A expresso dele era de surpresa.
   - Voc cuidou da casa, dos irmos e da me doente enquanto ainda trabalhava em meio perodo?
   - Sou multifuncional. - Tomara que aquilo a ajudasse.
   - Mas agora que fez 18 anos, saiu de casa?
   - Quando fiz 18 anos, no era mais elegvel a ser parte do sistema. Helen no conseguiu ajuda para me sustentar e precisou que eu sasse para que pudesse adotar 
outra criana.
   Ao saber disso, Maggie percebeu que no havia significado mais que dinheiro para a velha mulher a quem se dedicara tanto, e isso lhe doeu. Mas essa parte ela 
no contou a Tom.
   Entretanto, seus olhos muito observadores e compassivos demonstraram que ele havia lido as entrelinhas. Mas tudo o que perguntou foi:
   - O salrio baixo no  impedimento para voc?
   - No. Para dizer a verdade, seria uma ddiva. Minha bolsa de estudos no cobre despesas pessoais.
   - Voc cursa a universidade com bolsa de estudos?
   - Sim.
   - Deve ser muito inteligente.
   - Gosto de estudar.
   Ele no riu como muitas pessoas faziam quando ela declarava isso. Por alguma razo, a idia de se formar na faculdade para cuidar de crianas parecia estranha 
a muitas pessoas.
   - O que quer fazer?
   - Um dia, quero ter minha prpria creche.
   - Ento, vai ter que estudar administrao tambm.
   -  o que planejo.
   Ele concordou e a entrevista prosseguiu. Surpreendentemente, eles tinham muito em comum.
   Ela pensou que ficaria inibida a seu lado, mas ele no agia como os outros homens lindos que conhecera, presunosos por causa de sua beleza.
   Ela estava indo embora quando ele falou:
   - Preciso conversar mais uma coisa com voc antes de tomar minha deciso.
   - Pois no.
   Pela primeira vez em quarenta e cinco minutos, ele mostrou-se pomposo.
   - Acho que podemos ser amigos. 
   Ela assentiu firmemente.
   - Gostei de voc, Maggie.
   - Eu tambm gostei de voc - ela respondeu, com a respirao presa.
   - O emprego  para dormir.
   - Sim, eu sei.  perfeito para mim.
   - Se eu contrat-la voc deve me prometer que no passaremos da amizade. Pelo seu formulrio, pensei que seria mais velha... Eu no namoro pessoas que trabalham 
para mim. Nunca.
   Ela olhou para ele sem saber o que dizer. Ele parecia jovem demais para seguir essa poltica, mas certamente ela no esperava que ele a quebrasse com ela.
   Como ela no respondeu nada, ele foi ainda mais implacvel.
   - Se eu acordar e encontr-la nua no meu quarto,  demisso na certa.
   Ela no conseguiu evitar uma gargalhada. S de pensar em fazer algo to audaz... to absurdo... era mais do que podia suportar. Ela riu tanto que caiu pela parede, 
sacudindo a cabea em negao ao comentrio dele.
   Percebendo que ele estava preocupado, ela se forou a parar.
   - Desculpe, eu no devia ter achado graa.
   - Estou falando muito srio.
   O modo como o discurso dele ficava formal s vezes era estranho, era como se a fala de um rapaz universitrio no fosse natural a ele.
   - Isso j aconteceu antes? - ela perguntou, incrdula.
   - Sim - ele respondeu brevemente.
   - Juro pelos meus pais mortos que no aparecerei no seu quarto, seja nua ou de qualquer outra forma.
   - Seus pais morreram?
   - Sim.
   - Sinto muito.
   - Eu tambm, obrigada.
   - Nunca tentar me seduzir? - ele perguntou, como se ainda estivesse em dvida.
   Ela precisou de muito autocontrole para no rir novamente.
   - Quando voc me conhecer melhor, vai perceber que esse pensamento  ridculo, mas, por favor, acredite quando eu digo que no precisa se preocupar com isso.
   - Por que, voc no se interessa por homens? 
   Ela engasgou e fechou os olhos, tentando manter a compostura.
   - Sim, eu me interesso. Mas no sou do tipo que tenta seduzir ningum, seja homem ou mulher - ela respondeu.
   Ele ainda parecia preocupado e ela suspirou.
   - Olha, voc disse que eu pareo inteligente. Bem, eu sou. Muito inteligente para perceber que somos muito diferentes. No sei de onde voc vem para ter mulheres 
caindo aos seus ps querendo fazer sexo, mas cresci educada a manter-me longe da cama dos homens at eu me casar, e  assim que pretendo que seja.
   De repente, ele sorriu e ela quase caiu contra a parede novamente, dessa vez por causa do impacto que sentiu, mas conseguiu se segurar.
   - Est contratada.
   
   
   CAPTULO II
   
   Ela se mudou uma semana depois.
   O trabalho era fcil. Tom no era relaxado e, embora fosse claramente acostumado a viver com dinheiro, no exigia refeies sofisticadas. Ela tinha tempo suficiente 
para estudar e cuidar das tarefas domsticas. Alm disso, ele fazia com que se sentisse em casa.
   Tudo o que tinha que fazer era executar bem suas tarefas. Mas ele no exigia que trabalhasse o tempo todo que estivesse em casa. Era como o sistema do lar adotivo, 
em que ela logo percebeu que se trabalhasse direito e se fizesse indispensvel, sempre teria um lar.
   O nico problema de seu acordo perfeito com Tom foi que ela se apaixonara perdidamente por ele. E ele deixou claro que no queria mais que amizade...
   As namoradas dele eram lindas, sofisticadas e faziam com que Maggie se sentisse menos que comum. Todas elas realavam uma verdade que ela no podia negar: mesmo 
que no trabalhasse para ele, Tom Prince jamais a consideraria outra coisa que no uma amiga.
   No meio do ltimo ano dele na faculdade, ele terminou com a ltima namorada. Em vez de namorar outra mulher de beleza estonteante, preferiu a companhia de Maggie... 
para jantar, ir ao cinema, a eventos esportivos ou at mesmo a festas.
   Os sentimentos que viveu naquele ms ainda eram vividos seis anos depois.
   Era uma cruz entre o inferno e o paraso. Ela adorava o tempo que passavam juntos e seu corao suscetvel se deleitou com toda a ateno dele. Mas ela nunca 
esquecera o aviso de que perderia o emprego se tentasse algo alm de amizade. No que fosse faz-lo. Ela no era tola de pensar que a mudana nos padres de namorada 
dele significariam alguma coisa para ela.
   Entretanto, certa noite tudo mudou.
   Ela estava aconchegada no sof de veludo da sala de estar, estudando para a prova, quando ele chegou.
   Muito atraente em uma cala jeans e um suter Ralph Lauren sobre uma camiseta azul-marinho, ele fez com que ela tivesse sensaes capazes de mudar seus ideais 
de virgindade.
   S esperava que seu desejo no estivesse estampado no rosto.
   - Oi. Vai jantar hoje?
   - Podamos sair.
   - Bem que eu queria - ela respondeu sinceramente. - Mas tenho que estudar.
   - Voc trabalha muito. Precisa de uma folga.
   - No, no preciso. - A vida nunca fora fcil para ela. - Voc  que  mimado.
   - E  voc que me mima. - Ele se aproximou, e seu cheiro masculino tentador atiava os sentidos dela. - Deixe-me mim-la e lev-la para jantar.
   - No posso. De verdade, Tom. Tenho trs testes amanh.
   Ele sacudiu a cabea em tom de desaprovao.
   - Voc no teria tantas provas se no tivesse aulas extras.
   - Eu pego o mximo que a bolsa permite. Quero acabar logo o curso.  melhor para mim, pois posso comear a trabalhar mais cedo.
   - Se voc me deixasse pagar suas despesas pessoais at o fim da faculdade, no teria com que se preocupar.
   - No precisa. Voc j faz o suficiente. s vezes voc faz coisas demais.
   - Voc  muito teimosa. E no fao nada que no merea.
   - Bem, como no vai morar aqui no ano que vem, no poder dizer que estou fazendo por merecer, certo?
   - Pode considerar outra bolsa de estudos. 
   Ela no era a nica teimosa.
   - No.
   - O que vai fazer ano que vem?
   - Arrumar um emprego ou dois e procurar um apartamento. Acho que uma das meninas da faculdade quer dividir o aluguel. - Ela detestava falar sobre o ano seguinte, 
quando Tom partiria.
   Doa saber que ele sairia de sua vida to de repente quanto entrou. Ela tinha uma terrvel suspeita de que sentiria saudades dele para sempre.
   - No h razo para no ficar aqui.
   - H vrias razes. Essa casa no  minha.
   -  minha, e preciso de algum que cuide dela.
   - No, no precisa. Voc quer fazer caridade e no aceito. Por favor, pare de insistir. - Ela detestava discutir com ele tanto quanto detestava a idia de no 
v-lo mais.
   Ele riu e sua expresso oscilava entre a de um macho dominador e a de um homem confiante.
   - Sou muito bom em fazer as coisas do meu jeito. 
   - J percebi. Moro com voc h algum tempo. 
   Ele tomou o livro da mo dela e o jogou no sof, agarrando seus pulsos e levantando-a.
   - Ento, voc deve aceitar que, se eu quero sair para jantar com voc hoje, essa ser a situao mais provvel para a nossa noite.
   Ela aplicou um golpe no corpo firme dele e lutou o mximo possvel para se soltar, embora ele no estivesse machucando.
   - Preciso estudar.
   - Voc precisa comer. No que isso pode ser prejudicial?
   - Vamos demorar. Voc nunca vai a qualquer lugar s para comer.
   - Ento, de repente, pode haver um filme interessante em cartaz... voc precisa descansar. Eu j falei.
   - E, porque voc falou, devo considerar isso como verdade?
   - Sim, como inteira verdade. 
   Ela virou os olhos.
   - Voc  muito arrogante para quem ainda nem fez 25 anos.
   - Fui criado assim.
   - Creio que sim. - Ela nunca perguntou sobre a histria dele, mas no era necessrio muito esforo para perceber que ele vinha de uma famlia rica.
   - Por que no convida uma de suas amigas para ir ao cinema?
   - Estou convidando. Voc.
   - Sou sua governanta.
   - E minha amiga.
   Talvez... mas, de alguma forma, ela no os via trocando telefones e cartes de Natal depois que ele fosse embora. E isso era decisivo para ela. Seu tempo na vida 
de Tom Prince era curto. Tinha de tirar proveito disso.
   - Certo. Estudarei quando voltarmos. Vamos a uma sesso cedo.
   - Seu desejo  uma ordem, querida Maggie. - Ele selou a promessa com um beijo.
   Nos lbios dela.
   Ele nunca fizera isso.
   A parte racional do crebro dela dizia que aquele tipo de saudao era comum para ele, mesmo que ela sempre tivesse evitado qualquer contato fsico entre eles.
   Mas seu corpo tinha outras idias, e os lbios que haviam beijado apenas outro rapaz antes ficaram instantaneamente macios contra os dele, abrindo-se em um convite 
inequvoco. Sendo o predador natural que era, ele aceitou a profundidade do beijo com voracidade.
   A lngua dele escorregou por entre os lbios dela e deslizou por sua lngua. Ela sonhara com o gosto dele, mas nenhum sonho era comparvel ao sabor daquela boca. 
Os lbios e a lngua dele exploravam-na com tanta experincia que ela gemia de prazer. Ele emitiu um som gutural em sua garganta que provocou arrepios no corpo dela. 
Em seguida, ele a puxou para mais perto pelos quadris.
   Os dedos dela se remexiam pelo suter dele, agarrando to forte que a roupa teria rasgado, se no fosse de qualidade.
   Ele passou as mos ao redor dela, trazendo-a para o contato ntimo com a parte inferior do seu corpo. Ela sentiu a rigidez dele contra a sua barriga, mas no 
pde pensar no que aquilo significava. Estava muito ocupada sendo devorada por um beijoqueiro experiente. E adorando.
   Uma pequena parte de sua sanidade e a fraca voz da razo perguntaram o que ela pensava que estava fazendo, mas ela no tinha respostas. Uma voz ainda mais estridente, 
a de um amor irrequieto, dizia a ela que no teria uma chance como aquela novamente. Ela tinha urgncia de experimentar o mximo possvel com ele.
   Seu corao e seu corpo clamavam para que obedecesse a essa voz.
   Tom fez algo com a mo nas costas dela e seus joelhos envergaram.
   De repente, ela estava tombando para trs, e ele vinha junto. Ela caiu com parte do quadril fora do sof e no conseguiu se equilibrar, e os dois foram parar 
no cho. Ela caiu sobre ele, mas felizmente ele manteve os lbios dos dois unidos. Ele gemia e a apertava sobre seu corpo, acomodando a coxa musculosa entre as pernas 
dela. Ela ficou totalmente imvel, com sensaes percorrendo todas as suas terminaes nervosas, fazendo com que tremesse e afastasse a cabea da dele.
   Aquilo j era demais.
   Ela tentou segurar nos lbios um pequeno choramingo, mas ele escapou.
   Ele olhou para ela, os ngulos de seu rosto tomados por uma emoo que ela no reconhecia.
   - Eu a machuquei?
   Ela sacudiu a cabea, incapaz de falar.
   - Voc choramingou.
   Ela olhou para ele, muda, abrindo ligeiramente as pernas em um gesto involuntrio que tentou imediatamente retificar, sem sucesso. Ele se acomodou mais firmemente 
entre as pernas dela, e o efeito foi um abrao mais forte da sua coxa contra as pernas dela.
   Ela gemeu e fechou os olhos para no ver o desgosto que haveria nos olhos dele. Ela prometera nunca fazer isso, mas era como se seu crebro tivesse perdido o 
controle do corpo e tivesse assumido vontade prpria.
   O fato de sua razo seguir seu corao no ajudava seu autocontrole.
   - Abra os olhos, Maggie - ele pediu em um tom que ela duvidava que algum fosse capaz de desobedecer. - Olhe para mim.
   Ela se fortaleceu para lutar contra a raiva dele e abriu os olhos.
   - Desculpe - ela conseguiu sussurrar.
   Longe de terem raiva, os olhos dele estavam emoldurados por um olhar que ele nunca dedicara a ela.
   - Por qu?
   Antes de olhar para os olhos dele novamente, ela fitou seus lbios.
   - Por ter beijado voc.
   - Eu beijei voc. 
   Mas ela provocou mais. Foi ela que abriu a boca.
   Ela simplesmente sacudiu a cabea, sem conseguir pronunciar suas palavras.
   - Voc me deseja. - Ele soava como se nunca tivesse pensado nisso, mas, ainda assim, no parecia irritado com o fato de ela ter quebrado o pacto. - Desde quando?
   Ela virou a cabea, orgulhosa demais para responder. O sof estava to prximo que ela conseguia ver os detalhes do couro, mas isso no servia para distra-la 
da presena dele.
   Ele tocou o queixo dela com dedos implacveis at que ela o olhasse novamente.
   - Eu a desejo tambm.
   - Deseja? - ela perguntou, impressionada. - No  possvel.
   Ele riu e moveu-se contra ela para que percebesse as outras partes rgidas do seu corpo.
   - Eu diria que  muito possvel. 
   Quando ela percebeu as conseqncias do que falou, ficou corada.
   Ele riu novamente e baixou a boca at a de Maggie. Dessa vez, foi a lngua dele que pediu para entrar nos lbios dela. O beijo foi incendirio, transformando 
o senso de realidade dela em cinzas.
   Tudo o que conseguia fazer era sentir. Todos os toques eram novos para ela, todas as carcias eram um passo para um mundo desconhecido, mas surpreendente. Um 
mundo em que a paixo ditava as regras e o desejo era uma presena tangvel a seu redor.
   Ele traou as curvas do rosto dela e do pescoo com a pontinha dos dedos. Mas, quando ele atingiu os seios, seu toque mudou, ficando mais insistente, e ele apalpou 
suas curvas suaves possessivamente atravs do tecido da camisa de flanela que ela usava. Foi to ntimo que ela estremeceu diante do impacto, enquanto ele resmungava 
em aprovao por ela estar sem suti.
   Ele comeou a apert-la com uma astcia experiente, fazendo com que sentisse ardor em sua parte mais ntima.
   Ela precisava toc-lo tambm, queria sentir a pele dele sem que houvesse obstculos entre os dois. Ela tirou a camiseta dele de dentro da cala para que pudesse 
passar a mo por baixo do suter. A pele dele estava mais quente do que ela esperava, emanando um calor que queimava deliciosamente os seus dedos.
   E os plos do seu peito eram sedosos. Ela tocou todos os locais que conseguia alcanar, explorando o corpo musculoso dele com uma voraz inocncia. Quando ela 
encontrou seus mamilos enrijecidos, parou e os circulou com um dos polegares, depois os roou, sentindo um imenso prazer com a resposta passional dele.
   Ela estava vagamente ciente de que ele desabotoava a camisa dela e a retirava.
   Porm, somente se deu conta disso quando a mo dele tocou seu corpo nu. Toda a percepo dela foi consumida com a sensao das mos dele em sua carne nua, quando 
os bicos dos seus seios endureceram quase dolorosamente e ela estremecia ligeiramente.
   Ele a beijou pelo queixo e pelo pescoo.
   - Voc tem a pele to macia, Maggie, to gostosa.
   A nica resposta dela foi outro choramingo apaixonado, quando a boca de Tom encontrou o seio dela e, depois, um gemido, quando ele comeou a sugar o bico. Ela 
deixou as mos carem ao seu lado, agarrando o tapete. Maggie jogava a cabea para trs e para frente, e um som abafado que ela mal reconhecia saa de sua garganta.
   E ento ela deixou soltar palavras que no planejava em uma ofegante cascata.
   - Oh! Eu sabia que seria maravilhoso, mas isso supera tudo. Estou sentindo tanto prazer, como se todo meu corpo estivesse formigando por uma picada de abelha.
   Ele riu, tirando a boca do mamilo dela.
   - Terei prazer em picar suas ptalas e beber de seu nctar com a minha lngua.
   As palavras erticas provocaram-lhe arrepios e ela gemeu.
   Ele sorriu obscuramente, voltando a sugar o corpo macio dela. Ela tentou arquear o corpo no cho, mas o corpo dele a impediu.
   - Tom... isso  to bom... to bom... - A palavra saiu em um longo gemido que ela no tentou ocultar.
   Ela no tinha certeza sobre como aquilo acontecera, mas ele estava sem a camiseta e o suter e ela sentiu seu corpo nu contra o dele. Era maravilhoso e aconteciam 
coisas dentro dela que ela nunca imaginara-se capaz de sentir... a sensao de uma tenso crescente com a qual ela no sabia lidar. Simplesmente ficava mais forte 
e mais forte, e ento ele abriu o zper da cala dela, deslizando a mo para dentro.
   Os dedos dele ultrapassaram a parte superior da calcinha e passaram entre os lbios excitados para pararem em seu local mais encantador. Algo aconteceu dentro 
dela. Era como um foguete explodindo, e ela gemia enquanto seu corpo curvava de tanto prazer.
   - Isso, bella. Deixe-me sentir o seu prazer.
   Ela olhava para ele, seu corpo estremecia enquanto os dedos dele continuavam com aquela brincadeira. Quem era Bella? Seus pensamentos dividiam-se quando um dedo 
quase escorregava para dentro dela e ele pressionava a palma da mo contra seu clitris, prolongando o prazer.
   Ele pressionou um pouco mais e ela sentiu uma dolorosa penetrao, quando ele falou:
   - Maggie! - a voz dele abafou-se com atordoante descrdito. - Voc  virgem? - perguntou, tirando a mo do corpo ainda com sinais de sua intimidade.
   - Sim.
   Algo diferente lampejou diante de seus olhos e ele comeou a sussurrar em uma lngua que ela no entendia, beijando-a com vigor no rosto e no pescoo. Tomada 
de sensaes, ela no entendeu o que estava acontecendo, at que ele comeou a retirar a cala dela.
   - Tom?
   - O que, bella?
   O uso do nome de outra mulher de novo fez com que ela bruscamente recobrasse o controle de si mesma.  claro que ele estava pensando que ela era outra mulher. 
Ele no iria desej-la se fosse de outra forma, mas ela no podia entregar sua virgindade assim. Poderia?
   - O que voc est fazendo? - perguntou ela estupidamente.
   Ele riu, sua risada era rouca e ofegante.
   - Fazendo amor com voc.
   Mas no era amor. Era sexo e ela no sabia se poderia passar por aquilo.
   - Eu sou virgem.
   - Eu sei.
   - Eu quis dizer que no tomo plula, ou qualquer outra coisa.
   Ele j tinha abaixado a cala dela at os joelhos, puxando-a agora at os calcanhares.
   - Eu tenho camisinha.
   - Mas... - Ela abaixou a mo para proteger-se, mesmo vestindo apenas calcinha. - Por favor, Tom. Espere.
   Ele parou e olhou para ela, o olhar era aterrorizante em razo de sua intensidade.
   - Voc no quer fazer tudo?
   - Voc me chamou de Bella.
   Uma vergonha constrangedora brilhou no fundo dos olhos azuis dele, confirmando o receio de ela ser uma substituta para outra mulher.
   - Bem... sim, mas voc quer que eu explique?
   - No! - S de pensar em escutar o nome de outra mulher que ele j havia amado no momento em que ela estava deitada praticamente nua sob ele era repugnante. - 
De maneira alguma.
   Agora, ele parecia confuso.
   - Ento, qual  o problema? 
   Ser que ele era to tolo assim?
   - Eu no quero fazer amor com voc enquanto pensa em uma de suas namoradas.
   - Eu nunca faria uma coisa dessas - disse ele. Seu corpo todo se retesou de forma afrontadora.
   Ela desejava realmente acreditar nele, mas o que havia feito seno aquilo?
   Levada pelo receio de estar fazendo papel da outra e pensando no legado fsico definitivo que o ato de fazer amor deixaria em seu corpo, ela declarou com toda 
honestidade:
   - No estou preparada.
   - Eu acho que voc est.
   - Voc me disse que me demitiria se eu alguma vez tentasse seduzi-lo. O que aconteceria se fizssemos sexo agora? - perguntou ela.
   A feio dele ficou soturna, a decepo estampada em seus olhos azuis.
   - Sem dvida alguma, arruinaramos uma grande amizade - disse ele cinicamente.
   Apesar dos protestos, no era isso que ela queria ter ouvido. A dor a invadiu.
   - Eu acho que voc est certo. Seria tolice fazer amor. Eu no posso me dar ao luxo de perder meu emprego por uma nica noite de luxria.
   Ela odiou proferir estas palavras, por mais verdadeiras que fossem.
   Ele fez uma guinada para afastar-se dela, como se estivesse totalmente desprovido de emoes.
   - Eu no vou pression-la a fazer algo que pensa que possa prejudic-la - disse ele rispidamente.
   - Eu sei disso.
   Ele no respondeu, mas moveu-se e sentou no sof. Ela no pde ver a expresso dele, pois sua cabea estava abaixada e seu corpo forte estremecia-se entre uma 
respirao profunda e outra.
   Sem a paixo de entregar-se, ela ficou envergonhada e rapidamente se vestiu. Maggie levantou-se um pouco constrangida e sem saber o que falar.
   Aps alguns segundos, at mesmo a respirao dele j estava controlada. Quando ele olhou para ela, no havia nada em seu olhar fixo que pudesse revelar que ele 
pensava. Ele simplesmente ficou sentado em silncio, com as mos balanando entre as pernas j vestidas.
   - Tom, eu...
   - Se eu a encontrasse nua em minha cama, no a demitiria.
   Isso foi tudo que ele falou e ento se levantou e foi embora da sala sem falar mais nada.
   Um segundo depois, a porta da casa havia sido aberta e fechada, e ela estava completamente sozinha numa casa que parecia ecoar tudo o que no fora dito.
   Ser que ele realmente a desejava?
   Quem era Bella?
   Ela foi para o seu canto do sof, lgrimas queimavam seus olhos. Ser que ela tinha evitado um enorme erro ou havia cometido o maior equvoco da sua vida?
   Essas questes e as palavras dele remoeram na cabea de Maggie durante toda a semana seguinte.
   As palavras surgiam em sua conscincia assim que ela acordava e a atormentavam durante todo o dia. Por fim, passaram a causar insnia todas as noites. Quando 
ela dormia, sonhava com ele e o prazer que ele lhe havia proporcionado.
   Ela acordava com dores entre as pernas e sonhando com ele. Seus desejos por ele cresciam absurdamente. Dois fatores a impediam de pular na cama dele: a lembrana 
dele chamando-a pelo nome de outra mulher e o fato de ele raramente estar por perto. Sendo honesta consigo mesmo, tinha de admitir que, se o presente no era o caso, 
o passado no faria diferena.
   Ele no tinha namorado nenhuma Bella que ela conhecesse, mas, quando Maggie tomou conta da casa no vero anterior, ele foi para casa. Poderia ter namorado qualquer 
uma naquela poca. Ser que ele havia se apaixonado pela Bella e ela o abandonara?
   Isso explicaria o fato de ele no estar concentrado em seus relacionamentos com outras mulheres este ano, porque tivera apenas uma namorada e ela havia terminado 
com ele quando decidiu tornar as coisas mais srias. Maggie odiava o pensamento de ser a substituta para outra mulher. De qualquer maneira o desejo de tentar conquistar 
o afeto dele por meio da paixo tornou-se mais irresistvel a cada dia. Particularmente quando Tom ia se afastando e passando menos e menos tempo com ela.
   Ele a queria e havia praticamente a convidado para a sua cama. No podia simplesmente abandonar esses pensamentos.
   Finalmente, o medo de perder o pouco que tinha dele foi decisivo. Passava das onze horas e Tom no estava em casa. Ele havia ligado dizendo para ela no se preocupar 
com o jantar, porque ele tinha uma reunio do grupo de estudo naquela noite. Numa sexta-feira  noite. Como se alguma vez tivesse ido a uma dessas reunies. Ele 
a estava evitando e ela no podia mais aturar essa situao.
   Ela sabia que seria difcil v-lo ir embora ao final da primavera, mas no sabia que seria impossvel viver na mesma casa e perder o pouco que tinha dele. Certo 
ou errado, dormiria com ele e esperava que isso trouxesse de volta a proximidade que eles haviam compartilhado antes do encontro na sala de estar. Valia a pena qualquer 
risco para ter um futuro com o homem que ela amava... mesmo sabendo que poderia ser um futuro extremamente breve.
   Ela vestiu sua camisola, longe de ter atrevimento suficiente para ir nua para a cama dele, e apagou as luzes da casa, exceto uma do hall. Depois, entrou no quarto 
dele, escuro e vazio. Seu corao batia aceleradamente. Ela no sabia como faria isso se ele realmente estivesse em casa.
   A perspectiva de Tom encontr-la na cama era muito menos desanimadora do que ela ter de explicar o que queria. Ele era esperto. Entenderia.
   Mesmo assim, ela entrou cuidadosamente debaixo das cobertas, sentindo-se como uma ladra ou algo similar. Mas ele dissera que no a demitiria caso a encontrasse 
nua em sua cama. Ela pensava nisso enquanto aconchegava-se entre os travesseiros dele, respirando seu perfume. Eles ficariam ntimos naquela noite e ento aquele 
horrvel vazio em seu peito iria embora.
   Enquanto ela estava ali, deitada esperando por ele, suas noites de insnia daquela semana se juntaram e seus olhos ficaram inacreditavelmente pesados. Sua ltima 
lembrana foi ter olhado para o relgio digital e ver que j passara da meia-noite.
   Ela acordou com vozes sussurrantes do outro lado da cama. O colcho afundou ao mesmo tempo em que a lmpada do abajur do outro lado da cama acendeu e ela ficou 
ofegante com o que lhe foi revelado.
   Tom estava com a mo no ombro de uma mulher. Uma morena linda com impressionantes olhos castanhos. Sua blusa desabotoada revelava curvas perfeitas dentro de um 
espartilho preto.
   - Maggie, o que voc est fazendo aqui? - perguntou Tom, com seus olhos azuis arregalados em choque. Seus cabelos estavam obviamente desalinhados, conseqncia 
do que fazia antes de entrar no quarto.
   - Dormindo - ela balbuciou, perplexa.
   Uma explicao para os motivos de sua presena ali estava totalmente fora do seu alcance, e o corao de Maggie estilhaava-se enquanto a linda morena olhava 
para ela como se Maggie fosse um inseto asqueroso.
   O brilho da compreenso surgiu no olhar fixo dos olhos azuis de Tom e, junto com ele, um pouco de vergonha e desconforto que machucavam tanto quanto o olhar de 
escrnio da nova namorada dele.
   - Maggie, eu... - Pela primeira vez em 18 meses, ela via Tom Prince perder a fala, mas a sua namorada, no.
   - Por que a sua governanta est dormindo na sua cama? - perguntou a Tom, desconfiada.
   - Esqueci de avis-la que eu dormiria em casa esta noite. Hoje  dia de lavanderia. Ela no deve ter roupa de cama para usar. - Como as desculpas saam de sua 
cabea sem sinal de hesitao, pareciam perfeitas.
   Entretanto, saber que ele no queria que a outra mulher pensasse que poderia haver outra razo para Maggie estar em sua cama fez a cabea dela queimar como cido.
   Os lbios da linda mulher enrugaram-se em tom de desaprovao.
   - Ela deveria dormir no sof, ento.
   - Sim. Eu deveria. - disse Maggie respeitosamente. Ela olhou para Tom, seus olhos a denunciavam. - Foi um grande erro ter entrado aqui.
   - O momento no foi apropriado - disse ele em tom verdadeiro.
   - Muito inadequado - concordou a morena. - Entretanto, o problema pode ser solucionado agora, no pode?
   - Mas  claro. - Maggie saiu da cama, satisfeita por estar vestindo sua camisola branca de algodo.
   Se ela estivesse nua, no suportaria a humilhao. Daquela forma, ela sentia raiva e humilhao, lgrimas queimavam sua garganta. Fora uma idiota em no perceber 
que o fato de um homem como Tom Prince desej-la no seria mais do que uma causalidade.
   Recusando-se a justificar-se e claramente incapaz de pronunciar qualquer outra palavra, Maggie girou e saiu rapidamente do quarto. Ela correu pelo hall para seu 
prprio quarto e entrou apressadamente, batendo a porta e trancando-se antes de desmoronar no cho, entregando-se  dor que se espalhava rapidamente pelo seu corpo.
   Fora muito estpida em pensar que ele realmente a desejava. Ela achava que ele a evitava por no aceitar o fato de ter dito no, quando, na verdade, ele simplesmente 
havia encontrado outra mulher e estava passando seu tempo ao lado dela. Seus sonhos tolos estavam zombando dela com penosas acusaes.
   Mas ele no se deu ao trabalho de lhe dizer que havia encontrado outra pessoa. Provavelmente porque, para ele, no era outra pessoa, mas sim mais uma pessoa. 
O que ele lhe dissera no significava nada alm de tranqiliz-la a respeito do trabalho dela, aps o embaraoso desastre da semana anterior. Seu comentrio no 
era, de modo algum, um convite. No poderia ter sido, no com ele saindo com outra mulher logo em seguida.
   Fora produto de sua mente frtil. Nada mais. Mas ele no deveria ter dito, se no queria dizer. No era justo. Maggie pensou que iria vomitar, mas conseguiu engolir 
sua blis. Em vez disso, pela primeira vez em anos, deixou cair suas lgrimas silenciosas.
   Naquele momento, ela odiou Tom Prince tanto quanto o amou.
   
   
   CAPTULO III
   
   Na manh seguinte, Maggie acordou como se houvesse um vazio em seu peito. O relacionamento dela com Tom havia mudado para sempre e ela sabia agora, sem sombra 
de dvidas, que seus sentimentos por ele jamais seriam os mesmos. Sempre haveria outra linda mulher  espera de um homem como Tom Prince.
   Ela teria de encontrar um colega de quarto mais cedo do que esperava... e outro emprego. No seria fcil, a maioria dos empregos de meio expediente que se encaixavam 
nos horrios escolares j fora ocupada no incio do ano, mas no tinha escolha.
   Ela entrou caminhando em silncio na cozinha, sem querer acordar os outros moradores da casa. Infelizmente, Tom estava em p prximo  cafeteira, esperando o 
caf ficar pronto, quando ela entrou.
   Ele a olhou detidamente e disse:
   - Bom dia.
   - Ser que ? - perguntou ela em um invarivel tom de voz. Talvez para ele, homem de grande atividade sexual cujo jejum havia encerrado na noite anterior, fosse 
um bom dia.
   Ele sobressaltou-se dizendo:
   - Sinto muito pela noite de ontem.
   - Sente?
   - Sim. Foi uma lstima.
   - Esta  uma maneira de abordar a situao.
   - No queria que voc ficasse constrangida daquele jeito.
   Ser que era s isso que ele achava que havia acontecido? Que ela ficara constrangida? Est bem. Ele tinha estraalhado o corao dela, e nada neste mundo seria 
capaz de recomp-lo.
   - Liana no sabe que voc foi para a minha cama a fim de fazer amor. Ela acreditou na minha desculpa de ontem.
   - Foi uma histria inteligente.
   - No seja cnica. Por favor. No  do seu perfil e eu j disse que sinto muito.
   - E, com isso, a situao toda vai ficar melhor?
   - Sim - ele retrucou com ar arrogante. - Ns no tnhamos um relacionamento. No quebrei nenhuma promessa. Voc no deveria estar chateada.
   Pena que no era possvel, levando-se em conta o quanto ficara surpresa diante de toda essa tormenta.
   - No. Ns no tnhamos... temos um relacionamento, mas voc me disse que no me demitiria se eu fosse para a sua cama.
   Seu rosto ficou inexpressivo, como se ele finalmente tivesse entendido o que a aborrecia.
   - E no vou. - disse ele, como se fizesse jus a uma medalha. - Foi um simples equvoco.
   Ela balanou a cabea diante da m interpretao da situao.
   - Vou procurar outro emprego ainda hoje. 
   Ele contraiu o rosto, irritado, e disse:
   - Voc no pode.
   - Posso.
   - No por causa disso. No h motivo. Foi um equvoco sem maiores conseqncias e ns dois estaramos melhor se esquecssemos tudo isso.
   - Talvez voc. Eu no posso esquecer. Desculpe.
   - Eu no quero suas desculpas. Quero que voc fique como minha governanta.
   - Como eu poderia?
   - Voc est sendo irracional. No h razo para sentir-se constrangida ou querer ir embora. Para mim, a noite de ontem nunca aconteceu.
   - Ser que a Liana sabe disso?
   - Eu no quis dizer...
   - Eu sei o que quis dizer.
   - No  adequado que voc faa comentrios da minha vida particular deste jeito.
   - Perdo. Ento acho que  conveniente eu procurar outro emprego, no ? Eu, obviamente, no sou to discreta quanto voc precisaria que eu fosse.
   - Essa manh est sendo um equvoco que eu pretendo esquecer.
   Da mesma forma que ela fora esquecida quando uma linda mulher apareceu.
   - Voc levou em conta que no ser fcil conseguir outro emprego?
   - Sim.
   - Pelo menos, concorde em ficar at achar outro emprego.
   - Certo.
   Ela havia ficado at o fim do semestre, como tinha planejado inicialmente, pois achar outro emprego com seus horrios apertados da faculdade fora impossvel. 
Mas a situao mudou entre eles.
   Ela ainda cuidou das tarefas domsticas, mas passou a gastar muito mais tempo no campus.
   Por sorte, Liana no era uma estudante universitria local, ento no estava ali regularmente, mas sua presena podia ser sentida no constrangimento dirio entre 
Tom e Maggie.
   Quando ele pediu a outra mulher em casamento, Maggie no ficou surpresa, mas, mesmo preparada, o golpe no foi amenizado, e seu corao sangrou.
   Ele a convidou para o casamento e ela disse que eles no tinham esse tipo de relacionamento, que no pretendia v-lo de novo depois do trmino das aulas. Ele 
era seu patro, no seu amigo, e, quando as aulas terminassem, no seria nem mais isso.
   Dessa vez, ele no havia insistido obstinadamente em fazer as coisas do jeito dele, o que revelava tudo que ela precisava saber.
   Ela arrumou um emprego e uma moradia ao final do semestre, mudando-se uma semana antes dele.
   No seria capaz de agentar v-lo casar-se com outra mulher, mas torcia para ele ser feliz. Ela o amava demais para desejar algo diferente.
   Nunca veria Tom Prince novamente, mas tambm no seria capaz de esquec-lo.
   Algumas mulheres s se apaixonam uma vez, ou assim ela fora informada, e achou que ela era uma dessas. Ele tinha casado com uma mulher digna de sua incrvel aparncia 
e personalidade dinmica, mas havia um pedao do corao de Maggie que sempre pertenceria a ele.
   
   Maggie dormiu apenas quarenta e cinco minutos, quando um pequeno ser subiu na sua cama e a acordou.
   - Gianni?
   - A Anna est com medo, Maggie. Quer dormir com voc.
   A menina se aconchegou ao lado de Maggie, confirmando as palavras do irmo.
   - E voc tambm?
   - Tive um pesadelo.
   - Estou com saudades do papai - reclamou Anna.
   Depois de ter ficado remoendo o passado, Maggie estava cansada demais para discutir. Ela simplesmente os acomodou melhor e todos adormeceram.
   No entanto, depois de duas horas, com o corpo dolorido, ela saiu cuidadosamente em busca de um local para dormir melhor.
   As duas crianas estavam dormindo muito pesadamente para lev-las para a cama, mas ela no sabia exatamente onde dormir.
   As camas deles eram pequenas demais para um adulto. O sof que havia no apartamento tambm no era muito confortvel. At onde sabia, a nica cama disponvel 
era a da sute principal.
   Ela caminhou sonolenta at o quarto do pai de Anna e Gianni. Ele jamais saberia que ela dormira ali. Levantaria pela manh e mandaria lavar a roupa de cama para 
que ficasse pronta quando ele chegasse, no dia seguinte.
   Ela jogou o excesso de travesseiros no cho e deitou-se na cama. Havia algo ligeiramente familiar no cheiro dos travesseiros, mas estava cansada demais para descobrir 
o qu.
   
   Tomasso entrou em casa calmamente. Ele trabalhara intensamente nos ltimos cinco dias a fim de voltar para casa mais cedo. Sentia saudades dos filhos e estava 
louco para ver Maggie novamente e descobrir se ela era tudo de que lembrava.
   Ele passara as ltimas trinta e seis horas acordado, cochilando rapidamente no avio. Queria ficar alguns dias sem ir ao escritrio, portanto teve de adiantar 
o trabalho. Ele havia tomado um comprimido para enjo no avio, quando estava muito cansado, mas esqueceu e tomou uma taa de vinho para acompanhar o jantar e uma 
dose de usque uma hora depois.
   Ele subiu as escadas com uma sensao de antecipao e alvio que no sentia h tempos. No dia seguinte, Maggie saberia que trabalhava para ele. No tinha idia 
de como reagiria, mas agora que ela estava ligada s crianas, ele no acreditava que fosse querer deixar o emprego.
   Ele planejou tudo isso, fazendo o melhor para que a situao corresse a seu favor. Ao contrrio do seu primeiro casamento, em que ele havia permitido que a luxria 
e as emoes tolas congelassem seu bom senso, dessa vez ele planejava abordar a situao com Maggie do mesmo modo como fechava seus negcios. Com razo, sangue-frio 
e o objetivo de vencer.
   Ele estava afrouxando a gravata quando percebeu a pilha de travesseiros no cho. Seu crebro tonto no conseguia entender por que estavam ali. Seus funcionrios 
eram impecveis e seus filhos, muito respeitosos para fazer guerra de travesseiros no quarto dele.
   Intrigado com o mistrio, tirou o palet e o pendurou, enquanto examinava o resto do quarto. Quando viu a cama, parou.
   A cama estava ocupada.
   Quem teve a audcia de invadir seu santurio? Nenhuma mulher que conhecia conseguiria passar pela segurana e seus funcionrios eram leais demais para ajudar 
qualquer amante intrometida.
   E ningum, homem ou mulher, esperaria que ele fosse dormir em casa naquela noite.
   Ele se aproximou para olhar de perto. Teve de remover uma mecha dos cabelos louros para revelar os traos da mulher. Ele o fez cuidadosamente para no acord-la 
e ficou surpreso ao identificar a intrusa. Maggie.
   O que fazia em sua cama?
   Ele se lembrou de outra cama, em outros tempos.
   Eles se beijaram de modo ardente e quase fizeram amor. Mas ela era virgem e hesitou na hora decisiva. Ele a desejara tanto que chegara a estremecer, mas ela havia 
preferido o trabalho a ele.
   Seu ego no agentou e ele ficou desapontado e irritado, mas disse que no a demitiria se mudasse de idia. E passou a semana seguinte tentando evit-la e controlando 
sua libido.
   Ele considerava aquela paixo um erro e ficou muito grato por ela ter se recusado a ir at o fim. Maggie no fazia seu tipo. Era muito comum, inocente e doce. 
Ele passou a investir em mulheres sofisticadas e com uma viso similar de vida. Pensou que queria isso, mas aprendeu que esse tipo de mulher tem um preo.
   E era um preo que no pagaria novamente.
   Queria a simplicidade e o carinho que a mulher que estava em sua cama um dia representou na vida dele.
   Certa noite, seis anos atrs, ela deitara na cama dele por convite, mas ele levou Liana para casa com ele, e com isso arruinou qualquer chance que poderia ter 
tido com Maggie.
   Ela estava em sua cama novamente. Uma oportunidade e tanto para retificar os erros do passado.
   Seu crebro lhe dizia que havia algo errado naquele cenrio, que ela sequer sabia que trabalhava para ele, portanto ela no estava aceitando nenhum convite ali. 
A presena dela em sua cama se explicaria por algo to prosaico quanto a desculpa que ele dera a Liana seis anos antes.
   Mas ele no gostava dessa concluso lgica.
   Certo, estava um pouco tonto, mas, ainda assim, podia ver que a presena de Maggie Thomson em sua cama era parte do destino. Ela pertencia a ele. Ele devia ter 
visto isso antes. Claro que era.
   No. Espere. Ele deveria test-la... para ver se ela se ajustaria a essa vida como se ajustou  outra.
   Mas haveria teste melhor do que o da cama? Isso era importante. Fundamental.
   Enquanto ele terminava de se despir, sua mente trabalhava com vrios argumentos favorveis e contrrios a dividir a cama com a nova bab, mas, no final, foi a 
exausto fsica que venceu. Estava cansado demais e tonto para se preocupar em achar outro lugar para dormir. Optou pela prpria cama. Ela poderia dividi-la com 
ele.
   Ele deitou nu na cama. Nunca usava pijamas. No o faria naquela noite. Mesmo to cansado, no adormeceu automaticamente, mas virou-se para admirar os suaves traos 
de Maggie em repouso. Seus lbios estavam ligeiramente abertos, perfeitos para um beijo.
   Ela se importaria de ganhar um beijo de boa noite? Ele era um prncipe. Claro que no se importaria. Nunca nenhuma mulher negou-se a receber um beijo dele.
   Ele aproximou-se dela e seu corpo cansado reagiu com surpreendente fora  fragrncia feminina de Maggie. Quando j estava perto o bastante para beijar sua boca 
relaxada, sentiu sua ereo e seu corpo tomado de necessidade.
   Ele pressionou os lbios contra os dela em um beijo casto.
   Ela abriu os olhos e olhou para ele como se fosse uma apario.
   - Tom?
   - Sim, querida Maggie. - No dia seguinte, explicaria quem era.
   Ela relaxou novamente, como se a presena dele no a incomodasse nem um pouco. Ela fechou os olhos.
   - Isso foi bom - ela sussurrou.
   Ento, ele a beijou novamente, e dessa vez ela respondeu generosamente, abrindo mais os lbios para que ele pudesse aprofundar o beijo.
   Ele a beijou com a lngua, provando a boca que atiara seus sonhos por tanto tempo. Ela gemeu suavemente contra os lbios dele e suas pequenas mos comearam 
a explorar o corpo de Tom da mesma maneira que haviam feito seis anos antes. Ele intensificou o beijo com uma paixo que no sentia h muito tempo. O gosto dela 
era perfeito, ela era perfeita, e ele ansiava por ela como jamais ansiara por nenhuma outra mulher.
   Mas, mesmo tonto, por conta do cansao e do efeito combinado do remdio com as bebidas, ele sabia que havia algo de errado naquilo.
   Apelando para os ltimos vestgios de sanidade e autocontrole, ele interrompeu o beijo. Ela balbuciou um som de protesto e beijou o queixo dele, procurando ligar-se 
novamente  sua boca. Ele sentiu o corpo estremecer de desejo quando ela passou a mo pela barriga dele e acariciou os plos acima de seu sexo.
   - Maggie, bella... sabe o que est fazendo?
   Os olhos dela permaneceram fechados, mas os lbios se curvaram em um sorriso sensual.
   - Oh, sim. Beijando voc. - E ela o fez novamente, dessa vez indo diretamente  boca com grande preciso.
   Ele se forou a interromper o contato novamente.
   - Quem sou eu, bella?
   - Tom. - Ela franziu o cenho. - No me chame de Bella. No gosto.
   - Certo.
   Ela abriu ligeiramente os olhos, mas ele conseguiu ver sua ris.
   - Beije-me novamente, Tom. Gosto quando me beija... e faz outras coisas.
   A mulher era atrevida. Mesmo falando com certa libertinagem, ela tinha um ar de inocncia que o tentava. Os toques dela no eram de uma mulher que tinha dado 
prazer a muitos homens, e ele sabia disso. Aquele reconhecimento o excitava ainda mais do que se ela o tivesse levado ao orgasmo com a mo.
   -  seguro? - ele perguntou, sem saber se poderia parar se ela dissesse no.
   -  sempre seguro com voc. S com voc - ela sussurrou contra os lbios dele e o beijou novamente, tocando a lngua dele com inexperiente entusiasmo.
   Tomasso sentiu-se satisfeito.
   Assim como ele, ela se lembrava do quanto fora bom e queria novamente.
   Dessa vez, porm, no era uma virgem assustada. Ele no tinha do que se arrepender. No estava muito controlado naquela noite para lidar com uma iniciante e, 
na realidade, nunca fizera isso antes. No tinha desejo de improvisar com o crebro para controlar seu corpo.
   Ela passou a ponta da lngua no lbio inferior dele e ele se perdeu nela, puxando Maggie para baixo de seu corpo e devorando sua boca com uma necessidade h muito 
tempo no atendida. Maggie ficou paralisada, como se no soubesse o que fazer, mas logo correspondeu ao beijo com uma fora que minou qualquer desejo que ele poderia 
ter tido de ir devagar.
   Ele a tocou em todas as partes do corpo, mostrando sua ereo e deleitando-se na sensao daquele corpo feminino sob seus dedos. Impaciente com a barreira do 
pijama dela, ele o puxou com poucos movimentos.
   Maggie estremeceu contra ele quando seus corpos totalmente nus se encontraram pela primeira vez.
   Ele roou seu sexo rgido nos plos do vrtice das coxas dela.
   - Eu a quero tanto, tesoro mio.
   Ela engasgou contra os lbios dele, enrijecendo o corpo.
   - Isso no  um sonho. 
   Tomasso riu.
   - Oh, sim,  um sonho. Um sonho que demorou muito a ser realizado.
   Ele a beijou novamente, mas o corpo dela estava parado e duro contra o dele. Ser que se esquivaria agora? As lembranas do sexo frustrado dos dois h anos o 
atingiram, No. No podia. Ela o queria, suas respostas haviam sido muito impetuosas e ele a teria. Devia ser assim.
   Ele se apoiou em um dos braos e apalpou os seios dela. O bico se retesou imediatamente e ele o roou com a palma da mo. Ela se curvou com o toque dele, enquanto 
ele sorria por dentro, vitorioso. Ele planejava excit-la com toda a sua habilidade, que era bem maior do que aquela que possua com 24 anos.
   Liana s fazia amor com ele quando seduzida, segurando a paixo at ele conseguir extra-la do seu corpo sempre. Se havia uma coisa que sabia sobre sexo era como 
provocar uma mulher para que ela o desejasse.
   Maggie retomou total conscincia quando Tom tocou seus seios com carcias conhecidas que vinham da necessidade passional que ela havia guardado durante seis anos. 
No entendia o que Tom estava fazendo naquela cama, de onde tinha vindo e como chegara ali. Mas nada disso importava agora.
   Aquele era o homem que amava e ele a tocava novamente de uma forma com que sempre sonhou. Era irreal e, ainda assim, ela sabia que era real. No importava se 
fazia sentido; estava acontecendo e ela estava feliz por isso. As recordaes daquele dia, mais cedo, deixaram-na vulnervel emocionalmente. Somente aquele homem 
poderia preencher tal necessidade emocional.
   E, por qualquer razo, ele parecia querer preench-la. Ele a desejava. Todos os seus toques diziam isso. Todas as carcias que suscitavam desejos e que ela negara 
por tanto tempo provavam que ele sentia as mesmas coisas. Ela no entendia como isso estava acontecendo. Ele se casou com Liana.
   Ele se casou com Liana.
   Maggie afastou a boca da dele, dessa vez tentando libertar todo o corpo.
   - No, no podemos. Voc  casado. 
   Ele gemeu.
   - Sim, mova-se assim,  to bom.
   - No! - Ela socou os ombros dele. - Voc tem uma esposa.
   Ele ficou paralisado e ento respondeu com uma voz muito clara.
   - No, no tenho.
   Antes de Maggie perguntar o que havia acontecido ou qualquer outra coisa, a boca de Tom novamente colou-se  sua.
   Liana tinha partido. No havia ningum entre aquele sonho de seis anos. A necessidade de ser amada, de pertencer a algum, era muito forte para Maggie no momento, 
era uma dor pungente dentro do seu corpo. Nunca sentira aquela dor desde a morte dos pais. Seria a percepo de que queria uma famlia e talvez nunca teria uma, 
ou a aceitao de que nunca teve... j que a morte lhe levou todos?
   Ela no sabia o que era, mas queria preencher o vazio da solido. S dessa vez e somente com aquele homem. Quando os dedos dele deslizaram pelo meio das coxas 
dela, ela no lutou contra a intimidade. Maggie lembrou-se bem do prazer que ele fora capaz de proporcionar-lhe e abriu as pernas diante do seu toque.
   Ele murmurou um som de aprovao contra os lbios dela e seus dedos encontraram maciez e umidade. Os sonhos dela sempre a deixavam assim, mas naquela noite seria 
diferente. Independentemente de como tivesse ocorrido, Tom Prince estava fazendo amor com ela com mais carinho do que suas lembranas eram capazes de supor.
   A boca de Tom se moveu para os seios de Maggie e ele torturou os bicos enrijecidos at que ela estremecesse com a intensidade de suas sensaes. Ela no sabia 
o que fazer, portanto no fez nada... Mas ele no parecia se importar. O corpo dele parecia obviamente excitado e seu entusiasmo a fazia sentir-se linda, mesmo sabendo 
que no era.
   Ela curvou o corpo sob ele, precisando de algo que no sabia identificar.
   Ele levantou a cabea.
   - Voc me quer, Maggie?
   - Sim, sim, eu o quero tanto...
   O rosto dele se iluminou com uma sensao de intensa vitria e ele abriu as pernas dela com um movimento deliberado. Maggie no teve como se enganar. Ela no 
lutou contra ele. No queria. Logo ele estaria dentro dela e eles seriam um s, e ela no ficaria mais sozinha.
   Ele se equilibrou em cima dela para respirar rapidamente e penetrou-a com uma veloz investida.
   Ela sentiu dor no seu centro feminino e gritou, tentando instintivamente livrar-se dele.
   - Sim! - ele gritou, enquanto penetrava nela repetidamente, alargando tecidos desacostumados com aquele movimento e segurando os quadris dela com mos firmes.
   Novamente ele a beijou quase desconsoladamente, enquanto seu corpo se movia contra o dela. Ela sentia pequenas ondas de prazer, mas elas no compensavam a dor, 
e ela sentiu lgrimas descendo pela sua face at mesmo quando seus lbios retriburam os beijos dele.
   Essa parte pelo menos era boa.
   Ele se sacudia e estremecia sobre ela, emitindo um som gutural contra a boca de Maggie. O corpo dele ficou totalmente rgido e ento relaxou, caindo sobre ela 
como um enorme e pesado cobertor.
   Agora no doa tanto assim, mas a sensao de incompletude a invadia. Era horrvel, como se uma imensa promessa cristalina tivesse rudo em pedacinhos que cortavam 
todas as suas terminaes nervosas. Ela no podia acreditar que havia esperado vinte e seis anos de existncia por aquilo.
   E estava sendo difcil respirar sob o peso dele.
   Ela empurrou o peito dele.
   - Tom...
   Ele ergueu a cabea, meio tonto.
   - Voc acabou?
   Acabou? Sim, definitivamente havia acabado.
   - Sim - ela respondeu com uma voz engasgada que no conseguia esconder. - Acabei. 
   - Por favor, saia. - Ela o empurrou novamente.
   Ele rolou para o lado.
   - Sou muito pesado. - As palavras dele eram confusas, como se tivesse bebido demais.
   Ele tentou peg-la e ela se esquivou, mas pareceu que ele no se deu conta disso. Era forte e simplesmente puxou o corpo dela para o seu lado antes de cair no 
sono pesado. Simples assim...
   Ele fizera amor com ela, tornou-a uma mulher e dormiu sem sequer explicar como diabos foi parar naquela cama.
   
   
   CAPTULO IV
   
   Maggie no sabia precisar se ficou ao lado dele por minutos ou horas... estava muito tensa para calcular a passagem do tempo. Todo o seu ser estava em choque.
   Acabara de fazer amor com Tom Prince e no podia acreditar nisso. No acreditava que ele estivesse ali, na cama dela... ou que tivesse permitido que ele a tocasse 
e entrasse no seu corpo quando jamais dera tal liberdade a outros homens.
   Ela acordou totalmente excitada, arrepiada diante de uma necessidade que no sabia como aliviar. E, aparentemente, nem ele... porque no fora aliviada. A forte 
nsia que pensou que desapareceria quando fizessem amor era ainda mais profunda.
   Por quanto tempo ele a tocou enquanto ela pensava que dormia... pensando que fosse apenas outro pesadelo ertico como as centenas que tivera nos ltimos seis 
anos. No podia crer que fora to estpida.
   Mas, para defender-se, embora tivesse tido apenas um encontro passional verdadeiro com ele para a sua imaginao viajar, os sonhos eram to reais que ela sempre 
acordava com sensao pulsante de um orgasmo. O nico orgasmo que tivera acordada na vida fora propiciado por ele.
   Ele era tambm o nico amante de suas fantasias inconscientes. Nenhum outro homem teria ultrapassado a barreira de seu subconsciente. O toque de qualquer outra 
pessoa enquanto dormia a teria feito acordar assustada e chocada.
   Mas no Tom Prince.
   S que aquela noite no fora um sonho, pelo menos at onde sabia. Ela tomou uma consciente deciso de fazer amor com ele, mesmo que tenha sido sob a influncia 
de um enorme prazer que a derretia. No entanto, a dor latejante entre suas pernas era a prova de que nem tudo fora prazer.
   No fim, fazer amor com ele se transformou em mais uma quimera intocvel, assim como seu desejo de ter uma famlia... de ter um local que fosse s seu, de um modo 
que nenhum emprego possibilitaria. A dor entre suas pernas no era nada, se comparada  que sentia no peito. Doa tanto que queria chorar.
   O calor e a umidade de sua face revelavam que j chorava.
   Questionamentos que sua mente anestesiada havia aprendido a relevar agora voltavam com fora total.
   Como Tom Prince viera parar na cama dela? Cama dela, no, cama do seu patro. Ela no podia compreender a realidade. Era to fantstico... muito alm do que era 
crvel.
   Ser que os dois homens eram amigos? Como ele entrou na casa? Mais importante, ele ainda era casado? Ele disse que no e ela acreditou, mas deveria ter acreditado? 
Ele era confivel? Ela no o via h anos. Talvez tivesse mudado, mas um homem podia mudar tanto assim?
   Tom Prince era muito honrado para aquele tipo de comportamento. Ainda seria?
   Oh, Deus... ser que ele saberia quem ela era quando fizeram amor? Ele pensava que fosse Liana?
   No... Ele a chamou de querida Maggie, como fazia. Ele falou que no era casado, mas seria verdade?
   Ela sentiu nuseas ao pensar que podia ter transado com um homem casado, enquanto seu corpo doa pela perda da virgindade.
   Ela saiu da cama, precisando se afastar do local em que se arruinou.
   Certamente, o prncipe a demitiria quando soubesse que havia dormido com um dos seus amigos. Ela teria de deixar as crianas. Ela sentiu ainda mais angstia. 
No queria deix-los. Eles precisavam dela e ela, deles. No podia acreditar no que tinha acabado de fazer.
   Colocou o emprego em risco por uma oportunidade que valeu apenas dor.
   Ela perambulou pela sute e foi at o banheiro, onde ficou imersa na banheira at a gua esfriar e ela entender o que havia acontecido.
   No podia acreditar que, na noite em que decidira dormir na cama do patro, ele havia convidado um amigo para abusar dela. E ainda menos compreensvel era o fato 
de o homem ser o nico no mundo que ela deixaria toc-la intimamente.
   Ela se lembrou que ele perguntara em seus sonhos se ela estava protegida, ao que respondeu que sempre, com ele. Somente ele. Porque, naquele momento, acreditou 
que ele fosse seu amante da fantasia, um homem que a visitava somente em sonhos. Um homem com quem se sentia segura.
   Como Tom Prince era amigo do prncipe? Seu patro, que era apenas... espere um momento.
   Ela sentiu um frio na espinha. E se Tom Prince no fosse amigo de Tomasso Scorsolini, mas o homem em pessoa?
   Isso seria loucura. O prncipe Tomasso... Tom Prince. Que outro homem ousaria dormir na cama do prncipe, alm dele prprio?
   Certamente Tom... Prncipe Tomasso... sabia quem era ela quando a cunhada a contratou. Ou Tomasso teve o cuidado de ao menos perguntar seu sobrenome? Sim, teve. 
Ela j sabia que ele devia ser um pai decente, o que queria dizer que ele sabia que a havia contratado.
   Sabia?
   Poderia haver mais de uma Maggie Thomson no mundo. Ela no era to marcante assim.
   Outro pensamento invadiu sua mente, eliminando todos os demais. A me de Gianni e Anna morrera dois anos atrs. Ela sentiu tanto alvio que lgrimas brotaram 
dos seus olhos. Tom no era casado. No havia mentido.
   Mas por que fizera amor com ela?
   Primeiramente, ela estava sonhando... ou pensou que estivesse, mas ele estava bem acordado desde o incio. Ou pelo menos era o que ela pensava. Ser que ele havia 
ido dormir e depois acordara pensando que Liana ou uma namorada estivesse a seu lado? Ento, fez o que homens como ele fazem com suas mulheres no meio da noite... 
fez amor com ela. Tudo era como um cenrio, uma pintura.
   Ele a chamou pelo nome, mas teria sido sonho ou realidade?
   Em algum momento, ele deve ter percebido que no era outra mulher. Nesse caso, por que continuou?
   Mas talvez tivesse pensado o tempo todo que era um sonho. No, no fazia sentido. Nada fazia sentido.
   Tudo o que sabia era que ele no a queria como Tom Prince, e que no teria a menor chance com um prncipe real. O que quer que o tivesse levado a transar com 
ela, ele no levaria a srio. No com ela.
   Ela no conseguia pensar direito. Tinha de acalmar os pensamentos e o corao, e o banho, j frio, no estava ajudando. Embora a dor entre as coxas tivesse melhorado.
   Ela saiu da banheira e se secou, olhando para a porta que levava ao quarto com o mesmo temor que teria se fosse entrar em uma arena cheia de lees famintos. Ela 
abriu a porta lentamente, esperando que ele ainda estivesse dormindo para que pudesse sair. O quarto ainda estava escuro, o que era um bom sinal, e tudo o que conseguia 
ouvir era o som da respirao dele. Bom.
   Ela entrou no quarto na ponta dos ps enrolada na toalha e foi em busca do pijama. Felizmente, ela o encontrou ao lado da cama. Poderia correr at o seu quarto, 
mas lembrou-se das cmeras de segurana do corredor, e no queria ser flagrada enrolada numa toalha.
   Ela voltou para o banheiro, vestiu-se s pressas e saiu. Ela virou e teve de parar bruscamente para dar um beijo em Gianni.
   Ele esfregou os olhos, sonolento.
   - Por que voc estava dormindo no quarto do papai?
   Ela sentiu o estmago revirar.
   - Voc e Anna pegaram meu lugar na cama.
   Ela o levou ao quarto dele, pensando em como se livraria de Tomasso naquela manh.
   Se ele tivesse pensado que estava sonhando, poderia achar que ela fosse Liana... talvez sequer percebesse que ela estivera em sua cama na noite anterior. Seria 
um risco, mas parecia vivel colocar a idia em prtica para um crebro cansado e chocado com a idia de ela ter virado mulher.
   
   Tomasso acordou com uma estranha sensao de bem-estar e expectativa.
   Instintivamente, ele procurou o calor de uma pessoa, mas lembrou-se que no tinha mais mulher ou amante dormindo com ele. Estranho ter se esquecido, pois j havia 
se passado dois anos. Ento, ele comeou a se lembrar da noite anterior e suas aes fizeram sentido.
   Maggie estava na casa dele... na cama dele. Ele fizera amor com ela na noite anterior. Ele abriu os olhos, impressionado, mas a cama estava vazia.
   Ser que estava sendo discreta por causa das crianas ou nunca estivera ali? Tudo o que aconteceu na noite anterior parecia meio irreal mesmo. At mesmo o vo 
dele para casa, mas isso no fora um sonho, assim como o fato de ter vindo para casa e encontrado Maggie em sua cama.
   Mas o que ela fazia ali? E no que diabos ele estava pensando quando resolveu beij-la e seduzi-la?
   Ele no podia acreditar ter feito amor com ela na primeira vez em que a viu, depois de seis anos... ou que ela tinha deixado isso acontecer. A Maggie que ele 
conheceu jamais se sujeitaria s investidas de um homem daquele jeito. E foi apenas porque ele estava muito cansado e grogue que fizera tais investidas. No estava 
pensando direito.
   O plano era testar como ela se ajustaria  vida dele para descobrir se era a mulher de que ele se lembrava e depois descobrir se ainda havia paixo entre ambos. 
Pelo menos essa resposta ele j tinha. A qumica entre os dois no era problema, ela o excitava mais do que qualquer mulher com quem j tivesse transado, mas no 
se sentia bem com isso.
   Como poderia, quando as evidncias apontavam para uma promiscuidade que ele nunca suspeitara encontrar nela? Droga, ser que os relatrios da investigao estavam 
errados? Que tipo de mulher deitaria na cama e convidaria um homem que no via h seis anos para cair em seus braos? Uma mulher promscua, insistia o lado lgico 
do seu crebro. Ela se deitou na cama dele h seis anos tambm... na poca, ela disse que era virgem, mas e se fosse mentira?
   Liana mentiu para ele, usou sua sexualidade para faz-lo acreditar que suas emoes eram mais verdadeiras do que sua tendncia mercenria. No suportaria cometer 
o mesmo erro novamente.
   Mas talvez Maggie no fosse to promscua ou oportunista quanto fora Liana. Ser que ela sabia quem ele era e quis tirar proveito da situao? A menos que os 
relatrios sobre ela estivessem errados, essa era a circunstncia mais provvel. De acordo com eles, ela no saa para namorar e, no ltimo ano, no teve vida sexual 
ativa, a no ser que tivesse escondido esse detalhe muito bem.
   O que no explicava como ela havia descoberto a identidade dele antes de seu retorno. Ele havia se assegurado que todos os porta-retratos com suas fotos fossem 
guardados, mas ela podia ter revirado fotos da famlia com as crianas. Ser que esperara na cama dele de propsito, a fim de tirar proveito?
   No. Aquela teoria era ilgica, pois ela no o esperava naquela noite. Ningum esperava.
   Mas, independentemente de suas razes para dormir na cama dele, ela no estava mais ali. E ele queria saber por qu. Tambm queria saber por que havia permitido 
que ele fizesse amor com ela. Ela no protestou nenhuma vez sequer. Foi totalmente incondizente com a personalidade dela, ou pelo menos teria sido h seis anos. 
Ele tinha mudado muito nesse perodo, talvez ela tambm.
   E no para melhor.
   O crebro dele girava diante das possibilidades, mas parou quando puxou as cobertas para sair da cama.
   Havia um sangue seco que no era seu no seu corpo e no lenol. No muito, mas um pouco. Ser que ela havia ficado menstruada? Por isso saiu?
   
   - Papai!
   O grito da pequena menina sacolejou Maggie de um sono profundo e ela endireitou-se na cama, abrindo bem os olhos para ver sua companheira de sono nos braos de 
um homem alto e lindo que estava ao lado da cama.
   - Ol, stellina, sentiu saudades?
   Anna passou seus pequenos braos ao redor do pescoo dele e o apertou.
   - Sim!
   - Eu tambm, piccola mia.
   - Ele sentiu saudades de mim tambm - anunciou Gianni, importante.
   - Certamente. - Tomasso se inclinou e pegou o menino no colo, de maneira que ficou segurando os dois filhos. Sua expresso trazia uma forte ternura que fez o 
corao de Maggie apertar no peito.
   E, ento, o olhar dele cruzou com o dela e ficou inexpressivo. O corao dela comeou a acelerar diante das lembranas da noite anterior antes que tivesse tempo 
de demonstrar suas defesas. E elas doam. Ela ainda no tinha idia da razo de ele ter feito amor com ela, mas tinha certeza de uma coisa... Ele tinha muito menos 
possibilidades do que Tom Prince.
   Nunca poderia ser dela.
   - Ol, Maggie.
   - Bom dia... - Oh, Deus, como deveria cham-lo? Ele no era Tom Prince. - Sua Alteza.
   - Pode ser Tomasso - ele falou ironicamente.
   - Papai, a Maggie no  adorvel? - perguntou Anna.
   - Ela  perfeita, papai... a melhor bab de todas. - Gianni sorriu para Maggie com adorao.
   Ela retribuiu o sorriso, embora s quisesse voltar para debaixo dos lenis e esconder-se. Fizera amor com aquele homem na noite anterior e mal podia respirar 
diante de tais lembranas.
   -  fcil ser uma boa bab quando as crianas so to maravilhosas.
   - Eles so maravilhosos - declarou Tomasso. Os dois ficaram contentes com o elogio do pai e Maggie sentiu algo estranho no corao. Um anseio que nunca havia 
sentido ao cuidar de outras crianas. Com Gianni e Anna, era diferente. Ela se sentia possessiva e protetora. No era profissionalismo, e ela detestava a forma com 
que se sentia vulnervel,
   - Certamente quer passar muito tempo s com os dois - ela falou.
   - Pensei que todos pudssemos tomar caf e passear um pouco na praia.
   Aquele plano foi totalmente aprovado pelas crianas, enquanto o corao de Maggie pulava em seu peito. Ele queria que passassem o dia juntos? Todos? Depois da 
noite passada? Ele no a demitiria? Ser que no se lembrava?
   Ela sentiu uma ponta de esperana. Talvez no fosse to horrvel assim.
   - Papai, jura? - perguntou Anna com prazer.
   - Sim. No vou ao escritrio por alguns dias. 
   Gianni gritou de contentamento, feliz com a possibilidade de passar algum tempo com o pai.
   Maggie acreditava que a relao das crianas com o pai fosse boa, mas, ao observar as evidncias, sentiu uma grande felicidade por ter visto o homem que Tom Prince 
se tornou.
   Os dois pularam do colo do pai para correr para os seus quartos e se aprontar.
   Tomasso, entretanto, no saiu.
   Tomasso rangeu os dentes para conter o desejo que no deveria sentir. Era ainda mais forte do que o arrependimento que sentia em sua mente, capaz de eliminar 
todo o resto. Foi um longo caminho desde a sensao de completude daquela manh. Agora, sentia-se constrangido por sua fraqueza.
   No era tolo, mas parecia destinado a errar quando o assunto era mulher. E detestava isso.
   Maggie Thomson brincou com ele assim como Liana, pois, independentemente dos planos que tinha antes, ele agora se via obrigado a seguir com o casamento. Ela podia 
muito bem estar grvida, embora o fato de ter acabado de ficar menstruada desse a ele uma chance maior de escapar da chantagem emocional que ela poderia armar.
   - Se quiser minha ajuda com as crianas na praia, terei de me vestir - ela falou, quando o silncio ficou insuportvel.
   - Perfeitamente. - Ele estendeu a mo para pux-la da cama, mas ela se esquivou.
   - Estou usando pijama. - E ela se cobriu at o queixo.
   Ele levantou as sobrancelhas ironicamente, enquanto a irritao brigava com o desejo que um nico ato sexual no havia satisfeito. No depois de uma seca de dois 
anos.
   - Voc no ficou to envergonhada ontem  noite - ele falou com certo deboche.
   - Noite passada? - ela perguntou, tentando parecer confusa.
   A raiva e o deboche dele atingiram outro patamar. Ela mentia quase to bem quanto Liana, mas ele no entendia por que agora fingia ignorncia.
   - Na minha cama.
   - No sei do que voc est falando. Deve ter sonhado. - Maggie nunca mentiu e reconhecia que no fazia isso muito bem.
   - Eu no estava sonhando.
   Ela estremeceu. Ele parecia muito irritado tambm.
   - Tem certeza?
   - Sim - ele respondeu. - Fizemos amor ontem  noite.
   Ela se encolheu diante da frieza das palavras dele, da certeza que elas traziam. O corao dela se concentrou em outra certeza... ele havia ficado acordado, portanto 
no havia desculpas para o que fizera. Ele a seduziu enquanto ela dormia, vulnervel. No podia acreditar nisso, mas no tinha alternativa.
   - Eu...
   - No tente esconder seu comportamento fingindo que nada aconteceu. No sou to idiota.
   - Meu comportamento?
   - Talvez esteja preocupada com o fato de eu vir a demiti-la por causa da espalhafatosa promiscuidade que demonstrou ontem, mas meus filhos esto muito ligados 
a voc para que eu tome essa medida drstica antes de avaliar toda a situao.
   - Avaliar como? - ela perguntou, surpresa com a amargura dele, embora no conseguisse evitar o alvio de saber que no seria demitida.
   - Preciso entender o que a levou quele comportamento e se influenciar ou no meus filhos no futuro. No quero que minha filha aprenda modos to... livres.
   - Voc pensa que sou uma promscua?
   - Por favor, fale baixo. No quero que as crianas e os outros criados ouam essa conversa.
   Outros criados? Ento, ela no passava de uma criada com quem ele havia transado. Que conveniente! O cara a via como totalmente desimportante na sua vida. No 
apenas isso, mas ela nunca passou de uma criada. Uma vez foi governanta dele, agora era bab.
   Perceber isso doeu, embora no devesse. Ele no havia fingido sobre a noite anterior, pois era apenas um prncipe esnobe.
   - No sou promscua!
   - Talvez no veja suas aes assim. Mas veio para os meus braos, depois de seis anos, sem protestar.
   - Se quer seguir esse caminho, voc  o que ento? Um prncipe promscuo?
   - No estamos falando sobre o meu comportamento. Estamos discutindo o seu e o possvel efeito nocivo sobre meus filhos.
   - No haver efeito nocivo algum! - Ele tinha que acreditar nela. No podia deixar Gianni e Anna. J tinha perdido bastante em sua vida.
   Em parte, ela se rebelava por ter de dar explicaes, mas o medo de ter de deixar as crianas que aprendeu a amar to rapidamente a corroeu.
   - Pensei que estivesse sonhando, ou isso jamais teria acontecido.
   - Estou desapontado com voc, Maggie. Voc no mentia. Estava indubitavelmente acordada ontem  noite. Eu estava l.
   - Estava sonolenta, mal havia acordado - ela declarou. - Eu pensei que estivesse dormindo. Primeiro, eu estava dormindo e, quando acordei completamente, voc 
havia feito coisas em mim que baixaram minha guarda. Voc me seduziu! E eu no era a nica naquela cama transando com uma pessoa que no via h seis anos, mas eu 
no comecei nada, comecei? No era eu que seduzia - ela falou de forma sarcstica. - Como ousa me chamar de promscua depois de ter tirado proveito de mim? Foi to 
baixo que no tenho palavras para descrever.
   - Eu no tirei proveito.
   - O que voc considera invadir a cama de uma mulher e seduzi-la antes de ela sequer acordar? Eu considero isso vil, mas talvez exista outra palavra para isso.
   - Voc estava acordada - ele falou, demonstrando raiva.
   - No estava! No inicialmente.
   - Voc falou comigo quando falei com voc. Voc sabia quem eu era. Voc me beijou!
   - Pensei que fosse Tom Prince... o homem de um sonho.
   - Eu sou Tom Prince.
   - No, no . Voc  o prncipe Tomasso Scorsolini e, se eu tivesse conscincia do que estava fazendo, jamais deixaria me tocar intimamente.
   - Isso  mentira. Voc me deixou toc-la. Voc pediu... implorou para que eu a possusse.
   As lembranas de sua demonstrao libertina no atenuaram a raiva dela, nem o fato de pensar o quanto doeu ter o seu desejo atendido e o quanto se sentiu vazia 
depois.
   - Acredite no que quiser. No me importa. Voc ouviu? No acredito que tenha deixado que me tocasse, nem mesmo em meus sonhos. - Estava descontrolada e sentia 
lgrimas queimarem seus olhos, mas no as deixaria cair. J havia chorado duas vezes por esse homem... uma vez, h seis anos, e outra, na noite anterior. Jamais 
de novo. - Somente um verdadeiro predador sexual tiraria proveito de uma mulher adormecida.
   - No sou predador. - O ultraje praticamente vibrava dele agora.
   - Chame como quiser. No estou interessada.
   - Est sendo totalmente irracional, o que talvez seja compreensvel por causa de sua condio, mas no vou tolerar esses insultos, Maggie.
   - Acha que me importo?
   - Sou seu patro. Acho melhor se importar.
   - O que vai fazer, me demitir? No pode. Eu me demito. - No podia acreditar que havia falado tais palavras.
   Ela respirou fundo para curar a dor que elas haviam causado, mas sabia que no poderia continuar a trabalhar para ele...
   - Voc tentou se demitir uma vez e no funcionou.
   - Dessa vez, funcionar.
   - No funcionar, a menos que queira ser processada por quebra de contrato.
   
   
   CAPTULO V
   
   A ameaa levou a raiva de Maggie a outros nveis.
   Ela se levantou correndo da cama e partiu na direo dele para soc-lo no peito.
   - Ento me processe ou me mande para a priso, no me importo. No poderia morar aqui com voc nem por dois dias, imagine por dois anos!
   - Voc est sendo totalmente irracional. No me lembro de t-la visto assim antes.
   - Antes de qu? Antes de ter se tornado esse mau-carter?
   Ele se encolheu, como se ela o tivesse atingido.
   - Eu entendo que TPM  uma desculpa aceitvel para irritao indesejada, ms voc est indo longe demais. No me xingue novamente.
   - Voc acha que estou irritada porque estou com TPM? - ela perguntou.
   -  a explicao mais lgica.
   - Para a sua informao, no estou menstruada e no ficarei em duas semanas.
   Ele ficou em dvida.
   - No?
   - No! E no acredito que esteja me perguntando algo to pessoal.
   - O que fizemos ontem  noite foi bastante pessoal.
   - Duvido, no para um homem como voc. - E saber o quanto tudo havia sido impessoal para ele para que reagisse daquela forma foi como passar uma lmina na parte 
mais macia do corao dela.
   Os olhos azuis dele brilhavam perigosamente e ela observou quando ele perdeu a pacincia.
   Ele segurou os ombros dela e perguntou com uma voz que a fez estremecer:
   - O que isso significa?
   - O que acha que significa? - ela perguntou, dolorosamente.
   - Me diga, Maggie. Estou muito interessado em sua interpretao.
   Algo na voz calma dele fez com que ela engolisse sua primeira rplica, algo realmente horrvel, e falasse:
   - Eu diria o que  bvio. Eu no sou algum que tem experincia.
   - Se isso for verdade, fico contente. No tenho o hbito de fazer sexo sem proteo como fizemos ontem  noite.
   - O que quer dizer com isso? - ela perguntou, totalmente exasperada e sentindo outra punhalada no corao. Se ela tivesse imaginado milhares de situaes para 
a manh seguinte, nenhuma delas teria sido to horrvel. - No tenho o costume de mentir.
   - Voc mentiu quando disse que no se lembrava de ontem  noite.
   Ele a pegou a, mas ela no recuou. Mentiu para evitar um confronto constrangedor que ele obviamente planejava ter. No mentiu para manipular nem enganar ningum.
   - S espero conseguir esquecer.
   - Espera? Imagino. Voc mentiu quando falou que no est menstruada.
   - No menti! Certo, menti quando disse que no sabia do que voc estava falando. Esperava que voc no lembrasse. Como eu disse, eu queria esquecer. Mas seria 
uma idiotice achar que eu fingi sobre estar menstruada. Por que faria isso?
   Talvez eles no tivessem sido to bons amigos quanto ela havia pensado h seis anos, pois ele nunca contou que era um prncipe. Mas ele devia conhec-la muito 
bem, depois de terem morado juntos por quase dois amos. Ela nunca se escondeu dele.
   - No sei por que mentiria, mas sei que est fazendo isso. Havia sangue. Voc deve ter ficado menstruada.
   Sangue? Havia sangue?
   - Eu no fiquei menstruada.
   - E que sangue era aquele?
   Ela se recusou a responder, fitando-o em silncio. Algo na expresso dela o tocou, pois ele ficou plido.
   - Eu a machuquei?
   - Sim, na realidade, machucou - ela soltou, sentindo-se inocentada, mas nada comparado  dor emocional que sentia por dentro.
   Ele ficou positivamente lvido, e o corao dela se recusou a permitir que continuasse a tormenta, independentemente do quanto ele merecesse.
   - No foi sua culpa... pelo menos, no por ter sido grosseiro comigo. Aparentemente, um pouco de dor e sangue so inevitveis.
   A aparncia dele no melhorava.
   - Por que inevitvel?
   - A primeira vez di, ou pelo menos foi o que ouvi - ela falou, olhando para longe.
   Ele fez um som to estranho que ela olhou de volta.
   - Voc era virgem? - Ele parecia muito horrorizado diante dessa possibilidade.
   - Sim. No que faa diferena. No  uma experincia que eu pretenda repetir to cedo.
   Ele a fitou totalmente chocado.
   - No. No  possvel. Tem 26 anos.
   - No sei o que minha idade tem a ver com isso. A virgindade feminina no tem data de validade. Eu no sou promscua - ela repetia para reforar.
   Ele sentou-se na beirada da cama dela, como se no agentasse o peso do corpo.
   De repente, ela percebeu que usava pijama e nada mais. Ele no era provocante, mas o algodo fino tambm no ocultava seu corpo. Os bicos dos seus seios estavam 
eretos... devia estar com frio. No podia estar assim por causa da presena dele, mas no importava. No queria que ele percebesse isso.
   Ela caminhou ao redor da cama e voltou para debaixo das cobertas. Queria algumas respostas, de preferncia antes de as crianas retornarem.
   Ele franziu a testa.
   - Se voc era virgem, por que me pediu para beij-la... e fazer outras coisas?
   - Eu disse a voc, pensei que estivesse sonhando.
   - Com Tom Prince. - Ele recobrou parte da cor, assim como da arrogncia.
   - Se quer saber, sim.
   - Mas estava acordada.
   Ela deu de ombros. J haviam falado sobre isso.
   - Est dizendo que tirei proveito de voc da forma mais bsica.
   - Bem, se a carapua servir... 
   A expresso dele era dura e tensa.
   - No sou um predador sexual. Pensei que estivesse acordada. Caso contrrio, no teria tocado em voc. Precisa saber disso.
   Ela deu de ombros, mas, no fundo do corao, suspeitava que isso fosse verdade. To real quanto os seus sonhos, ela podia muito bem ter respondido de uma forma 
que no o decepcionaria quanto ao seu nvel de conscientizao antes de acordar.
   - Voc me queria... seu corpo era receptivo - ele falou, confirmando os pensamentos dela.
   - No o bastante - ela murmurou, lembrando a dor da penetrao.
   - No sabia de sua inocncia. Eu a tomei muito rapidamente.
   - Voc no devia nem me ter tomado.
   Ele a contemplou em silncio por vrios segundos.
   - Para ficar to receptiva, voc sonhava comigo com freqncia, ento.
   Se ele soubesse...
   - Isso no  da sua conta.
   Ele sorriu e, por um momento, pareceu o homem de que ela se lembrava, o homem que amava, e seu corao doeu.
   - Voc nunca me esqueceu.
   - Grande coisa! Foram apenas seis anos, e no sessenta.
   - Mas acho que  mais do que apenas recordao... voc no queria o fim da nossa amizade.
   - E por que a terminei?
   Ele apertou os olhos e sorriu novamente, dessa vez com a expresso muito presunosa para o gosto dela.
   - Por causa da Liana.
   - Acho muita presuno sua pensar assim.
   Ele a observou em silncio por vrios segundos, totalmente inexpressivo, e um homem que ela no conhecia, o prncipe, assumiu aquela fisionomia.
   - Ou talvez toda essa conversa de sonho tenha sido uma desculpa para voc trocar sua virgindade por uma coroa? Voc pensou nessa troca ao saber que eu me sentiria 
culpado quando ouvisse essa histria. Foi uma tima estratgia, e at poderia funcionar.
   Ela engasgou, to chocada com o nvel de cinismo dele que esqueceu de demonstrar raiva.
   - Realmente acredita nisso?
   Ele a observou novamente, como se aquela proximidade no fosse mais aceitvel.
   -  uma possibilidade.
   - Meu Deus, tecnicamente, o fim da fome no mundo tambm , mas estamos discutindo o campo da probabilidade aqui.
   - Em toda a histria da humanidade, as mulheres trocaram sua inocncia pela chance de usarem uma coroa.
   - Certamente no no ltimo sculo.
   - Voc se surpreenderia com isso.
   Talvez. Aquele era um mundo que conhecia muito pouco.
   - Sendo assim, suponho que eu teria que me casar com voc para isso.
   - Sim.
   - Ento, voc no tem com o que se preocupar, tem? No posso for-lo a subir no altar.
   - No?
   - Claro que no!
   - Se estiver grvida... - ele baixou o tom de voz, deixando claro o que queria dizer.
   Maggie sufocou o que pretendia dizer, pois a possibilidade de estar grvida abafou todo o resto. Um beb? De Tom Prince? No, do prncipe Tomasso, mas enfim... 
um beb. Uma famlia. Sua prpria famlia, que ningum tiraria dela.
   Ela passou a mo na barriga e a pressionou, sentindo o corao bater fortemente.
   No podia estar grvida. No depois de uma vez apenas, mas, s de pensar nas palavras, seu conhecimento sobre o sistema reprodutivo zombava dela. Uma vez naquele 
momento preciso do ms era mais provvel do que se fizessem amor repetidamente alguns dias depois. Ela podia sentir o horror do medo estampado em seu rosto.
   - Vejo que voc ainda no havia pensado nisso. - Mas um estranho olhar de especulao no rosto dele demonstrou que ele achava que ela tinha pensado e fingia surpresa.
   Ela no sabia de onde vinha esse pensamento, mas no podia apagar a impresso de que ele pensava que ela havia feito tudo propositalmente.
   Ela sacudiu a cabea, sentindo-se tonta com o movimento.
   - Por que voc parece to consternada? Esse  um grande poder de barganha.
   - Bebs no so poder de barganha - ela sussurrou, incapaz de acreditar que estava tendo aquela conversa e o que a levara a isso.
   Havia transado com um prncipe na noite anterior e ele pensou que tivesse sido totalmente consensual... se fosse honesta consigo mesma, ela admitiria que sim. 
Podia pensar que estava dormindo inicialmente, mas, mesmo depois de perceber que no estava, seu desejo por aquele homem fora forte demais para ser negado.
   Provavelmente deveria pedir desculpas pelo comentrio sobre o predador.
   - Para algumas mulheres, eles so.
   Ela levou algum tempo para se lembrar do que estavam falando... ah, sim, bebs como poder de barganha. Ele soava como se tivesse experincia prpria nesse campo.
   - No sou uma delas.
   Muito preocupada com as conseqncias da noite anterior para imaginar o que havia provocado a mudana de tom na voz dele, ela se levantou.
   Ela levou as cobertas juntos, sem se importar se ele julgava esse ato ridculo depois do que haviam vivido juntos.
   - Por favor, saia do quarto, quero me vestir. 
   - Temos mais coisas para discutir.
   - Tem razo, eu ainda tenho muitas perguntas. - Como por que voltara a trabalhar para Tom Prince. Mas agora, no. No conseguiria.
   Ele apertou os olhos.
   - Muito bem. Carlotta vai servir o caf em quinze minutos.
   - No me espere, estou sem fome.
   - Se estiver grvida, no ser bom para o beb deixar de comer.
   - Por favor, no toque nesse assunto. No... agora. - Ela precisava de tempo para lidar com essa possibilidade.
   - Tenho que reconhecer que voc est representando bem o papel de chocada e aflita.
   Ela olhou para ele.
   - Est me acusando de ter engravidado de propsito? - ela perguntou, recusando-se a ser acusada disso.
   - No, acusando voc, no.
   Mas ele no confiava nela. Ela tinha certeza e sentiu uma enorme dor. Como se no fosse suficiente saber que no era o tipo de mulher com quem ele se casaria, 
ela preferia ser uma freira ou uma aliengena a ter de ouvi-lo duvidar de sua integridade, pois isso doa muito.
   Sem outra palavra, ela virou, dirigindo-se ao banheiro com o corao na mo e a mente confusa.
   - Maggie!
   - Sai daqui, Tomasso, por favor.
   - Vou pedir a Carlotta para segurar o caf at voc chegar.
   Ela virou.
   - Por favor, no.
   Mas ele j havia sado do quarto e no a ouviu.
   
   Maggie queria ter passado o dia todo trancada no quarto, mas uma coisa no mudou em Tomasso, nos seis anos que passaram: sua teimosia. Tudo tinha de ser do jeito 
dele e, considerando o fato de ter sido criado como prncipe, ela entendia por que estava to acostumado a isso.
   E pensar que ela morou dois anos com um prncipe sem sequer saber disso.
   Tomasso a olhou de forma penetrante quando ela entrou na sala de jantar, e a pele dela foi aquecida por sensaes que ela preferia esquecer.
   Ele sorriu para ela quando se sentou, sem demonstrar que havia acabado de jogar uma bomba na vida dela.
   - Voc est linda!
   - Obrigada.
   Ela prendeu os longos cabelos e vestiu uma cala jeans com uma camiseta amarela combinando com os chinelos, para a praia. Ela no se vestia como uma das companhias 
dele, estava longe de usar alta-costura, mas tambm no vestia nenhum saco de estopa.
   - Mas acho que vai sentir calor na praia usando cala.
   - Vou ficar bem. Estou acostumada com o calor. Meu ltimo emprego foi no Texas. - Alm disso, sentia-se mais protegida.
   A idia de desfilar na frente dele de short - ou pior, de biquni - depois do que havia acontecido fez com que ela estremecesse.
   -  bem longe de onde estudamos. Como foi parar l?
   - Um emprego. Todas essas informaes esto no meu questionrio de solicitao para ocupar este cargo.
   - Mas talvez eu prefira ouvir de voc.
   - Tambm h bastante coisa que eu gostaria de ouvir de voc.
   O olhar dele dizia que podia adivinhar do que se tratava.
   - Talvez possamos esperar at mais tarde - ele pediu, olhando para as crianas.
   - Sim.
   - Agora me fale como foi parar no Texas.
   - Meu primeiro emprego depois da faculdade foi com uma famlia de Seattle. Eles me recomendaram para essa outra famlia do Texas.
   - Por que saiu do primeiro emprego?
   - O filho mais novo foi para o ensino mdio e eles no precisaram mais de mim.
   - Parece que no se sente  vontade com isso.
   - Acho que afastar a nica referncia adulta que eles tinham na vida foi um erro.
   - Voc disse isso aos pais?
   - No. Eu estava com a famlia h apenas dois anos, no era meu lugar, nem uma deciso que eu teria tomado.
   - Voc seria o tipo de me que faria questo de ficar disponvel depois da escola para os filhos, independentemente da idade, certo?
   Considerando a conversa que tiveram mais cedo, aquela pergunta no era to despretensiosa. No entanto, ele devia saber, desde o incio, que ela no desejava ser 
uma me solteira.
   - Sim, mas esperaria que meu marido tambm se comprometesse com o bem-estar emocional deles.
   - Nem sempre isso  possvel.
   - Tem de ser.
   - Os compromissos de um homem...
   - Devem comear e terminar na famlia. Todo o resto  secundrio.
   - Esta  uma viso simplista da vida.
   - Talvez - ela concordou. - Mas  o que sinto.
   - Voc tem opinies muito fortes sobre famlia para uma moa que foi criada no sistema de adoo.
   - No  necessrio que algum seja criado por dois adorveis pais para saber que isso  o melhor para as crianas.
   - Talvez no.
   - Cresci sabendo que o meu lugar na famlia dependia do que eu fizesse por ela. No fui amada. Se eu tiver filhos, eles vo conhecer outro tipo de vida. Sempre 
sabero que vm em primeiro lugar, que so amados e que no espero que retribuam a minha afeio com trabalho ou comportamento exemplar. No me casarei com um homem 
que no d a eles o mesmo tipo de segurana emocional.
   Pronto. Ele podia vestir a carapua. Seu conceito de famlia era totalmente diferente do dela.
   - O que  um lar adotivo? - perguntou Anna.
   -  quando voc mora com algum diferente dos seus pais.
   - Como moramos com voc? 
   Maggie riu.
   - No, querida. Voc mora com seu pai. Sou sua bab. Trabalho para ele. No sou sua me adotiva.
   - Mas quero que seja minha me. Voc seria a melhor. - Ela virou-se para o pai. - A Maggie pode ser minha me adotiva, pai?
   - No, boba. Maggie no pode ser nossa me, a menos que se case com papai - falou Gianni. - E ele  um prncipe, no pode se casar com criados.
   As palavras arrogantes vindas de uma criana fizeram Maggie estremecer, mas Tomasso simplesmente riu.
   - Est errado, filho. Estamos no sculo XXI. Um homem, mesmo um prncipe, pode se casar com quem quiser. Sua me no era princesa e eu me casei com ela.
   Gianni olhou para o pai com os mesmos olhos azuis.
   - Mas era linda como uma princesa.
   Maggie sofria. Grvida ou no, nunca seria de Tomasso, e ele jamais seria dela. Porque Gianni estava certo. Era no era linda o bastante para ser uma mulher na 
vida de Tomasso. Era comum demais para um homem com seu status e personalidade extraordinrios.
   - Maggie tambm  linda - Anna a defendeu. - Voc no quer Maggie como sua me?
   A expresso de Gianni era impassiva, assim como a de seu pai, e Maggie respirou fundo enquanto seu corao apertava.
   - Maggie ficar apenas por dois anos. Ela falou para a tia Theresa. Eu ouvi. Uma me tem que ficar a vida toda, a no ser que morra, como a nossa. Alm disso, 
as babs so melhores que as mes. Podemos ver Maggie todos os dias. No precisamos de me.
   Maggie sentiu-se culpada ao compreender por que s vezes Gianni ficava distante.
   Era uma pequena criana que j havia enfrentado o choque da perda da me. Ele sabia que Maggie no pretendia ficar para sempre, portanto estava protegendo suas 
emoes. Ela jamais devia ter aceitado aquele emprego, mas, olhando para trs, no sabia como se esquivar das crianas, depois de t-las conhecido.
   Ela tambm achava muito triste que Gianni preferisse ter uma bab a ter uma me.
   - No me importo com o que diz. Quero Maggie como minha me! - A voz de Anna trazia a convico de uma menina de 3 anos prestes a chorar.
   - Talvez seu desejo seja realizado, stellina - Tomasso falou gentilmente, virando para afagar os cabelos de Gianni. - E talvez voc aprenda a gostar da idia 
de ter Maggie como me, meu teimoso filhote.
   Os lbios de Gianni estremeceram.
   - Mas e se ela for embora?
   - Se ela se casar comigo, no a deixarei partir.
   As crianas olharam para o pai com o tipo de esperana que fez com que o corao de Maggie se enchesse de raiva. Ele no percebia o quanto eles ficariam magoados 
quando as esperanas fossem frustradas?
   Independentemente do que tivesse dito pela manh, no podia estar seriamente considerando um casamento com ela. No era seu tipo e nunca seria. E saber disso 
doa demais. Mais que a desconfiana dele, mais que sua postura ridiculamente machista da noite anterior.
   Ela no se adequava quele mundo. Era muito comum, e isso no era algo que uma fada madrinha pudesse mudar com sua vara de condo.
   Eles foram para a praia e brincaram com as crianas. Tomasso surfou com eles enquanto Maggie arrumou uma canga na grande faixa de areia que a famlia tinha na 
praia particular. Ela se deitou e observou os trs brincando nas ondas, enquanto seus pensamentos giravam diante da possibilidade de estar grvida de Tomasso.
   Mesmo se estivesse, ele no falava srio sobre casamento. Falava? Mas ele era um prncipe... talvez achasse que o fato de seus filhos nascerem de me solteira 
pesasse mais que para pessoas comuns. Ento, por que no usou proteo? Mesmo se achasse que ela tinha experincia, no havia razo para supor que ela tomava plula...
   Longe de responder a alguma dessas questes, a discusso daquela manh s aumentara a confuso de sua cabea.
   Mas passar por cima dela seria um pensamento insidioso que no a deixaria. Se casasse com ele, seria me dos outros dois filhos dele, e no precisaria jamais 
se despedir deles. Teria a famlia que sempre desejou.
   Os trs ficaram cansados de brincar na gua e uniram-se a Maggie na areia, onde construram um lindo castelo e Maggie pde observar o quanto Tomasso era carinhoso 
com os filhos. Para um macho que era capaz de acus-la de usar sua virgindade para tentar prend-lo a um casamento, ele tinha um lado surpreendentemente terno.
   Ele tambm flertou deliberadamente com ela, como se realmente gostasse de sua companhia. Diante das acusaes dele, no fazia sentido, e ela tomou cuidado para 
no se deixar levar. Mas isso foi se tornando cada vez mais difcil  medida que o dia passava e ela via os olhares do homem que amava h seis anos.
   Ele insistiu para que colocassem as crianas para dormir juntos, e ela foi invadida por uma sensao de estar em famlia. Mas no era mulher dele. Era a bab... 
a servial. Mas quando  que ela fora outra coisa?
   Depois, ele a interrompeu no corredor antes que ela pudesse ir para o quarto. 
   - Venha caminhar comigo.
   Ela tinha perguntas a fazer, e as crianas no estavam mais por perto para ouvir as respostas.
   - Certo.
   Ele a conduziu pela sada sul da casa e eles foram pelo caminho que levava  praia.
   A noite estava linda, iluminada pela lua cheia. A brisa da ilha soprava os cabelos dela e os soltava sobre seu rosto, embora estivessem presos.
   - Sua casa  linda.
   - Era a casa de frias dos meus pais.
   - Uma casa de frias? - Embora no fosse do mesmo nvel que o palcio cheio de mrmore italiano e trabalhos de arte que rivalizava com o Vaticano da Ilha Scorsolini, 
a casa de oito quartos de Tomasso no era o que ela consideraria uma casa de frias.
   - Eles fugiam das presses sociais e governamentais aqui. Pelo menos foi o que meu pai me contou.
   - Sua me morreu h muitos anos, no ?
   - Houve complicaes com o meu parto. - E ela podia sentir que isso o magoava pelo tom de sua voz.
   - Sinto muito. Deve ter sido difcil crescer assim.
   - No mais do que vivenciar a morte de ambos ao mesmo tempo.
   - Eles s morreram quando eu tinha 8 anos. Vivi o suficiente com eles para saber o que quero dar a meus filhos como lar.
   - Sim, creio que sim. Foi acidente?
   - Sim. Eu sobrevivi. Eles, no.
   - Temos isso em comum. - Ela sabia que ele queria dizer que havia sobrevivido ao parto, ao contrrio da me.
   - Voc deve ter muito orgulho de si mesmo.
   - No sou eu que fao as operaes.
   - Mas as gerencia.
   - Theresa contou alguma coisa?
   - Seus filhos adoram falar sobre o adorado pai.
   - E voc acha que eu passo pouco tempo com eles? - ele adivinhou.
   - J que est perguntando... sim.
   - E o fato de todo o PIB do pas sofrer algum impacto por eu estar longe deles...
   - Significa que sua profisso  importante, e no que  mais importante que eles.
   - Voc e as crianas tm um lao muito forte.
   - Talvez forte demais.
   - Por que diz isso?
   - Eles vo ficar tristes quando eu for embora. Voc ouviu Gianni hoje cedo.
   - Como falei a meu filho, talvez no deixe que voc parta.
   - Voc no pode se casar comigo apenas por causa de um erro decorrente de um momento de luxria.
   Eles haviam chegado  praia e ele parou, virando-se para fit-la, deixando as expresses muito fceis de serem lidas sob a luz da lua.
   - Se voc estiver esperando um filho meu, vai se casar comigo.
   
   
   CAPTULO VI
   
   - No seja ridculo, Tomasso.
   Ele segurou os ombros dela, aproximando-se tanto que seus corpos praticamente se tocaram.
   - Gosto da forma como fala meu nome... seu sotaque americano  lindo.
   Ela no se sentia linda. Sentia calor, irritao e suspeitava que ele sabia desse efeito que exercia sobre ela.
   - Voc s mostra o sotaque quando est agitado.... quer dizer, a maneira como voc fala muda.
   - Nosso pequeno pas  muito perto dos Estados Unidos... temos muita influncia americana.
   - No notei nenhuma na Ilha Scorsolini. O palcio  inacreditvel. Os afrescos das salas formais competem com os da Capela Sistina.
   - Os Scorsolini so da Siclia, e no de Roma.
   - Ambas as cidades so italianas.
   - Um siciliano , antes de tudo, siciliano, e depois italiano. Assim que so feitos.
   - Isso explica.
   - O qu?
   - A arrogncia.
   Ele riu e o som a arrepiou.
   - Eu adorava sua risada.
   - Pensei que voc me adorasse.
   Ela virou a cabea, olhando para o mar escuro.
   - Que ego voc tem!
   - No. Simplesmente um crebro mgico. Voc permitiria que apenas um homem casse em seus braos na noite passada: Tom Prince. Por qu? Porque sonhava tanto comigo 
que um encontro ertico no meio da noite pode ter sido considerado por seu subconsciente mais uma fantasia. Isso revela muito sobre o que sente por mim.
   - Pensei que tinha se convencido de eu ter mentido sobre meus sonhos.
   - Eu apenas considerei a possibilidade de voc ter mentido para mim; no estava convencido disso, e agora tenho certeza que no.
   - Por qu?
   - Pela forma como voc respondeu ontem  noite... era como uma mulher tocando e permitindo o toque de um antigo amante, e no uma mulher que fazia amor pela primeira 
vez com um homem que no via h seis anos.
   - E voc saberia a diferena?
   - Sim - ele respondeu com toda a arrogncia da qual ela o acusara anteriormente.
   - Sei.
   - Duvido. Voc  muito inocente para isso.
   - No mais.
   - Ainda muito inocente. Voc no experimentou o orgasmo, experimentou?
   - No quero falar sobre isso.
   Os polegares dele roaram o rosto dela, forando-a gentilmente a olhar para ele.
   - Na prxima vez ser bem diferente.
   - No haver prxima vez.
   - Sim, Maggie, haver. - A expresso dele era incrivelmente possessiva. - Agora voc  minha.
   - No, no sou.
   Os lbios dele interromperam qualquer protesto.
   Era um beijo puro e que demarcava o territrio, mas no importava para o corpo traioeiro dela. Diante do primeiro toque dele em seu corpo, ela se derreteu e, 
quando ele retirou a boca, os dedos dela estavam cravados nos cabelos que ele tinha sobre a nuca e seu corpo estava moldado ao dele.
   - Voc  minha.
   Ela sempre fora dele, mas no queria admitir. Ele estava muito confiante disso.
   - Eu no sou a nica ofegante aqui - ela ponderou.
   - O que quer dizer?
   - Que, se eu sou sua, voc  meu. - Ela no tinha tanta certeza assim, mas ele precisava saber que ela pretendia que a relao fosse igual... mesmo que, por dentro, 
soubesse que jamais seria.
   - Naturalmente.
   Ela o fitou em choque.
   - Voc no quer dizer isso de fato.
   - Por que no? Casamento no  um passo qualquer. Requer esforo e comprometimento de ambas as partes.
   - No estamos falando de casamento.
   - No?
   - Voc  muito teimoso. Isso no mudou.
   - Conheo minha prpria capacidade.
   - E acha que todas as pessoas devem compartilhar do que voc tem a ensinar.
   - No  verdade.
   Ela afastou os braos dele e ficou surpresa com a facilidade que ele a deixou sair.
   - Certo.
   - Maggie, voc vai descobrir que queremos as mesmas coisas.
   - Voc quer abandonar as minas e joalherias para abrir uma creche?
   Ele riu e comeou a caminhar novamente, sem que seu corpo trasse a tenso que ela sentia. 
   - Voc sabia quem eu era quando Theresa me contratou? - ela perguntou. Era hora de obter algumas respostas.
   - Sim.
   - Ela sabe como voc me conheceu? Ela no falou nada.
   - Eu no contei a ela.
   - Por que no?
   - Queria voc. No tinha certeza de que voc viria, se soubesse.
   - Por que era to importante que eu aceitasse a funo de bab de seus filhos?
   - Eu tinha um plano.
   - Como assim?
   - Um plano de arrumar uma boa me para meus filhos. Uma boa esposa. Quando conheci Liana, fui dominado. Casei-me com ela por causa de sua beleza e de seu glamour, 
mas no era uma me natural, nem assumia responsabilidades. No podia arriscar outro erro desses de me "casar por amor" novamente. - O tom dele era de deboche. - 
Preciso de uma esposa que compreenda seus deveres e os cumpra, para mim, meus filhos, meu pas. Lembrei-me da sua dedicao quando trabalhou para mim... e percebi 
que, se no tivesse mudado, seria a esposa de que eu precisava. E decidi traz-la para c a fim de averiguar isso.
   Enquanto ela ouvia, sua mente estava entorpecida. Queria se casar com ela, mas no queria am-la e deixou claro que o que esperava dela era lealdade e desejo 
de servir. No podia imaginar um comeo mais vulgar e pouco romntico para uma relao.
   - Deve estar brincando.
   - No brinco com o que  importante.
   - Mas no pode escolher uma mulher com base em seu desempenho como governanta.
   Ela parou e ele virou para encar-la novamente.
   - Estava certo de que podia, mas, nesse caso, planejava ver como agia com meus filhos. A posio de bab era ideal para me dar chances de testar se voc era a 
mulher de que eu me lembrava e se traria  vida dos meus filhos o mesmo efeito de harmonia que trouxe  minha antes.
   - Ficava pensando por que seus funcionrios vinham me pedir para tomar decises que jamais pensei que uma bab tomasse.
   -  verdade que eu dei instrues para coloc-la nesse lugar. - Ele parecia extremamente orgulhoso da sua previso.
   - Ento, est testando minha elegibilidade? - ela perguntou diretamente.
   - Sim.
   - Dessa forma, falar de casamento agora  um tanto precoce, no? Quero dizer, no precisa fazer mais testes?
   - A situao mudou depois de ontem  noite.
   - Porque transamos?
   - Sim. Planejei esperar por isso, assegurar-me de que tudo deveria estar em seus devidos lugares antes de testarmos nossa paixo.
   Paixo, e no amor. Ele amou a linda Liana, agora queria se casar por convenincia com a simples Maggie.
   - E por que no testou?
   - No estava pensando direito.
   - Por que no?
   - Fiquei sem dormir um dia e meio. Tomei remdio para enjo e depois bebi vinho. Isso no caiu bem. Minha mente ficou obscura.
   - Ento estava bbado? - Ela estava certa. S que agora no parecia ter esperana como tinha de manh, pois a situao era ainda pior, de acordo com seus valores 
femininos.
   Ele s havia feito amor com ela porque estava fora de controle.
   - No exatamente.
   Ela cruzou os braos, mas no se sentiu confortvel. Simplesmente sentiu-se sozinha. Novamente.
   - Quase.
   - Si.
   - Ento, por que foi adiante?
   - A verdade? Estava cansado demais para ir para outro lugar.
   - No estava cansado demais para me seduzir.
   - Eu dei um beijo de boa-noite. Voc respondeu. 
   Nem mesmo isso fazia sentido para ela. 
   - Por que me beijou?
   - No sei explicar. Fez sentido para mim naquela hora - ele falou com um gesto de autocondenao. - Voc precisa aceitar que era para termos ficado juntos.
   - Como pode dizer isso?
   - Aconteceu, no aconteceu?
   - Isso no prova que tenha sido obra do destino. No sou seu tipo, Tomasso. Nunca poderei ser. - Ele tinha de enxergar isso. - No sou como Liana.
   - E fico contente por isso. Ela trouxe mais discrdia  minha vida do que prazer.
   - O que quer dizer?
   - O casamento com Liana no significou paz domstica. Ela no gostava das censuras de nosso dever com a coroa e nosso povo. Nem gostava de ser me, passando pouco 
tempo com as crianas. Ela me acusava de trabalhar muito, mas nunca estava presente quando eu estava em casa. A maior paz domstica que tive na vida foi quando voc 
foi minha governanta. H seis anos, a beleza e o charme de Liana me enfeitiaram, mas agora no me atraio facilmente por um rosto bonito.
   Ele podia ter dito que Maggie estava longe de ser bonita. O que ela sabia, mas a reiterao por parte dele era de doer o corao.
   - Mas e quanto  paixo? - ela sussurrou.
   - Ns temos isso... em abundncia.
   No tinha certeza disso. Eles transaram porque ele estava bbado, para todos os fins, e ela estava ali, de maneira conveniente em sua cama. Aquela paixo era 
verdadeiramente real? Certamente no seria suficiente para sustentar o casamento com um homem com o apetite sexual dele e extrema atrao pelo sexo oposto.
   - Deixe-me ver se entendi bem. Voc me trouxe aqui para a ilha a fim de testar o meu potencial como esposa? - S de falar essas palavras, ela se sentia ofendida.
   Tomasso no acreditava que valesse a pena cortej-la da forma convencional. Ele no tinha planos de conquist-la, se no passasse nos testes.
   - Sim, mas meu comportamento ontem  noite passou por cima de qualquer avaliao. Tenho sorte de voc ter se dado to bem com os meus filhos.
   - Em outras palavras, voc realmente quer uma bab que possa assinar um contrato de mais de dois anos.
   - No seja boba. Ser minha esposa representa bem mais do que simplesmente cuidar das crianas.
   - Sim, creio que sim. Voc tambm espera que eu aquea sua cama.
   - Situao que ambos aproveitaremos.
   - No pode falar isso por mim.
   Em vez de ser atingido pelo insulto, ele sorriu com suprema confiana masculina.
   - Na prxima vez, farei com que voc grite em xtase.
   - Sim, bem... Isso no  algo que eu queira testar agora.
   Ele se aproximou, provocando uma sensao dentro dela que ela queria evitar.
   - Eu posso fazer com que queira.
   - Prefiro que no faa.
   - Por qu? 
   Ela se afastou.
   - Porque, embora esteja convencido de que encontrou a soluo para a sua paz familiar, eu no tenho tanta certeza assim. Meu contrato  de bab, e at onde eu 
sei,  isso que sou no momento.
   - No  possvel depois de ontem  noite.
   - Ao contrrio, o dia de hoje mostrou o quanto isso  possvel.
   - E se voc estiver grvida?
   - No quero discutir isso.
   - Eu quero. Voc falou que s deve ficar menstruada em duas semanas. A concepo  uma grande possibilidade.
   - Mas ainda no  algo certo.
   - Pode ser.
   - Como?
   - Amanh, posso lev-la ao mdico.
   - Nem pense nisso. No tenho a menor inteno de ser assunto da mdia.
   - Ento, faa um teste de gravidez. Eles so muito precisos.
   - Voc sabe por experincia prpria?
   - Liana fez o teste da segunda gravidez antes de ir ao mdico.
   - E onde ela conseguiu o teste? - Ela no conseguia pensar em uma princesa indo a uma farmcia comprar um teste.
   - No sei, mas vou conseguir um para voc. 
   Ela abriu a boca para contestar, mas ele pressionou o dedo indicador contra os seus lbios.
   - Secretamente.
   Ela fechou a boca e ele afastou a mo, acariciando o lbio inferior dela com o polegar.
   - Certo?
   - Sim. Obrigada.
   Ela virou para voltar para a casa.
   - Maggie.
   Ela no parou de caminhar, mas olhou por cima dos ombros.
   - Oi!
   - Se voc estiver grvida, no deixarei que parta.
   
   Na manh seguinte, Tomasso anunciou, no caf-da-manh, que gostaria de levar Maggie e as crianas para um mergulho.
   - Tem certeza de que preciso ir junto? - perguntou Maggie, embora estivesse encantada com a idia de mergulhar nas guas cristalinas da lagoa.
   Ela teria de ficar com Tomasso, e a presena dele era muito mais desconcertante do que h seis anos.
   - Mas, Maggie, voc falou que adoraria que o papai nos levasse para mergulhar, lembra? - perguntou Gianni.
   Ela havia afirmado isso, quando as crianas conversavam sobre o que faziam com o pai... antes de saber quem era o pai deles.
   - Eu no disse que no quero ir, querido. S queria ter certeza de que seu pai no se importa de levar mais uma pessoa. Afinal de contas, ele ficou longe por 
mais de uma semana. Pode querer passar algum tempo sozinho com vocs.
   - Mas vai ser mais divertido se todos ns formos - comentou Anna.
   - Quero que venha - afirmou Tomasso diretamente.
   - O papai conhece os melhores lugares. E no temos por que ter medo na gua - falou Gianni com uma expresso muito sria. - O papai falou. 
   E, como o papai falou, devia ser verdade. Maggie sorriu.
   - Certo, mas prometam que no vo me deixar sozinha.
   - Eu fico com voc - prometeu Gianni.
   - Eu tambm - falou Tomasso com um timbre na voz que a provocou.
   - Eu tambm - gritou Anna, no querendo ficar de fora.
   Pelo menos as crianas ficariam por perto para agir como um amortecedor entre Maggie e Tomasso.
   
   Quarenta e cinco minutos depois, ela no sentia a proteo que eles haviam prometido.
   Nos ltimos dez minutos, Tomasso olhou de modo penetrante para seu corpo de mai... desde que ela tirou a camiseta e a bermuda que vestia, ele a olhava como se 
pudesse ver atravs do maio.
   Que se dane ele! Nada daquilo era real... essa falsa paixo que ele insistia em projetar nela. Era apenas a forma de obter o que queria. Algo que fazia muito 
bem, mas o corpo dela no sabia reconhecer a diferena. Seu corao tolo e suscetvel insistia nessa afeio. Ela j tinha falado inmeras vezes a si mesma que essa 
era a forma de Tomasso pensar, mas, ainda assim, reagia como se a paixo fosse verdadeira.
   Desajeitada, ela ajudou Anna a colocar o p-de-pato.
   - Quer ajuda? - Mas a expresso dele mostrava que sabia por que ela estava com tanto receio.
   - No, obrigada. Consegui.
   Ele assentiu e foi para a popa do barco, de onde pulou, aguardando os demais. Maggie ajudou as crianas antes de descer e cair contra o musculoso corpo de Tomasso.
   Ela engasgou quando ele passou o brao ao redor de sua cintura e seus corpos se tocaram sob a gua.
   - Tomasso.
   - Sim?
   - As crianas. 
   Ele sorriu.
   - Eles nadam como peixes e esto esperando bem ali.
   - Mas...
   Antes de se afastar, ele passou a mo pelo corpo dela at chegar no bumbum. O homem era um sedutor nato.
   - Pronta?
   - Sim, claro. - Mas, na realidade, ela estava sem ar por causa do breve toque, sentindo formigamentos em partes que no queria nem mencionar.
   - Ento vamos.
   A gua sob eles era repleta de colorida vida ocenica. No tardou muito para Maggie perder-se no tempo. Ela quase gritou quando seu corpo foi puxado por braos 
fortes.
   - Desgraado! - ela gritou para Tomasso.
   Ele arregalou os olhos com uma falsa ingenuidade.
   - Eu s queria chamar sua ateno.
   As crianas gargalhavam enquanto espirravam gua, e o pai tinha o mesmo olhar de divertimento.
   - Podia ter me cutucado.
   - Eu cutuquei. Duas vezes.
   - Oh. - Ela no notou.
   - Estamos com fome - falou Gianni, antes que seu pai dissesse mais alguma coisa provocante.
   - Mas no est na hora do almoo.
   Tomasso apontou para o relgio.
   - J se passaram trinta minutos, para ser preciso.
   Ela o encarou impressionada e rapidamente analisou se as costas das crianas estavam queimadas de sol. Felizmente, no pareciam vermelhas, mas, ainda assim, ela 
se sentia pssima.
   - Ainda bem que usamos um protetor solar forte, mas sinto muito por t-los deixado na gua por tanto tempo.
   - O papai foi nadar debaixo d'gua sem o snorkel. Ele fingiu que era um tubaro. Foi divertido, mas voc no o notou embaixo de voc, no ? - perguntou Anna.
   - Oh... no.
   Tomasso lanou um olhar provocativo.
   - A viso l embaixo era ainda melhor que a daqui de cima.
   Ela sabia que aquilo tudo era seduo, mas, dessa vez, no se deixou levar. No acreditava nem por um segundo que sua aparncia comum provocasse aquele olhar.
   - Podemos voltar para o barco?
   - Claro.
   Tomasso ajudou as crianas a subirem e virou-se para ela, que se esquivou.
   - Eu mesma posso fazer isso.
   - Mas um cavalheiro sempre ajuda uma dama. No , Gianni e Anna?
   - Sim, papai - eles ecoaram.
   - Voc no gostaria que eu desse um mau exemplo aos meus filhos, certo?
   Naquele momento, ela no se importava com o exemplo que ele dava. Porm, quanto mais desse valor  histria, mais atrairia a curiosidade dos dois pequenos, e 
seria uma tola de acreditar que isso faria diferena na forma como Tomasso a tratava. O homem dominava a arte da seduo.
   Ele manteve as mos na cintura dela.
   - No quero que vista este mai na frente de outro homem.
   - O qu? - O comentrio foi to inesperado que ela ficou impressionada. - Por que no?
   - J se olhou no espelho quando ele molha? 
   No, ela no tinha o hbito de se olhar no espelho enquanto nadava. Olhou para baixo agora, sem saber por que ele tinha aquele ar de dominador na voz e ficou 
perplexa com o que viu.
   O mai era transparente, embora no o fosse quando estava seco. A sombra dos bicos dos seus seios mostravam sua rigidez contra o tecido, enquanto a curva dos 
seus seios era perfeitamente moldada tambm. Ela s pde agradecer a Deus por ter feito seus plos ainda mais claros que os cabelos louros que tinha na cabea, pois 
havia uma vaga sombra fazendo aluso ao seu local mais feminino.
   Ela envolveu-se com os prprios braos e esbravejou.
   - Voc podia ter me avisado.
   - Por qu? Eu gostei da viso, mas no quero compartilh-la com mais ningum.
   - No sou sua para ser compartilhada - ela sussurrou para as crianas no ouvirem.
   Ele levantou a sobrancelha em tom de ironia.
   - Isso  uma questo de interpretao.
   - No .
   - Quer que eu tire seus ps-de-pato?
   O que mais poderia dizer alm de sim, j que, se fosse fazer isso por conta prpria, teria de revelar seu corpo? Ela aquiesceu.
   Ele demorou, acariciando a panturrilha dela, massageando gentilmente o tornozelo ao retirar o p-de-pato.
   - Sente-se melhor?
   - S-sim...
   Ele sorriu, repetindo todo o procedimento com o outro p. Ela teria feito isso bem mais rpido, mas no podia reclamar. Quando ele terminou, ela palpitava em 
reao a seu toque.
   Ele podia estar tentando convenc-la a aceitar o casamento por convenincia, mas o corpo dela desejava reagir, e no parecia que ela conseguia impedir isso.
   Ele piscou, quando terminou.
   - Pronto.
   Engolindo, ela assentiu. Tom era uma ameaa constante.
   Usando uma das mos, enquanto mantinha o outro brao sobre os seios, ela subiu no barco. Podia sentir o olhar dele nas suas costas, e sequer quis saber o que 
o mai revelava. Com uma sensao de desespero que no queria esconder, ela literalmente mergulhou em uma das toalhas empilhadas nos assentos.
   Sequer se incomodou em secar-se antes de se enrolar na toalha. Nunca mais usaria aquele mai.
   
   
   CAPTULO VII
   
   Tomasso subiu no barco com uma graa que ela invejou, dando partida no motor. Ele levantou a ncora e os levou at terra firme.
   Dessa vez, quando ele a ajudou a sair do barco, ela rangeu os dentes, determinada a suportar silenciosamente. Ela j havia demonstrado muitas emoes naquele 
dia, mas seu corao no parava de acelerar.
   Sua iniciao  intimidade fora dolorosa, mas seu corpo optou por lembrar o prazer que ela sentiu antes da penetrao, assim como a completude sentida seis anos 
antes. Ela suplicava por uma aproximao dos dois, tanto fsica quanto espiritual. Era como se os ltimos seis anos nunca tivessem acontecido e suas emoes continuassem 
to vinculadas a ele quanto antes. Como  que uma coisa to devastadora pode ter acontecido em uma noite?
   Seu crebro, embriagado de desejos, no tinha respostas, mas tambm no podia negar que ela havia passado por uma mudana profunda. Seu corao novamente abriu 
espao para Tom Prince... ou prncipe Tomasso. No importava como o chamava, seu corao sabia que ele era o nico homem que morava ali. No era justo que ele exercesse 
tamanho impacto sobre ela, e ela no tivesse defesa, exceto fingir indiferena quando nem de longe sentia isso. Mas a vida no era justa, e ela aprendeu isso muito 
antes de conhec-lo.
   Com a ajuda das crianas, ela estendeu uma toalha na sombra da praia e serviu o almoo. Depois que eles comeram, Maggie ficou contente em poder deitar-se na grama 
com os dois e tirar um preguioso cochilo.
   Ela acordou com a sensao de algo macio roando em sua barriga. Tomasso estava sentado a seu lado, passando uma folha no corpo dela. Seu mai - agora seco, mas 
ainda fino - no fora barreira para a sensao que parecia querer provocar.
   Ela percebeu que a toalha no estava mais ao redor do seu corpo ao mesmo tempo em que a folha foi para um local perigoso, entre seus seios.
   - O que aconteceu...
   Ele pressionou os dedos contra a boca de Maggie.
   - Shhh... as crianas ainda esto dormindo.
   E estavam, parecendo to angelicais que cortavam o corao dela.
   A folha continuou o movimento provocativo, e ela segurou o pulso dele para impedi-lo, embora parte dela no quisesse agir assim.
   Os dedos dele agora haviam passado para pescoo dela.
   - Eu quero voc, Maggie.
   - No.
   - Sim. E voc me deseja tambm.
   Ela queria dizer no novamente, mas sua boca se recusou a mentir, embora um certo medo tenha se misturado ao desejo. Seria doloroso novamente?
   - No.
   - Eu no perguntei nada - ela murmurou.
   - Mas seus olhos perguntaram.
   - O qu?
   - Voc tem medo de se machucar novamente, mas prometo que no vai doer. Se eu soubesse que voc era virgem quando fizemos amor, eu faria o mximo possvel para 
evitar a sua dor.
   - Mas a primeira vez... tem que doer, no ?
   - Talvez, um pouco. Mas h formas de tornar o prazer to grande que a dor passa despercebida.
   - Houve muito prazer... antes.
   - Eu a tomei muito rapidamente. Eu devia ter ido com mais cuidado.
   - Isso teria ajudado?
   - Sim.
   - Voc tem muita experincia em desvirginar moas, no?
   Ele deitou-se ao lado dela, apoiado no cotovelo.
   - No. Na realidade, nunca havia dormido com uma virgem.
   - E como saberia?
   Ele a olhou de um modo que fez com que estremecesse.
   - No sou o seu tipo, Tomasso - ela sussurrou, com um tom de tristeza na voz.
   Ele acariciou as linhas do rosto dela gentilmente.
   - Nisso, voc est errada. 
   - No estou.
   - Voc  a mulher que quero para me dos meus filhos... isso a coloca no meu tipo. - Antes de Maggie conseguir protestar, sua boca foi coberta pela dele em um 
beijo terno.
   Quando os lbios deles se encontraram, ela esperava ter reagido mais, mas no teve vontade de luta contra aquela suave investida. Os lbios dele se moveram sobre 
os dela, provocando-a com uma resposta que seu corpo gostou de dar. Em segundos, ela estava totalmente fogosa e palpitante, e seu centro de intimidade latejando 
com um desejo que a surpreendia.
   As mos dele percorriam todos os caminhos, tocando-a, brincando, explorando cada centmetro do corpo exposto e ultrapassando as linhas do maio para surpreend-la 
com uma intimidade que a fez gemer.
   - Shh - ele sussurrou no ouvido dela. - As crianas.
   Ao se lembrar, ela apertou a garganta em outro gemido e enterrou os dedos nos cabelos dele, apertando com fora. Ele no reclamou, mas continuou beijando e tocando 
at o corpo dela incendiar de desejo e uma necessidade que apenas ele era capaz de provocar.
   - Papai, por que est beijando Maggie?
   A voz sonolenta da criana mal amenizou o rompante de paixo de Maggie, mas Tomasso se afastou com certa facilidade, constrangendo-a. Ele sorriu para Anna, que 
havia sentado e esfregava os olhos.
   - Eu gosto de beijar Maggie.
   Ser que a filha dele acreditara que aquela desculpa era suficiente? Se Tomasso Scorsolini gostava de alguma coisa, ele automaticamente fazia, pensou Maggie. 
Mas ela gostou tambm.
   Muito.
   - Ento, ela ser nossa me?
   - Talvez.
   Maggie ficou surpresa por ele no ter respondido diretamente que sim, considerando sua arrogante crena de que ela aceitaria seus planos, apesar dos protestos.
   
   Eles conversaram sobre isso mais tarde, depois que as crianas dormiram. Ela foi para o salo ler um livro e ele fez umas ligaes no escritrio, unindo-se a 
ela depois.
   Ele segurou o copo de usque e olhou para ela.
   - No farei promessas aos meus filhos que eu no possa cumprir.
   - Pensei que estivesse convencido a fazer as coisas da sua maneira.
   - No posso for-la a se casar comigo.
   - Mas tem certeza de que pode me seduzir para isso.
   -  apenas uma questo de tempo at voc ir para a minha cama novamente - ele falou, sem se importar em negar.
   - Algum j falou que voc  to primitivo que parece um homem das cavernas?
   - No. Certamente eu me lembraria de um comentrio desses.
   - Bem, eu estou dizendo.
   - O fato de desej-la no me transforma em um Neanderthal.
   - Voc acredita que pode me arrastar pelos cabelos. - E ela no acreditava nem por um minuto que ele a desejava. No mesmo. Os homens podiam fingir desejo, no 
podiam?
   Tudo o que tinha de fazer era pensar em outra coisa, algum mais excitante, como fizera na primeira vez em que fizeram amor. Ela era a resposta para a harmonia 
domstica dele, e no uma mulher que pudesse amar e desejar apaixonadamente.
   - No tenho vontade de lhe arrastar para lugar algum. Quero que venha para mim por vontade prpria.
   - Quer que eu me jogue do penhasco?
   - Casar comigo no  uma queda do penhasco - ele falou com uma expresso que ela no conseguia decifrar. - No tenho inteno de prend-la em uma jaula.
   - Nunca disse isso.
   Ele, visivelmente, afastou o que o incomodava.
   - Claro que no.
   - Liana o acusou disso?
   - A alegria de levar uma vida real fica facilmente ofuscada depois da imposio das restries.
   - Mas certamente ela no o culpava por isso.
   - Sim, culpava. Assim como me culpou por ter engravidado pela segunda vez.
   - Ela queria mais filhos?
   - No.
   - Mas...
   - Ela concordou em ter o beb se, depois do nascimento de Anna, eu lhe desse total liberdade.
   - Meu Deus, no acredito que tenha feito isso.
   Ele deu de ombros, como se h muito tempo tivesse chegado a uma concluso acerca da atitude da ex-mulher com os filhos.
   - Ela sabia que era a melhor forma de conseguir o que queria.
   - O qu?
   - A vida de uma princesa sem as respectivas responsabilidades.
   - Mas isso  muito egosmo.
   - Sim. E, no final, o egosmo a matou. Ela estava velejando no Mxico com uma pessoa que sequer tinha licena quando morreu. Ela preferiu viajar sem mim e sem 
as crianas. Ela tinha liberdade, como voc v. Eu dei isso a ela. E ela morreu.
   - No pode se sentir responsvel!
   - No? Ela era minha esposa e eu no a protegi.
   - Ela no queria ser protegida e pelo que posso ver... no queria ser uma esposa.
   - Tem razo. No vou cometer o mesmo erro no casamento.
   - Mas nem todas as mulheres lindas so to mimadas e egocntricas.
   - No importa. No estamos falando de outras mulheres quando o assunto  casamento. Estamos falando apenas de voc. Pois s voc tem a chance de estar esperando 
um filho meu.
   Mas novamente ele no negou que no a achava linda. Oh, claro... sentia atrao por ela, mas no ficava desconcertado com sua beleza. Ela j tinha visto o olhar 
dele para Liana, nunca esqueceria. Nunca amaria uma mulher comum como Maggie e essa era a verdade mais dolorosa.
   
   No dia seguinte, ele informou que Maggie e as crianas o acompanhariam  Ilha Scorsolini para o aniversrio do pai, na outra semana.
   - Eu preferiria tirar esses dois dias de folga.
   - Quero sua ajuda com as crianas.
   - Mas no precisa de mim l, tem sua cunhada. Ela  maravilhosa com as crianas.
   - Ela tambm est  frente da festa. No ter tempo para se dedicar  minha famlia, e por que iria se tenho voc para me ajudar a cuidar de Anna e Gianni?
   - Voc no tem a mim. Sou a bab, e meu contrato estipula pelo menos um dia de folga por semana e todas as noites, quando voc no estiver viajando.
   - Voc no gosta de jantar comigo e as crianas? 
   Ela virou os olhos diante da insensibilidade dele.
   - Gosto.
   - Voc no gosta de coloc-los para dormir?
   - Esse  o problema.
   - Qual  o problema, Maggie?
   - No quero ir para a Ilha Scorsolini com voc.
   - Por qu?
   Porque no queria v-lo cercado de lindas mulheres, no queria v-lo flertando com mulheres muito mais adequadas ao papel de princesa do que ela.
   - Porque no fao parte desse meio.
   - Est me dizendo que nunca saiu com seus ex-patres e os filhos?
   - Bem, no...
   - Ento, no h diferena.
   - Ento, que dia poderei tirar folga? - ela perguntou, determinada a ganhar algum territrio.
   Ele ficou tenso, como se estivesse realmente chateado com a pergunta.
   - Quando voc trabalhava como minha governanta, ficava contente em passar todos os dias comigo.
   - Isso foi naquela poca.
   Parecendo muito ofendido e totalmente irritado, ele falou:
   - Se precisa de uma folga, tire-a no dia antes de irmos para a Ilha Scorsolini.
   - Obrigada. E essa semana?
   - No me agradea por simplesmente cumprir nosso contrato de negcios. Essa semana, tire o dia que quiser. Voc pode informar  minha secretria para que cuidemos 
das crianas.
   - Voc vai ter reunies no fim-de-semana.
   - No domingo, no. Quer um desses dias?
   - Domingo est bem.
   - Ento, que seja - ele falou, virando para falar algo para Gianni.
   Ela sentiu-se mal com a retirada dele, mas tambm admirada. Tomasso era um homem de negcios, mas, ainda assim, se esquivava de seguir o contrato deles. Era mais 
um mistrio na lista.
   Duas horas depois, ele ainda falava com ela com frieza. Tomasso recebeu uma ligao que o preocupou, e ele falou algo em italiano que obteve a repreenso de Anna.
   - O que foi? - Maggie perguntou, quando ele desligou.
   - Voc ter o prazer de se ver livre de mim mais cedo. Houve um problema com um de nossos clientes de ltio da China. Tenho que ir para Pequim hoje  noite.
   - Mas voc acabou de voltar de uma viagem ao exterior. Voc falou para as crianas que ficaria com elas por pelo menos mais um dia.
   Ele parecia chateado.
   - Isso no pode esperar.
   - Est bem, papai - Gianni falou, com uma impassividade no rosto que Maggie detestava ver em uma criana de 5 anos.
   - Por que no os leva com voc?
   - No  prtico.
   - Por que no? Se vai viajar tanto, tem que se preparar para levar a famlia com voc. Voc pode pagar as passagens.
   - No se trata de passagens, vou no meu avio particular. Mas lev-los implica levar voc.
   - Naturalmente.
   - No se importa?
   - Por que me importaria? Como bab das crianas, minha preocupao  com seu bem-estar.
   - E voc acha que pode ser melhor se eles viajarem com o pai?
   - s vezes, sim.
   - Gosta de viajar?
   - Sim. Viajei bastante com a primeira famlia com que trabalhei. Posso arrumar as nossas bagagens em uma hora.
   - Isso no estava no seu relatrio.
   - Meu relatrio? - ela perguntou delicadamente.
   - O que  um relatrio? - perguntou Gianni, quando o silncio entre os adultos ficou desconfortvel.
   - Nesse caso, acho que  um dossi sobre uma pessoa. Eu. Certo? - ela perguntou a Tomasso.
   - Sim.  isso.
   - Que tipo de relatrio? - perguntou Anna.
   - O relatrio de uma investigao - respondeu Tomasso diretamente.
   - Voc mandou me investigar? - Ela devia saber que ele no confiava nela, mas, ainda assim, doa.
   - Naturalmente. Todos os funcionrios que trabalham para os Scorsolini so investigados.
   E isso dizia claramente como ele via sua posio, caso fossem se casar. 
   - Sei.
   Aquela bendita bruxa tentadora, pensou Tomasso.
   Ele no sabia o que ela tinha interpretado, mas, pela expresso dos olhos cinza normalmente alegres dela, no era algo que o colocasse em boa situao. Os dois 
ltimos dias haviam mostrado que ela era perfeita para ele e os filhos. Entretanto, ela teimava em no reconhecer isso.
   Mas ela desejava isso. Independentemente do quanto tentava disfarar, seu rosto e corpo trmulos a denunciavam. No entanto, ela costumava se esconder no quarto 
ou usar a presena das crianas como barreira entre eles. Ele permitia, pois queria que ela fosse sua por vontade prpria, mas talvez estivesse jogando da forma 
errada.
   Queria que ela fosse sua mulher. Seus instintos estavam certos desde o incio. Ela era tudo que ele lembrava e a paixo entre os dois era perfeita. Ele no teria 
problema em se manter fiel durante o casamento, mas, dessa vez, no cometeria o erro de confundir luxria com amor.
   Ele gostava de Maggie e era mais do que sentia por Liana no final.
   Embora devesse admitir que ele no se incomodaria se ela se apaixonasse por ele novamente. Ela ficaria mais feliz, pois queria se casar por amor, e ele queria 
v-la feliz. Ele, porm, no precisava acreditar no amor para ficar feliz em se casar com ela... especialmente se ela estivesse esperando um filho seu.
   Essa viagem para a China poderia virar uma ttica inteligente da parte dele, assim como uma tima oportunidade de manter as crianas com ele. Se eles dividissem 
uma sute de hotel, ainda que com trs quartos, isso os foraria a ter uma intimidade que ela estava evitando.
   
   Fiel  sua palavra, Maggie e as crianas se aprontaram para a viagem em uma hora.
   Ela carregou uma grande mala para dentro do avio e, quando ele perguntou, ela respondeu:
   - Coloquei os jogos favoritos, lpis de cor e biscoitos. Eu no tinha certeza se o seu avio particular teria o tipo de comida que criana gosta de comer quando 
viaja. Eles nunca viajam com voc para outros locais?
   - Itlia, para visitar minha madrasta.
   - Sua madrasta?
   - Meu pai casou novamente, depois da morte da minha me.
   - A Rainha de Isole del Re mora na Itlia?
   - Ela no  mais rainha. Eles se separaram quando Marcello era pequeno.
   - Por qu?
   - Meu pai teve um caso.
   - Que horrvel para ela, mas me surpreendo com o fato de que ela tenha se divorciado por isso. Pensei que os casamentos reais durassem independentemente de qualquer 
coisa.
   - Ela preferiu a vida sem a coroa, se isso significasse a separao de um marido pilantra. E ele respeitou a sua vontade.
   - Uau.
   - Parece que voc a admira.
   - Sim. Ela precisou de muita coragem. Seu pai brigou pela custdia?
   - No que eu saiba. Ele at permitiu que Cludio e eu passssemos algumas semanas com ela, eventualmente. No estava em condies de criar trs filhos sem uma 
esposa, e ela se tornou nossa me.
   - Acho que, como rei, ele estava muito ocupado para ser pai solteiro.
   - Sim. Nunca invejei o trono do meu irmo.
   - Entendo, mas sempre tive a impresso de que voc estivesse tentando provar algo.
   - Que posso fazer minha vida sem a posio que ocupo? Eu costumava pensar assim. - Ele havia desistido de pensar assim quando Liana descobriu que ele era da realeza, 
quando se conheceram.
   - Voc foi bem-sucedido.
   - At certo ponto.
   - Seu pai no se casou mais.
   - No. Preferiu as amantes a comprometer seu prprio senso de honra fazendo votos que no cumpriria.
   - Por que no cumpriria?
   - A Maldio dos Scorsolini...  o que ele diz.
   - O que  isso?
   - De acordo com meu pai, os homens da famlia so fadados a amar apenas uma vez, e to profundamente que, se esse amor for perdido, no h chance de outra mulher 
assumir o lugar.
   - Essa  uma desculpa tola para justificar o adultrio.
   - No o adultrio. Eu disse a voc, ele no se casou novamente.
   - Mas sups que trairia, se casasse.
   - Sim.
   Maggie olhou para ele intrigada, com a profundeza de seus olhos cinza transmitindo mensagens que ele no conseguia interpretar.
   - Voc tem a mesma inclinao?
   - No. No quebro minhas promessas.
   - Ento, no aprova a desculpa do seu pai?
   - No.
   - Acho que eu gostaria de conhecer a sua madrasta.
   - Vou combinar isso. Voc gostar dela. Tem os ps no cho e  afetuosa. Deu a mim e aos meus irmos um senso de famlia e normalidade em nossas infncias, apesar 
de sermos prncipes.
   - Ela parece maravilhosa.
   - E . Voc se parece com ela de vrias formas. - De repente, ele percebeu que uma das principais razes para ter procurado Maggie foi o fato de ela ser parecida 
com Flvia.
   Ele sabia que podia confiar em Flvia e se sentia da mesma forma em relao a Maggie. Inicialmente duvidou, mas agora que havia compreendido como ela permitiu 
que ele fizesse amor com ela, aceitou que ela era a mesma mulher ntegra que conhecera h seis anos.
   
   
   CAPTULO VIII
   
   O primeiro trecho do vo foi muito tranqilo. Embora Gianni e Anna fossem mais novos do que as crianas de que cuidava, Maggie tinha muita experincia em manter 
crianas ocupadas em viagens longas. Alm disso, era muito mais confortvel no jato particular de Tomasso do que num avio comercial, mesmo de primeira classe. Ele 
teve de trabalhar muito nesse primeiro trecho, mas colocou os papis de lado para almoar com ela e as crianas.
   Ele se concentrou totalmente neles e nela enquanto comiam, deixando as crianas radiantes e acalmando Maggie.
   Para algum viciado em trabalho, ele tinha uma forma surpreendente de colocar o trabalho de lado.
   Quando eles pararam para abastecer, ele surpreendeu Maggie permitindo que descessem do avio. Todos foram jantar em um restaurante local e eles conseguiram uma 
rea externa para as crianas brincarem.
   - No temos que voltar a voar? - ela perguntou, enquanto Gianni e Anna corriam.
   - A segunda parte da viagem ser muito mais fcil se cansarmos as crianas e elas dormirem.
   - Voc conhece bem seus filhos, no?
   - Naturalmente.
   -  um bom pai. Sinto muito por Liana no se ter interessado pela vida em famlia. Vocs teriam sido um time e tanto.
   - Estou contando com um time composto por ns dois, Maggie.
   - No  a mesma coisa.
   - Est dizendo que se importaria de ser me de duas crianas a quem no deu  luz?
   As crianas brincavam no parque e riam. Eram to... adorveis.
   - Esse no  o problema. Como seria?
   - Liana no quis ser me dos prprios filhos. Muitas mulheres hesitariam em assumir esse lugar.
   - No sou essas mulheres, nem sou Liana. - Sob vrios aspectos, ela pensou. Mas, naquele caso, ela certamente no se importava. - E voc no teria problemas em 
encontrar vrias mulheres que gostariam de ser madrastas dos seus filhos, se isso significasse uma oportunidade de se casar com voc e usar a coroa de princesa que 
voc tinha certeza que eu queria em troca da minha virgindade.
   Ele olhou fixamente para ela, muito srio.
   - Admiti que estava errado, no?
   - Sim, mas nunca pediu desculpas por ter pensado assim. - O que a incomodava. Nunca deu razes para que ele pensasse daquela forma.
   - E acha que eu deveria?
   - Certamente. Seu cinismo no  desculpa para insultar minha honra.
   Os olhos azuis dele cintilaram em um deboche latente.
   - Estou profundamente sentido e imploro por seu perdo.
   - Est zombando de mim.
   Ele sorriu, e foi como uma flecha atravessando seu corao.
   - Talvez um pouco, mas eu realmente sinto muito por t-la ofendido. Voc  inocente demais para ter armado tamanha arapuca.
   - Honesta. Sou muito honesta.
   - Isso tambm.
   Ela assentiu satisfeita, embora um pouco amargurada por ele acreditar que fosse inocente. Foi horrvel ter pensado que ela tivesse arquitetado aquele plano. Simplesmente 
tinha integridade demais para se permitir navegar por mares to sombrios.
   Ela afastou uma mecha de cabelo de seu rosto, deixando um caminho de terminaes nervosas aparentes com o seu toque.
   - Ento, qual  o problema?
   - Problema? - Do que ele estava falando?
   - Voc disse que as crianas no so a razo para no querer se casar comigo. Mas ainda h algum obstculo em sua mente.
   - H um pequeno problema de amor entre ns dois, ou talvez a falta dele.
   Ela nunca seria uma princesa. No era linda nem sofisticada, e um comportamento rgio seria demais para ela. Ele sempre a compararia com as outras mulheres e 
desejaria essas outras. Parte dela gostaria de ser aquilo tudo para ele. Que pudesse conseguir o seu amor de alguma forma, assim como havia conseguido um lugar nos 
lares adotivos em que morou.
   Mas uma parte ainda maior dela desejava no precisar disso, que a proposta dele tivesse sido baseada no amor, e no na convenincia, e que ele a quisesse de corao, 
e no apenas como uma excelente bab e amante calorosa.
   Ela passou toda a vida abrindo espao com seu trabalho e a idia de se casar pela mesma razo era realmente penosa. Milhares de mulheres to comuns quanto ela 
eram amadas pelos homens que conquistaram seus coraes...
   - Voc sabia que uma viso socialmente aceitvel do casamento s ocorreu em 1.200 a.C?
   - Bem, agora ela existe.
   - Mesmo assim, nem todas as culturas a adotam - ele prosseguiu, como se ela no tivesse dito nada. - E, entre as classes poderosas, isso levou algum tempo, mesmo 
no Ocidente. Minha prpria famlia teve o primeiro casamento apenas em 1809.
   - No sei o que tenho a ver com isso.
   - O histrico da famlia  repleto de casamentos bem-sucedidos.
   - E alguns infelizes. No quero desempenhar o papel que Flvia desempenhou com seu pai.
   - Eu disse a voc: no quebro minhas promessas. Fui fiel a Liana pelos quatro anos do nosso casamento, sem sequer olhar para outra mulher.
   - Acredito em voc.
   - Ento, por que est to preocupada?
   - Liana era linda e sofisticada. Embora tenha obviamente falhado como me, era a companheira ideal para voc.
   - Voc acha?
   - Claro. Ela era tudo que qualquer prncipe podia querer. Era linda e sensual. Voc costumava olhar para ela com grande encantamento. Ela era cheia de vida e 
isso o atraa.
   - Ela era apaixonada pelos prazeres da vida. No  a mesma coisa, aprendi depois. E nenhuma das outras caractersticas que voc mencionou superava a negligncia 
com as crianas. Acredite: a beleza que  puramente exterior logo perde a graa.
   Era o que ele dizia, mas aquela beleza foi o bastante para atra-lo completamente e faz-lo esquecer a atrao insignificante que sentia por Maggie. E, independentemente 
do que dissesse, devia ter prendido seu interesse, pois ele permaneceu com ela mesmo com seu comportamento no-maternal. Famlia era obviamente algo importante para 
ele, portanto ela ficou impressionada com o fato de ele ter ficado com Liana mesmo depois da chantagem que ela fez com a gravidez.
   - Voc continuou casado com ela - Maggie falou, quase o acusando.
   - E permaneci fiel - ele respondeu.
   - Por qu?
   - Ela era minha esposa. Eu cometi o erro, no me separaria dela para ferir as crianas depois. Pelo menos como minha esposa, eles a viam com mais freqncia do 
que se fosse minha ex.
   - O fato de ter sentido muita atrao por ela deve ter ajudado.
   - A paixo morreu no terceiro ano do casamento.
   Longe de deixar Maggie mais confiante, saber daquilo a feriu na alma. Se ele deixou de ter paixo por uma mulher como Liana, como manteria interesse sexual por 
ela por toda a vida?
   - Percebi que no perguntou por qu.
   - Eu diria que  bvio. Ela no o atraa mais.
   - No, no me atraa, mas no pela razo em que parece acreditar. No olhei para outra mulher.
   - Ento, por qu?
   - No conseguia sentir desejo por uma mulher que usava sua gravidez como poder de barganha e depois abandonava os prprios filhos por interesses prprios.
   - Mas voc continuou fazendo amor com ela.
   - Sou homem. Tenho necessidades e elas devem ser satisfeitas no leito matrimonial.
   - Eu no poderia suportar ficar casada com um homem que no me desejasse.
   - Isso no vai acontecer.
   - Como pode afirmar, depois do que me contou? 
   Ele suspirou, exasperado.
   - Voc no ouviu nada do que falei? O que me atrai em voc no  algo que possa mudar.
   - O que quer dizer?
   - Desejo seu corpo delicioso, mas  o seu carter que atua como um afrodisaco contnuo para os meus sentidos.
   - Sei - ela respondeu indelicadamente... embora os seus sentidos estivessem ocupados tentando controlar a excitao por estar perto dele. Mas falar em corpo delicioso? 
Ele realmente pensava assim?
   - No estou brincando. Seu esprito generoso no apenas me atrai sexualmente, mas  um aditivo. Quero voc, Maggie.
   - Voc fica repetindo isso.
   - Porque  verdade. E terei voc.
   - No aqui. Nem agora - ela no resistiu em dizer.
   - Logo.
   Ela se arrepiou diante da promessa dele, virando novamente para as crianas a fim de se proteger.
   Porm, no podia ignorar o fato de ele considerar seu carter to inspirador. Ela achava aquilo inconcebvel e no tinha certeza se acreditava nele, mas nunca 
saberia se ele estava mentindo. Ela conseguiria manter o desejo sexual dele, mesmo no sendo linda e mesmo sem que ele a amasse?
   E se entrasse num casamento unilateral, amando-o sem ser correspondida... isso seria suficiente para ela?
   
   Quando eles voltaram para o avio, Gianni e Anna estavam muito cansados, e Maggie foi tirar as cobertas da cama do pequeno quarto quando Tomasso a interrompeu.
   - As crianas podem dormir confortavelmente nos assentos reclinveis. Voc dorme na cama.
   - Mas...
   - No discuta. No percebe que sou o prncipe?
   - Voc  mando, isso, sim. - Ela sorriu. - Pelo menos entendo como ficou assim, agora.
   - Como?
   - Voc se acostumou a dar ordens, ser parte da realeza e tudo mais. No acreditou que eu no soubesse que era um prncipe h seis anos.
   Ele riu, mas ficou srio quando viu que ela no retribuiu a gargalhada.
   - O que foi?
   - Voc dizia que achava que era meu amigo.
   - ramos amigos, embora voc tenha negado isso uma vez.
   Aquela declarao no fizera bem a ela. Afastar-se dele no significou esquec-lo. Ela sentiu sua falta, de sua amizade e de todo o resto. Seus sonhos a mantiveram 
acordada e nenhum outro homem tomou o lugar dele no seu corao.
   - Admito agora.
   - Bom.
   - Mas, se fssemos amigos, por que nunca me contou sobre sua verdadeira identidade? No confiou em mim - ela acrescentou, respondendo  prpria pergunta.
   Ele suspirou.
   - Eu queria ser aceito como eu era, e no pelo que eu era.
   - Mas eu j havia aceitado.
   - Voc acredita nisso? Voc fugiu de mim e de nossa suposta amizade. Voc acha que conseguiria fazer isso agora?
   - O que quer dizer com agora? Porque ns... - Ela se calou para no dizer o que pensava com duas crianas sonolentas como testemunhas.
   - Porque agora sabe que sou um prncipe. 
   Ela virou os olhos.
   - No seja tolo. O fato de ser prncipe no tem nada a ver com isso.
   - Talvez. - Mas ela podia dizer que ele no acreditava nela.
   Isso a incomodou durante todo o tempo em que ela e Tomasso estiveram colocando as crianas para dormir.
   Ele se sentia vulnervel diante de sua prpria posio. Pensar nisso a impressionava, mas, quando considerava algumas coisas que ele havia falado e o quanto trabalhou 
para provar as prprias qualidades, ela percebeu que era verdade. E ela detestava saber que ele acreditava que ela fosse como qualquer outra ao valoriz-lo por sua 
posio.
   Se ela contasse a verdade sobre seis anos atrs, poderia dissipar esses pensamentos, mas isso significava admitir os sentimentos que ele no retribua.
   J havia se protegido uma vez. Pelo bem de seu orgulho e de suas emoes, fugiu da amizade. Ela o magoou e, inconscientemente, alimentou sua crena de que no 
podia ser considerado um homem comum.
   Por razes que no queria analisar muito a fundo, no queria que ele continuasse a padecer por um erro de compreenso dela.
   - Toda a sua vida foi marcada e abenoada por sua condio de prncipe, no? - ela perguntou, antes de ele ter destinado a ela um assento ao lado do seu.
   Ele deu de ombros e esse ato provocou o corao de um modo que no queria reconhecer. Dizia que, por mais que no aparentasse, havia tocado algo de bruto no corao 
dele.
   - Eu me afastei da nossa amizade, h seis anos, porque doa muito ver voc e Liana juntos. Eu o amava e fiquei arrasada por v-lo to evidentemente apaixonado 
por ela. Posso garantir que, se soubesse que era um prncipe, teria apenas concretizado minha deciso. Ficar perto de vocs dois fez com que eu percebesse o quanto 
meus sentimentos eram inteis, poderia ter sido pior, se eu soubesse que voc era da realeza.
   Ele franziu o cenho.
   - Eu a magoei muito naquela noite em que levei Liana para casa, no foi?
   Ela no queria falar sobre aquela noite. As lembranas eram muito dolorosas, mesmo que tentasse esquecer.
   - Voc levou Liana para casa muitas noites e sim... doeu. Eu no queria fugir de voc. Isso doa tambm, mas no tanto quanto ver vocs dois juntos.
   - Desculpe por aquela noite.
   - Voc falou a mesma coisa naquela poca, e eu no falei sobre isso agora para obter outras desculpas. S queria que soubesse que no foi pelo fato de ser um 
prncipe.
   - Eu acho curioso que, embora a tenha magoado h seis anos e voc ache minha proposta um absurdo, voc ainda se importe em proteger meus sentimentos. Muitas pessoas 
diriam que eu no tenho sentimentos a serem protegidos.
   - Estariam erradas.
   A expresso dele zombava dela e ela suspirou.
   - Ento me chame de idiota. Eu me importo demais com o que as outras pessoas sentem.
   - Voc no  uma idiota, mas uma raridade: uma mulher que se importa realmente com as pessoas.
   - No sou to rara. Voc  que circula entre as pessoas erradas.
   - Talvez. - Ele a fitou. - Muitas vezes eu me arrependi de ter ficado com Liana.
   Ela no. Se ele tivesse conhecido aquela linda mulher depois de terem transado, a dor de Maggie teria sido multiplicada por dez, pois no teria dvida de que 
o resultado teria sido o mesmo. Ele terminaria com Liana e ela, sozinha.
   - Foi o melhor - ela falou, interrompendo a troca de olhares e pegando uma revista para folhear.
   
   Tomasso observou Maggie fechando a porta do quarto e sentiu-se frustrado.
   Todos os psiclogos dizem que o dilogo une as pessoas, mas sempre que ele e Maggie conversavam, ela se afastava ainda mais. Ele pensou que, ao admitir que havia 
se arrependido de ter ficado com Liana e deixado Maggie intacta, h seis anos, faria com que ela visse que pertencia a ele.
   Em vez disso, ela deixou claro que no considerou uma tragdia o fato de Tomasso ter ficado com Liana.
   Teria sido porque ela achou muito fcil fingir seu amor por ele? Ela confiava muito pouco nesse sentimento. O pai dele dizia que havia amado a primeira mulher, 
mas nunca amou nenhuma das outras mulheres que vieram depois, incluindo Flvia.
   Cludio e Theresa tinham um casamento harmonioso, do tipo que Tomasso desejava, mas ele nunca vira provas de que seu irmo fosse perdidamente apaixonado. Marcello 
amou sua mulher, mas ela morreu muito cedo para que esse sentimento fosse testado pelo tempo ou por circunstncias adversas.
   Tomasso acreditava, pessoalmente, que a emoo era uma desculpa que os homens fortes usavam para justificar a fraqueza e seguir os impulsos da paixo, e no o 
dever.
   Ele havia comprovado isso muitas vezes em seu meio por pessoas que usaram o amor como uma desculpa para a infidelidade e at mesmo o abandono de responsabilidade 
com os filhos ou o pas. Ento, por que se aborrecia ao pensar que Maggie no o amava mais?
   Sem dvida alguma, isso o aborrecia. Todas as vezes que dizia ou insinuava isso, ele sentia uma inexplicvel raiva e um forte desejo de desdizer as palavras dela.
   Sem dvida, era para o bem das crianas e da paz de esprito dele. Queria que ela se unisse a ele por laos indissolveis. No precisava acreditar na emoo para 
saber que, se Maggie acreditasse que estava apaixonada, acabava se ligando a ele de corpo e alma. Liana nunca agira assim.
   Maggie seria sua.
   Estava destinada a ser.
   
   Maggie se aconchegou no calor que a cercava, invadida por um cheiro familiar dos seus sonhos que trazia muita paz. Um peso caloroso que no parecia um cobertor 
se movimentou em seus quadris, deslizando at a sua coxa. O sono passou quando ela percebeu que no estava sozinha.
   Ela piscou os olhos e conseguiu ver Tomasso  meia-luz da cabine do avio. Estava de frente para ela, olhos fechados, com a respirao calma e serena.
   Estava dormindo.
   Na cama dela.
   Tambm estava vestido, ou pelo menos parecia. Estava de short e camiseta, roupa que ela nunca o vira usar. Nem mesmo na praia, onde vestiu uma sunga que mostrou 
seu musculoso corpo  perfeio, e camisa plo com short. Uma mecha de cabelo caiu sobre a testa dele, e ela precisou se esforar para no arrum-la. No queria 
acord-lo.
   Sem dvida, ele decidiu que dividir a cama fazia mais sentido do que tentar dormir em um assento reclinvel, mas ele no deitou sob as cobertas com ela. Ela gostou 
disso. Mostrava que, independentemente da forma possessiva como ele a tratava, Tomasso respeitava a escolha de Maggie de decidir at onde queria ir na relao.
   Tambm indicava que, apesar do fiasco de sua primeira noite em casa, ele no se considerava no direito de deitar nu na cama dela. Pelo menos no quando estivesse 
em seu juzo perfeito. Voltando no tempo, se as conseqncias daquela noite no tivessem sido to srias, o fato de ele ter feito o que fez por estar fora de si 
era quase engraado.
   Ele arruinara o prprio plano porque estava confuso e, por alguma razo estranha que ela no conseguia decifrar, achava aquilo tudo encantador.
   Maggie sorriu.
   De vrias formas, ele moderou a arrogncia com ela, embora no a tivesse eliminado por completo. Afinal de contas, ainda estava na cama dela.
   - Voc est sorrindo - ele murmurou com uma voz sonolenta. Seus olhos estavam totalmente abertos. - Gosta de acordar ao meu lado?
   Ela sacudiu a cabea, sem acreditar na prpria ingenuidade.
   - E eu que achei que voc tivesse moderado a arrogncia...
   - Por que voc gostaria que isso acontecesse? - ele perguntou preguiosamente. - Gosta de mim como eu sou.
   - Voc sempre acorda com essas iluses presunosas?
   -  presunoso acreditar que no  apenas da companhia dos meus filhos que voc gosta? - A pergunta parecia sria, e no debochada.
   - Eu me recuso a responder a essa pergunta, pois ela pode me incriminar.
   - A-ha! - Ele rolou em um movimento brusco que a pegou de surpresa e terminou com Maggie sob ele. - Toda essa maluquice de tirar dias de folga foi por princpio, 
e no por desejo, certo?
   O cobertor a prendeu e ela no podia se mover, o que a preocupava menos que o fato de seu corpo estar reagindo  posio dele de uma forma previsvel e desconfortvel.
   
   
   CAPTULO IX
   
   - Ter folgas regulares no  maluquice - ela retrucou, tentando esconder sua incontrolvel resposta a ele.
   Mas era uma batalha perdida. Desejo era parte do amor, e ela amava aquele homem mais que tudo na vida. Finalmente, admitiu isso para si mesma quando foi dormir. 
Ela sabia que ele ainda ocupava um local especial no seu corao, mas depois de conversar com ele e admitir o amor de seis anos atrs e ver como ele ficara afetado 
por ser desejado apenas por seu status... bem, seu corao simplesmente no resistiu.
   Ela foi dormir sabendo que amaria aquele homem at seus ltimos dias.
   - No nosso caso, .
   - Voc no  meu dono, Tomasso. Nem mesmo os reis tm permisso de ter escravos.
   Ele sentiu-se seriamente ofendido.
   - A escravido nunca foi permitida em Isole dei Re.
   - Ento por que no quer me dar minhas folgas?
   - No  que no queira. Fique sabendo que, sempre que precisar de algum tempo para resolver suas coisas, eu vou lhe dar.
   - Ento, por que reclama de minhas folgas regulares?
   - Porque voc passaria tempo desnecessrio longe de mim e das crianas. - Ele queria se casar para que sua vida fosse mais fcil, e no mais difcil. De alguma 
forma, sabia que seria tudo mais difcil sem ela por perto.
   - E se uma das coisas que eu queira fazer por mim for apenas tomar um longo banho e ler um livro? O quanto voc julga isso necessrio?
   - O quanto voc precisar. Eu faria de tudo para que voc tivesse esse tempo, embora possa pensar em algo muito mais interessante para se fazer no banho do que 
ler.
   - No sou exatamente uma princesa, Tomasso.
   - Quem disse isso?
   - Eu.
   - Voc no tem experincia nessa rea, portanto ter que confiar em mim quando eu disser que est errada. Voc seria uma princesa Scorsolini ideal.
   - Voc est brincando.
   - No. Voc tem o carter e a integridade necessrios para a tarefa.
   - Nunca considerei que me casar fosse uma tarefa.
   - De vrias formas,  exatamente assim. - Ele colocou a mo sobre a boca de Maggie, quando ela fez meno de falar. - E isso no  algo ruim. O casamento vem 
com um conjunto definido de expectativas que, quando preenchidas, beneficiam ambas as partes.
   - Voc faz soar como um mero acordo comercial, quando deveria ser muito mais que isso.
   -  mais.
   E ela sabia exatamente do que ele falava. Sexo. No era o bastante, mas era tudo que ele oferecia. Por que doa tanto?
   - No estou  sua altura dessa forma.
   - Que forma?
   - Na histria do sexo.
   - Posso ajud-la - ele falou, com um sorriso sensual.
   E acabou destruindo o corao dela... Amar outra pessoa doa. Para ela, tudo no passava disso. Amou os pais e os perdeu, o que estraalhou seu corao de criana. 
Amou sua me adotiva, que a via apenas como uma forma de ganhar dinheiro e trabalho gratuito. E o amava.
   A vida no era justa e ela sabia disso, mas, s vezes, ela sentia que estava destinada a sofrer mais do que poderia suportar.
   - No, obrigada. - Embora tivesse dito essas palavras, no sabia se queria t-las dito.
   Ela o amava e o queria desesperadamente. O fato de ter sido magoada nas duas vezes em que tentou fazer amor com ele no parecia importar... seu corao queria, 
mais uma vez, tentar encontrar uma ligao emocional por meios fsicos. Seu crebro gritava que no havia funcionado antes e que no funcionaria dessa vez, mas seu 
corao no ouvia.
   Ele batia com uma incessante esperana que ela no compreendia, mas tambm no podia ignorar.
   Aquele rgo tolo insistia que agora as coisas eram diferentes. Que Tomasso queria mais dela do que antes e que, se tudo o que conseguiria dele era amor fsico, 
isso era melhor do que nenhum amor.
   Ela lembrou que estava cansada de ficar sozinha e ele prometia um futuro em comum, mesmo que suas razes fossem muito pragmticas.
   - Acho que  hora de eu mostrar como nos damos bem - ele falou, mostrando que tambm no estava convencido de sua recusa.
   - No quero ser usada. - Ela no sabe de onde vieram essas palavras. No estavam no seu crebro, nem no corao, mas expressavam seus sentimentos muito bem.
   Ele franziu a testa.
   - J deixei minhas intenes claras. Quero me casar com voc, Maggie. Isso no significa exatamente us-la.
   - Voc acha que estou grvida. Se no achasse, ainda estaria decidindo se sou uma esposa adequada ou no. - E seu corao suscetvel seria inteligente ao se lembrar 
disso.
   - Mesmo se no tivssemos feito amor na primeira noite, eu teria percebido muito rapidamente como voc  adequada para mim e para os meus filhos.
   Ela sacudiu a cabea sem querer acreditar nele, pois, se acreditasse, suas defesas seriam esmigalhadas.
   - Sim. Voc  a mulher de que precisamos para tornar a famlia completa.
   - Voc no me ama, Tomasso.
   - E da? - ele perguntou, confirmando sua falta de sentimento, como se enterrasse uma faca no corao dela.
   - E da? - ela repetiu, quase num sussurro.
   - O amor no  pr-requisito para um casamento feliz. Eu serei fiel. Cuidarei de voc. Ter meu respeito, minha considerao e, se Deus quiser, teremos mais filhos 
juntos. O que mais um homem que a amasse poderia lhe dar?
   - Seu corao.
   - Ter minha lealdade, meu compromisso e minha honra. Basta.
   - Est novamente mostrando sua arrogncia.
   - Porque sei o que  melhor para mim?
   - Porque pensa que sabe o que  melhor para mim.
   - Mas eu sei.
   - Est apenas pensando no que  melhor para si mesmo e tentando me convencer de que isso  o melhor para mim tambm.
   - Est errada. Eu me importo muito com o que  melhor para voc, Maggie... voc tem 26 anos. No teve nenhuma relao sria.
   - Seu relatrio dizia isso?
   - Sim. Tambm diz que voc  sozinha, mas seu corao  muito generoso para se adequar a uma existncia solitria.
   - Ser sozinha no significa que sou solitria.
   - Mas era. Admita, pois  verdade.
   Ele tinha razo. Havia uma certa solido que as pessoas que tinham famlia no conseguiam entender. Ela no tinha ningum desde os seus 8 anos.
   - E da? - ela perguntou, embora ele tenha percebido sua dor. - Nem todos temos grandes famlias e centenas de amigos. Minha profisso exige o mximo do meu tempo 
destinado a crianas, e no a adultos.
   - Se voc se casasse comigo, seria parte da minha famlia. Meu pai seria o seu pai. Meus filhos seriam seus, assim como meus amigos. Voc teria a mim.
   - Presunoso. - Mas, oh Deus... as palavras dele eram ainda mais convincentes que seu corpo, e isso queria dizer alguma coisa.
   - Prtico. Fomos amigos uma vez. No h razo para no compartilharmos essa amizade novamente. Eu sei que vou gostar, mas, da mesma forma, voc precisar disso. 
Voc precisa de mim... mesmo que seja teimosa demais para admitir.
   - No  teimosia.
   - O que , ento?
   - Medo - ela respondeu com mais honestidade que planejava, arrependendo-se logo depois.
   - Medo de qu?
   - De ter uma famlia e perder novamente. - As palavras vieram de dentro dela, de um lugar com o qual no lidava h muito tempo.
   - Como perdeu seus pais.
   - E meus familiares adotivos. Os laos permanentes no funcionam em minha vida.
   - Vou fazer com que funcionem.
   - Como?
   - Eu disse a voc. No vou deix-la partir... e no vou abandon-la.
   -  fcil falar isso agora, mas no pode me prometer isso.
   - Est falando de morte, no ?
   - Sim.
   - Todos morrem, Maggie, mas fugir do comprometimento com a vida por causa disso  viver uma existncia muito solitria.
   - Talvez solitria seja melhor do que sofredora. - S que doa muito ficar sempre sozinha.
   - No .
   - Voc  sempre to seguro.
   - Faz parte do meu trabalho ser seguro.
   - Para as suas empresas, pode ser, mas no para as pessoas.
   - Para voc, Maggie. Voc  minha e um dia vai perceber isso.
   Ela o encarou profundamente.
   - Pare de dizer isso.
   - Pare de negar isso.
   Durante todo o tempo em que conversaram, ele ficou sobre ela, seu corpo chamando o dela, a proximidade causando todo tipo de reao em Maggie. A maior em seu 
corao, mas ela sentia um imenso vazio em sua parte mais feminina tambm. E os bicos dos seus seios roavam contra o tecido macio da camisola. Ele no a tocou, 
mas seus seios estavam intumescidos e rogando a sensao do toque dos dedos dele, e suas coxas se moviam em um convite to natural quanto arriscado.
   Ela queria beij-lo, provar sua boca e a masculinidade de sua pele. Queria ficar nua com ele como na primeira noite. Mas, dessa vez, ela o tocaria e se concentraria 
intencionalmente na sensao de ser tocada... no como um sonho, mas realidade. Porque, apesar do desconforto de ter perdido a virgindade, aquela noite ainda tinha 
uma sensao de sonho para ela.
   Ela queria provar a realidade. Hoje  noite, no queria se preocupar com o futuro ou se a relao deles daria certo. Agora, queria ser exatamente o que ele pedia... 
sua mulher.
   E queria tentar essa ltima vez preencher o vazio do seu corao com amor fsico. Em sua vida, no havia espao para amor emocional. E o desastre da outra noite 
no poderia arruinar a esperana, que queimava muito profundamente para ser reprimida por mera lgica.
   - Maggie?
   - Sim - ela respondeu, demonstrando desejo.
   - Diga-me o que quer.
   - Pensei que soubesse.
   - Preciso ouvir de voc.
   - Voc sabe o que vou dizer?
   - Sim.
   Agora ele queria o acordo dela e ela estava pronta para conceder. No queria mais se reprimir. No naquela noite. Estava se sentindo muito vulnervel ao redescobrir 
o amor. Precisava disso. Precisava dele.
   - Eu quero voc, Tomasso.
   O corpo dele estremeceu e ele ficou em silncio por algum tempo.
   - Tem certeza?
   - Sim.
   Ele a beijou, solicitando seus lbios e fazendo com que ela desejasse mais, quando parou por um momento. Ele tirou a blusa na penumbra to naturalmente quanto 
se os dois ficassem nus um na frente do outro com freqncia. Seus olhos se encontraram e ele tirou a sunga por sua rgida perna. Ela no deixou de olhar para o 
que ele revelou, seu olhar era atrado por uma enorme fora externa. E era... a sexualidade escancarada dele. Ele era incrivelmente atraente. Todas as partes dele.
   E assustador, tambm. Era muito homem.
   Parecia que os olhos dela saltariam das rbitas, quando ela percebeu a ereo de Tomasso.
   - Isso  normal? - ela perguntou. - Por isso di.
   Mas ela queria mudar de idia? No. O que revelava muito sobre o poder do desejo. Ele riu e sacudiu a cabea.
   - Garanto que no sou um monstro, mas voc  muito inocente. - Os olhos dele queimavam de satisfao, o azul brilhava to profundamente que parecia um reflexo 
do cu noturno. - Isso  bem mais excitante do que eu deveria achar. Voc sabe, sou um homem moderno.
   Foi a vez dela de rir, apesar do nervosismo.
   - Moderno para a Idade Mdia, talvez?
   - Pensa que sou um troglodita?
   - Voc acha que deve se casar comigo porque eu era virgem quando ficamos juntos e posso estar grvida. Acha que perteno a voc pelas mesmas razes. Sim, eu diria 
que isso d a voc o ttulo de "Neanderthal do Ano".
   Ele ficou imvel, com o olhar intenso.
   - E isso a incomoda?
   Ao se lembrar do que ele compartilhou sobre as acusaes que Liana fazia ele se sentir em uma priso, Maggie se inclinou para retrucar de forma petulante.
   - Honestamente? - ela perguntou.
   - Si. Sempre quero honestidade de voc. 
   - E vai me dar isso?
   - Sempre. Sem mentiras.
   Isso era muito conclusivo e a promessa enviou uma sensao de prazer ao corao dela.
   - O homem Neanderthal tem seu charme. 
   Ele sorriu.
   - Fico contente em saber.
   Ele caminhou em sua direo, e seu membro ereto no era a nica parte que chamava ateno. Nu, aquele homem era magnfico. Todos os msculos do seu corpo eram 
definidos sem que parecesse um Rambo, e sua pele morena resplandecia mesmo na penumbra.
   - Voc  muito atraente, sabia?
   - A recproca  totalmente verdadeira.
   Ela mordeu o lbio, sabendo que devia ser a libido dele falando. Ela era muito simples para ser considerada atraente por aquele homem, mas sabia que o elogio 
fora verdadeiro, embora improvvel. Ele a queria. As evidncias estavam diante de seu nariz.
   - Vai me permitir fazer amor com voc sem os cobertores ou prefere esconder-se sob eles?
   Ela estava se escondendo, com o corpo coberto dos ps ao pescoo. No queria se esconder dele. Como resposta, ela se livrou dos cobertores e revelou uma camisola 
rosa-beb. No havia nada de sensual nela, mas ia at o meio da coxa, e seu tecido fino no escondia o estado do bico dos seios de Maggie. O brilho nos olhos dele 
dizia que ele teve a mesma impresso.
   Ele passou o dedo do pescoo dela at seus seios, ento circulou um seio enrijecido antes de ro-lo diretamente. Ela engasgou, apertando os dedos.
   - Voc  to responsiva. - Ele passou o dedo no peito dela, na direo do outro seio, fazendo a mesma carcia provocativa. - Voc me excita at doer.
   - Eu sinto o mesmo - ela sussurrou.
   - Ento, devo aliviar essa dor.
   - Sim...
   Ele se deitou ao lado dela, seu sexo tocando a coxa de Maggie, e ela respirou ofegante. A intimidade era algo novo. O membro dele era firme e quente, mas tambm 
era macio contra a sua pele. To diferente do que esperava, e to maravilhoso.
   Ele colocou uma das mos sobre o ombro dela, acariciando sua clavcula e olhando para ela com um olhar felino.
   - No precisa ter medo. No vou machuc-la novamente.
   Apesar do olhar voraz, ela acreditava nele. Estava vida por ele tambm.
   - No estou com medo.
   - Est muito tensa.
   Ela sorriu, seu corao batendo a mil.
   - Tudo isso  novo para mim.
   - Posso dizer que sim.
   Ela virou a cabea, chateada com a discrepncia entre os nveis de experincia.
   - No zombe de mim.
   - No estou zombando. Falei a voc... - Ele beijou o queixo dela. - Sua inocncia me excita. - Os lbios dele brincaram com o canto dos dela, e sua lngua a provava 
de uma forma que provocava arrepios. - Muito.
   Afastando os receios infundados, ela se virou e ofereceu-lhe a boca. O beijo era carnal, seu calor provocando incndio em suas terminaes nervosas.
   Ele a tocou enquanto seus lbios estavam presos na sensual batalha de busca do prazer. As mos dele exploravam cada centmetro dela, mostrando que havia reas 
ergenas que sequer suspeitava que existissem. Ela o tocou tambm, apalpando cada parte de sua nudez que conseguia alcanar. Ele se curvou contra ela quando Maggie 
tocou seu bumbum, mas, quando os dedos dela se curvaram ao redor do membro de Tomasso, ele ficou totalmente imvel, interrompendo o beijo.
   - Sim, toque-me a, Maggie.
   Ela o acariciou para cima e para baixo e ele gemia contra os seus lbios, beijando-a novamente com imenso desejo.
   Ele permitiu que ela explorasse, orientando-a quando ela ficava envergonhada e mostrando como gostava de ser tocado at que seu corpo ficasse rgido com uma tenso 
vibrante.
   Ele retirou a mo dela.
   - Chega - ele gemeu.
   - Mas gosto de toc-lo.
   - Eu tambm, tesoro mio, mas, se quer que eu lhe proporcione prazer, no deve me tocar tanto na primeira vez.
   - No  nossa primeira vez.
   - Graas ao bom Deus. No teremos que lidar com a barreira da virgindade.
   Ele no deu a ela chance de responder, mas recomeou a toc-la, primeiro pela camisola, e depois tirando-a para que pudesse acariciar seu corpo nu. Ele sabia 
exatamente como e onde concentrar as carcias e logo ela se curvava de desejo. Mas ele no estava nem perto de acabar. Usou a boca para cobrir o mesmo monte com 
que antes brincava com as mos.
   Ela estremeceu de prazer enquanto os lbios dele e sua lngua faziam amor com ela de uma forma que jamais sonhara.
   Quando ele beijou a parte interna de sua coxa usando os dentes para morder gentilmente e a lngua para lamber o corpo sensvel de Maggie, ela gritou.
   Ele levantou a cabea.
   - No faa barulho, querida Maggie. No queremos que as crianas escutem. Esse compartimento  parcialmente  prova de som, mas no gostaria de testar os limites 
com eles na outra cabine.
   - Quer dizer que nunca trouxe amantes barulhentas para c?
   - Nunca fiz amor aqui.
   - Oh. - Ela gostou de saber disso, embora no soubesse por qu.
   Afinal de contas, sabia que ele era experiente, mas tinha uma necessidade interior de que essa vez fosse nica e especial... para ambos.
   Ele colocou a cabea entre as pernas dela novamente, e aquela viso pareceu insuportavelmente ertica para ela. Dessa vez, a lngua dele tocou um local bem mais 
sensvel do que a coxa, e ela teve que morder o lbio para no gritar. Ela choramingava enquanto ele fazia amor com ela usando a lngua, os dedos para pressionar 
sua parte interna, apertando sua coxa e os tecidos macios.
   Ento, ele pegou o local sensvel de Maggie entre os dentes e brincou com a pequena e rgida protuberncia com a ponta da lngua repetidamente.
   Ela caiu aos pedaos, mordendo a prpria mo para interromper um grito de agonizante prazer, enquanto estremecia sucessivamente sob a experiente lngua de Tomasso. 
Ela estava tremendo com as palpitaes de prazer quando ele subiu em seu corpo. Ele pressionou a ponta de sua ereo na entrada palpitante dela.
   - Est pronta? - ele perguntou com a voz distorcida.
   - Sim. - Precisava senti-lo novamente.
   Ele entrou nela lentamente, brincando, sugerindo como seria quando entrasse totalmente. Inacreditavelmente, cansada como estava, ela comeou a se mover sob ele, 
precisando de mais do que a lentido tentadora de sua suave possesso.
   Ele no demorou a entender e, com uma gargalhada de triunfo, definiu um passo que logo a deixou se contorcendo pelo renovado prazer anterior ao orgasmo.
   - Est bem, tesoro... mova-se comigo. Me d sua paixo, bella.
   - Bella? - A humilhao a arrasou. 
   Agora no, por favor, no podia estar pensando em outra mulher agora...
   - Linda - ele dizia. - Voc  linda em sua paixo.
   Linda? Era italiano. Claro. A percepo de que ele nunca havia pensado em outra mulher ao cham-la de Bella se perdeu no segundo clmax. A boca de Tomasso bateu 
contra a dela e ele engoliu o grito que ela teve de sufocar. Ele ficou rgido sobre ela, apertando-a com paixo enquanto alcanava sua completude.
   Ele desabou. O peso de seu corpo deveria estar desconfortvel, mas, em vez disso, parecia tudo bem. Na realidade, maravilhoso.
   Ele aconchegou-se no pescoo dela.
   - Voc  uma amante incrvel.
   - Voc no  to ruim assim.
   - Claro que no.
   Ela riu diante da arrogncia dele, muito satisfeita de prazer para tomar a questo como uma declarao egosta da parte dele.
   Ele levantou a cabea e os ombros, equilibrando-se nos antebraos.
   - O que temos aqui  muito especial. Voc no tem base para comparao, mas acredite em mim quando digo que poucos amantes chegam s alturas assim.
   - E quanto a voc e Liana? - ela perguntou, antes de pensar.
   Mas ele no pareceu ofendido.
   - Ela sempre queria ser seduzida. Nunca dava a sua paixo livremente, como voc. Voc  to generosa com seu desejo feminino. No tem idia do tesouro que . 
- Ele a beijou. - Fazer amor com voc  especial e muito, muito bom.
   O elogio generoso a encheu de prazer.
   - Dessa vez foi melhor - ela afirmou.
   A confisso sussurrada provocou uma risada nele.
   - Fico feliz. No queria que pensasse que eu no era bom de cama.
   Foi a vez dela de rir.
   - No me diga que ficou chateado com uma besteira dessas?
   - No  pouco para um homem parecer deficiente sob o ponto de vista de sua mulher.
   - Voc no poderia ser melhor - ela admitiu, muito encantada com o que havia acabado de viver para poupar palavras. - Voc  tudo que pensei que um homem deveria 
ser, Tomasso.
   Ele sorriu, parecendo realmente satisfeito.
   - Ento vai concordar em se casar comigo?
   - Eu... - Mas suas palavras foram interrompidas por lbios com mais demandas apaixonadas sobre os dela.
   
   Quando Maggie acordou, estava sozinha na cama e vestindo a camiseta de Tomasso. Ele devia ter colocado nela enquanto dormia, pois no se lembrava de t-la vestido. 
Lembrava-se de ter feito amor... mais de uma vez. Lembrava de ter obtido todo o prazer que ele disse que proporcionaria. E lembrava da certeza dele de que agora 
eles deveriam se casar.
   Ela no tinha tanta certeza, mas estava quase l. Era difcil acreditar que no era mulher suficiente para ele depois da noite que haviam passado juntos. Tinha 
sido especial.
   Mas ainda estava incerta. Mesmo o sexo tendo sido bom, eles no passariam a vida na cama. E quanto tempo duraria, j que aquilo no fora iniciado por causa do 
amor? Mas ela o amava... no seria o bastante?
   Ela tomou banho e se vestiu para trabalhar, usando jeans e camiseta. A princesa Theresa morreria ao ver aquela camiseta chamativa. Como Tomasso achava que ela 
podia se ajustar  sua vida?
   Certamente ele achava que sim, mas como podia? Estaria errada por se sentir insegura sobre sua posio ao lado dele?
   Essas duas perguntas a incomodavam enquanto ela foi se unir a ele e s crianas, agora acordadas, na cabine principal. Eles estavam tomando caf-da-manh.
   - Bom-dia, pessoal... ou j  tarde em Pequim?
   - Provavelmente est quase amanhecendo, mas j  outro dia - falou Tomasso.
   Anna beijou a face de Maggie.
   - Voc dormiu muito. Ns nos aprontamos e voc nem percebeu.
   - Devia estar cansada.
   - Precisa tomar caf, Maggie - falou Gianni. - O papai falou que logo vamos aterrissar.
   - Que empolgante! Ser que vai demorar para sairmos do aeroporto? Nunca estive na China. - Ela falava olhando para as crianas.
   Anna se contorcia, empolgada.
   - O papai j veio um monte de vezes, no ?
   - Sim. Vou gostar de mostrar tudo a vocs. 
   Maggie, ento, olhou para ele, corando diante de seu olhar.
   - Dormiu bem?
   - Oh... sim. Muito bem. Obrigada.
   - Muito profundamente tambm, eu acho.
   - E, Maggie... voc no ouviu quando entramos e acordamos voc e o papai. - Gianni lanou-lhe um olhar investigativo. - O papai falou que teve que dividir a cama 
porque  muito alto para essas cadeiras. Mas voc no  to alta.
   - Mas no acordamos Maggie - assinalou Anna. - S o papai. Por que no acordou, Maggie?
   Ela no sabia a quem responder primeiro, muito menos o que dizer. Ela olhou para Tomasso a fim de pedir ajuda, mas a expresso de humor nos olhos dele s aumentava 
o constrangimento.
   - Ela disse, estava cansada - falou Gianni, salvando Maggie dessa pergunta. - Aposto que no se acostumou ao vo.
   - Mas por que estava na cama do papai? - Gianni perguntou novamente.
   Ela no estava na cama de Tomasso. Estava na prpria cama quando ele decidiu dividir, mas duvidava que Gianni pudesse gostar das nuances da situao.
   - Eu... oh... era mais confortvel, e  grande o bastante para duas pessoas dividirem.
   - Pensei que apenas pais e mes dividissem as camas - falou Anna ingenuamente.
   - No est certo - retrucou Gianni, com uma ruga na testa. - A tia Theresa e o tio Cludio dormem no mesmo quarto, mas no tm filhos.
   - Mas so casados - falou Anna. -  a mesma coisa.
   - E Maggie e eu vamos nos casar assim que tudo for organizado.
   - Vai se casar? - Anna perguntou, feliz da vida.
   - Sim - ele respondeu firmemente, com o olhar confiante.
   - Tomasso! - Maggie gritou, despreparada para o ataque frontal, embora no soubesse por que se surpreendia.
   Esse prncipe Scorsolini mostrou que era duro quando tinha um objetivo, e foi isso que ela se tornou para ele.
   
   
   CAPTULO X
   
   Os protestos dela foram sufocados pelos gritos de alegria de Gianni e Anna.
   - Ento no se importa que Maggie seja sua me? - perguntou Tomasso ao filho.
   Os olhos de Gianni estavam radiantes.
   - No, papai. Voc falou que, se Maggie fosse nossa me, ela seria ainda melhor do que uma bab, pois cuidaria de ns e brincaria conosco, mas ficaria em nossa 
casa para sempre.
   Ele andou conversando com as crianas sobre ela... sobre o tipo de me que seria...
   -  verdade, no , Maggie? - perguntou Gianni, com evidente preocupao na voz.
   Pela primeira vez, ele no aceitou as palavras do pai como verdade absoluta, embora desejasse assim.
   - Se eu fosse a me de vocs, gostaria de ficar com vocs como estamos agora, e no partiria jamais.
   - E quanto ao que voc falou para a tia Theresa... sobre ir embora em dois anos?
   - O que falei a ela no se aplicaria se eu me casasse com o seu pai, em vez de ser a bab de vocs - ela falou cuidadosamente, sem fazer promessas, embora sentisse 
a inevitabilidade do seu futuro, apesar do cuidado que tomava.
   Os olhos de Anna se encheram d'gua e ela abraou Maggie to intensamente que foi difcil respirar.
   - Queria tanto que fosse minha me! Eu amo voc, Maggie.
   Maggie sentiu os prprios olhos molhados e retribuiu o abrao de Anna.
   - Amo voc tambm, pequenina, voc e Gianfrancesco.
   Sem que Maggie percebesse, Gianni tambm a estava abraando, e Tomasso observava a cena com tanta benevolncia que ela teve vontade de gritar. Nunca disse que 
se casaria com ele. Eles fizeram amor, mas, no mundo de hoje, isso no era um compromisso srio, era?
   Mas como ela poderia desapontar aquelas preciosas crianas?
   Ela no podia negar que a ao precipitada dele estava lhe fornecendo o que mais queria no mundo, Tomasso e seus filhos... uma famlia. E, por mais que fosse 
assustador, por mais que soubesse que a desequilibrada relao poderia ser desfavorvel a ela, a felicidade que sentia no corao tambm dizia que era um sonho se 
tornando realidade.
   Mesmo assim, ele no devia ter tomado aquele tipo de deciso no lugar dela.
   Agora que estavam todos acomodados na sute do hotel, notvel por ter apenas dois quartos e uma sala, ela planejava dizer isso a ele.
   Ela deixou as crianas jogando no quarto principal e acompanhou Tomasso at o quarto dele, onde estava desfazendo a mala.
   - Onde vou dormir? A cama de Anna  pequena demais para ser dividida. No vou dividir a cama com voc. 
   - Claro que vai. Onde mais dormiria? - Os lbios dele se curvaram em um sorriso irnico. - Como voc mesma disse, a cama de Anna  pequena demais.
   - No meu prprio quarto.
   - No h outro quarto na sute.
   - Ento, coloque-me em outro quarto.
   - Seu lugar  na minha cama. Definimos isso ontem  noite.
   - No definimos nada a respeito. E certamente no conversamos sobre onde eu dormiria quando chegssemos aqui. Eu me lembraria dessa conversa.
   - Depois do que ocorreu entre ns, voc acha que h necessidade de discutir isso?
   - Voc planejou tudo isso, no foi? - ela acusou. - No pode nem usar a noite passada como desculpa, pois reservou os quartos antes de entrarmos no avio.
   - De que exatamente est me acusando? - ele perguntou, em um tom de moderado, o que a irritou ainda mais. No se sentia moderada. Sentia-se manipulada.
   - De tentar me pressionar. Eu no aceitei vir nessa viagem para servir de petisco para voc.
   - Vamos nos casar. No use termos to depreciativos para falar de si mesma.
   - Quem disse que vamos nos casar?
   - Eu.
   - Vou lhe contar uma novidade: nos dias de hoje, para que se faa um casamento, os dois devem querer.
   - Voc concordou com nosso casamento ontem  noite, com seu corpo, e no negou com a boca esta manh.
   - Eu sabia!
   - Sabia o qu?
   - Estava usando as crianas como meio de me forar a concordar com o casamento. Voc sabia que eu no diria no a elas. Isso  pavoroso, alm de cruel com elas, 
caso esteja errado. E aquela conversa de no fazer promessas que no poderia cumprir?
   - No estou errado. - Ele parecia totalmente ofendido pela acusao. - Voc se entregou a mim ontem  noite... selou o nosso destino.
   - Ns transamos! Isso no  um voto vitalcio!
   - Ao se doar para mim, foi exatamente isso que voc fez.  o modo como voc .
   Ela o encarou, impressionada com o que ele disse e pelo fato de ele a conhecer to bem. Droga, estava certo. Agora, ela se sentia ligada a ele de uma forma que 
no sentiu depois do incidente da primeira noite. Mas no foi apenas porque fizeram amor, embora isso tenha pesado muito. Ela tambm admitiu a si mesma que o amava.
   Os olhos azuis calculistas dele sabiam que o fato de ela concordar em fazer amor significava mais do que apenas sexo. Que antes de toc-la, ele sabia que, quando 
ela oferecesse seu corpo a ele, ficaria totalmente comprometida.
   Ele a seduziu para aceitar a oferta do casamento de convenincia e era o orgulho dela que a impedia de aceitar.
   Furiosa por ter sido to manipulada, ela bateu p.
   - No vou dormir aqui com voc.
   Ela no conseguiu sequer chegar at a porta. Ele apertou os ombros dela e a puxou para trs com mos implacveis.
   - Qual  o seu problema? Por que est to irritada? No sou um partido to ruim assim, sou?
   Ela ignorou a presuno.
   - Voc quer dizer, alm do fato de voc ter obviamente planejado me seduzir quando chegssemos aqui?
   Isso realmente era o mais importante, pois, apesar da concluso a que chegara na vspera  noite, ele nunca teve a inteno de respeitar as escolhas dela.
   Ele suspirou com a expresso austera.
   - Vamos desfazer esse mal-entendido. Eu mudei a escolha dos quartos quando cheguei aqui no hotel. Sou um homem muito rico, no tenho problemas em fazer coisas 
desse tipo. O pessoal do hotel ficou feliz em poder me atender. Entretanto, antes da nossa chegada, eles tinham reservado uma sute contgua  minha para voc. Depois 
de ontem, eu presumi - talvez de forma precipitada - que voc desejasse dividir a minha cama. E precisamente onde eu quero que voc fique, por isso mudei a nossa 
acomodao apropriadamente.
   - Mesmo?
   - Melhor?
   - Um pouco. - Muito, na realidade, mas ela no conseguia dizer isso a ele. - O que no muda o fato de ter dito s crianas, sem o meu consentimento, que vamos 
nos casar. No gosto de ser pressionada.
   - Eu no fiz isso. Voc consentiu.
   Ela engasgou.
   - Nunca disse que me casaria com voc.
   - Como ns dois sabemos e eu j falei... voc falou isso em alto e bom som com seu corpo, tesoro mio.
   - Mas......
   - No tem mas, Maggie. Seu corpo fala mais honestamente que seus lbios.
   - Eu no minto.
   - Ento me diga que no quer ser minha esposa... minha amante... minha mulher. Pronuncie essas palavras e acreditarei.
   Ela o fitou. Maggie abriu a boca, mas no saiu som algum. No podia dizer essas palavras, nem a verdade. Ela se concentrou em uma verdade que era muito importante, 
pelo menos sob seu ponto de vista.
   - No quero me machucar de novo.
   - No pretendi machucar voc h seis anos, e no farei isso agora.
   Ela no acreditava nele. Como podia evitar mago-la depois de ter sido to distrado na primeira vez? No seria inevitvel, j que ela o amava sem ser correspondida?
   - O que vai acontecer quando outra Liana aparecer? - Ela olhou para a prpria roupa. - Olhe para mim. Eu no sirvo.
   Ele apertou os ombros dela, com uma expresso tensa.
   - Sua aparncia no dita quem voc .
   - Olha quem fala, um rapaz que s namorou mulheres lindas na poca da faculdade.
   - Eu amadureci desde ento.
   - No se trata apenas de maturidade. - Ela esperava que sim, pois ningum poderia acusar aquele homem de ser infantil.
   - Posso garantir.
   - Mas olhe a mulher com quem seu irmo se casou. No sou como a princesa Theresa. Ela cresceu cercada pela realeza.
   - Ento, deixe que ela a leve ao shopping, se isso deixar mais confiante, mas  com a mulher sob a sua delicada pele que quero me casar.
   - Como pode?
   Ele inclinou a cabea at seus lbios quase se encostarem.
   - Seremos um sucesso juntos, Maggie. Voc  fantstica com meus filhos, boa para mim. Como no posso?
   Ento, ele a beijou e ela se derreteu com uma perturbadora facilidade. Se no se casasse com ele, terminaria sendo sua amante clandestina e provavelmente engravidaria. 
No conseguia se controlar. Nem se preservar.
   Como da primeira vez, eles haviam se esquecido de usar camisinha na noite anterior... durante as vrias vezes que fizeram amor.
   - Voc no usou nada - ela sussurrou, enquanto a boca de Tomasso ia dos lbios dela para o queixo.
   - O qu? - ele perguntou, com a voz rouca de satisfao.
   Ela se esforou para concentrar em seus pensamentos, e no nas sensaes que a arrepiavam.
   - Foi de propsito?
   - O que foi de propsito?
   - No usar proteo ontem  noite, quando fizemos amor.
   Ele parou de beij-la e se afastou, olhando para ela.
   - O que voc disse?
   - Quero saber se, propositalmente, voc fez amor comigo sem proteo porque pensou que, se eu engravidasse, seria mais fcil casar.
   Ele apertou os olhos azuis e expressou algo como culpa.
   -  verdade - ela respondeu, ultrajada. - Voc fez amor comigo de propsito para aumentar o risco de gravidez.
   - No fiz. 
   - Voc parecia culpado.
   Ele olhou para ela friamente, agora.
   - Eu no minto.
   - Mas agora... aquele olhar...
   - Estava me sentindo culpado por ter sido to irresponsvel com o seu corpo, mas s isso  um grande indicador de que devemos nos casar.
   - Como assim?
   - No tenho controle quando estou tocando voc. Nem voc, ou teria pensado nisso. Mais cedo ou mais tarde, voc engravidaria. Eu preferiria que fosse depois do 
casamento.
   - Se eu me casasse com voc, no seria como foi com Liana.
   - Eu sei disso.
   - Quero dizer, no toleraria seu ritmo de trabalho. Eu esperaria que colocasse a mim e s crianas em primeiro lugar noventa por cento das vezes e que passasse 
muito tempo se esforando bastante pelos outros dez por cento.
   - E levaria em conta se eu viajasse ocasionalmente com vocs, como agora?
   - Se isso significar passar mais tempo juntos, como famlia, sim. Mas eu no serei a nica a me comprometer. Voc teria de ficar por perto em eventos importantes, 
como aniversrios e peas infantis, o que quer dizer que, se houvesse uma emergncia nos negcios, voc consideraria os meus sentimentos e os das crianas mais importantes 
do que ganhar mais um milho.
   Ele sorriu e ela o olhou de forma penetrante.
   - Estou falando srio. Ter que me prometer isso antes de eu concordar em me casar com voc.
   - Acho que posso fazer isso.
   - Ter que fazer mais que acreditar... teria que se dedicar. Tambm espero que tire os fins-de-semana normalmente e pelo menos duas frias anuais com a famlia, 
e passaremos os feriados como Natal e Pscoa juntos.
   - Essa  a tradio da famlia Scorsolini, mas tenho certeza de que a maioria das famlias tira apenas um perodo de frias por ano.
   - Voc  um prncipe, pode fazer o que quiser. Tem um trabalho que o pressiona muito e as exigncias de sua posio. Pelo menos duas vezes por ano, espero que 
saia um pouco desse mundo para que as crianas e eu saibamos que somos as pessoas mais importantes da sua vida. - Ela no podia acreditar que estava solicitando 
todas aquelas coisas, mas sabia o que fazia uma famlia forte e que, se ele fizesse isso, o casamento teria uma grande chance de sobreviver.
   - Muito bem. Duas frias familiares por ano e voc na minha cama todas as noites.
   - A cama  muito importante para voc, no ?
   - Sim, mas acho que voc tambm gosta.
   - Sim. 
   Ele sorriu.
   - Ento, temos um acordo?
   Ela pensou na alternativa. A vida sem ele... novamente. A vida sem Anna e Gianni.
   - Sim. Casarei com voc.
   O beijo deles foi interrompido por duas vozes infantis que queriam saber por que as pessoas da televiso no falavam ingls nem italiano.
   
   Os dois dias que se seguiram foram muito agitados para Tomasso, que teve reunies at tarde nas duas noites, mas, no terceiro dia, ele tirou a manh de folga 
para levar Maggie e as crianas para fazerem compras.
   Ele comprou um quimono florido para ela.
   - Eu no preciso de presente algum. Voc j me deu tanta coisa que realmente importa.
   -  mesmo? - ele perguntou, em um bvio tom de quem se sentia elogiado. Ela sorriu, apreciando a expresso de necessidade do temperamento dele.
   - Voc me deu dois lindos filhos que abenoaro a minha vida.
   - E uma vida inteira comigo, no esquea.
   - Pode deixar - ela respondeu diretamente, dando-lhe um beijo na face para mostrar que realmente gostava dele.
   Ele ficou imvel, endurecendo o olhar.
   - Qual  o problema?
   - Foi a primeira vez que me beijou por conta prpria.
   Ela deu de ombros.
   - Sou tmida.
   - No com as crianas. Voc os beija e abraa o tempo todo.
   Mas era envergonhada com ele. Mesmo na cama, ela apenas respondia  transa orquestrada por ele, jamais tomando a iniciativa. Ainda no acreditava que ele a quisesse 
como esposa, para toda a vida. Ela achou que ele no havia notado seu comportamento, mas ele notou.
   - Vou beij-lo e abra-lo mais livremente quando casarmos.
   - Voc promete, como prometi colocar a famlia em primeiro lugar?
   - Sim. 
   - Fechado.
   - Isso  muito importante para voc, no?
   - Sim. - Ele no falou mais nada, mas ela no esperava por isso. No na frente das crianas.
   Mas no podia parar de imaginar se Liana era afetuosa. Talvez ela pudesse dar a Tomasso coisas que as mulheres mais lindas no tivessem dado.
   Eles estavam tomando um tradicional ch chins, quando ele perguntou:
   - Como quer o casamento?
   - Tenho que escolher? Pensei que todos os casamentos reais tivessem que ser imensos e muitssimo tradicionais.
   - Voc quer toda a pompa de um casamento real?
   - Quer dizer que realmente posso escolher? 
   Tomasso acariciou o pescoo dela, roando seu queixo com o polegar.
   - Sim. Voc sempre pode escolher, Maggie. No a forarei a fazer coisas que no queira.
   - Esse  o homem que quer que eu v ao aniversrio do pai dele como um dever da minha profisso.
   - No queria ficar longe de voc por dois dias.
   - Que fofo! - E confortante.
   - No sou fofo.
   Por que os homens sempre implicavam com essa palavra quando endereada a eles?
   -  o qu?
   - Quente como lava e o que quero fazer agora a incendeia.
   Ela estremeceu. A voz dele podia surtir efeitos que certamente nenhum outro homem conseguiria, nem com uma noite inteira de sexo.
   - Vamos... voltar para a idia do casamento. 
   Ele sorriu. Obviamente, estava fazendo de tudo para que ela no mudasse de idia e aceitasse o casamento de convenincia, mantendo-a sexualmente atrada. Alm 
disso, ela suspeitava que ele sabia exatamente como excit-la, e se divertia com isso tambm.
   - Ento, prefere algo mais simples?
   - Sim.
   - Fico contente.
   - No gosta das multides? - Ela no podia imaginar que esse fosse o caso, mas por que faria diferena?
   - Um casamento mais simples significa que podemos nos casar mais cedo.
   - No est com medo de que eu mude de idia, est?
   - No permitirei.
   - O papai falou que voc vai ficar conosco para sempre - falou Gianni.
   - Eu vou - ela afirmou rapidamente, ao perceber um tom de dvida na voz do menino.
   Depois do almoo, Tomasso teve de deix-los no hotel para ir a outra reunio, mas todos ficaram contentes por ter um momento de descanso.
   Ela estava dormindo quando ele, finalmente, voltou para o hotel  noite, mas acordou quando ouviu o gemido de apreciao de Tomasso ao encontr-la nua na cama. 
Nas duas noites anteriores, vestiu a camisola apenas para que ele a retirasse e os dois se entregassem  paixo.
   Lembrando que ele desejava que ela demonstrasse mais afeio, ela decidiu ficar nua como um convite declarado.
   Aparentemente, ele apreciou. Ela se virou para ele e iniciou um beijo caloroso e ntimo que levou a outras coisas, que duraram at o alvorecer.
   No dia seguinte, ele surpreendeu a ela e s crianas levando-os para a Cidade Proibida, onde conheceram o Templo do Paraso, entre outros monumentos.
   Mulheres de todas as nacionalidades olhavam para Tomasso com olhos vidos, mas ele no retribuiu nenhum olhar. Seus olhos no se desviaram em momento algum de 
sua famlia, nem para olhar a mulher mais linda e extica.
   Seria assim em Isole del Re?
   Ela esperava que sim.
   Eles ficaram em Pequim por mais dois dias antes de voltarem a Diamante. Quando chegaram, Tomasso chamou a famlia para contar sobre o segundo casamento. Ela e 
Tomasso concordaram em ir para a ilha Scorsolini antes das festividades de aniversrio, para que todos pudessem conhecer Maggie melhor.
   At onde ela podia perceber, nenhum deles expressou desgosto diante da possibilidade de o prncipe Tomasso Scorsolini casar-se com a bab. Mas isso no queria 
dizer que a aceitassem sem dvidas. Podiam estar esperando para demonstrar sua desaprovao quando Tomasso chegasse em Lo Paradiso, a capital de Isole del Re.
   Ela no se surpreenderia com o fato. Que rei gostaria que seu filho se casasse com a bab das crianas, uma mulher que fora sua governanta no passado?
   
   
   CAPTULO XI
   
   Maggie entrava no palcio em Lo Paradiso pela segunda vez. A famlia Scorsolini era muito prxima. O tipo de famlia que ela queria ter, desde que seus pais morreram.
   Tomasso a levou para a sala de recepo, onde ela foi apresentada ao pai dele. O rei Vicente tinha os mesmos olhos azuis de Tomasso, mas olhou para Maggie com 
uma expresso que marcava sua alma e testava se era digna. Um sorriso de cumprimento escapou dos lbios dela.
   O filho mais velho, prncipe Cludio, era igualmente intimidador, com os olhos pretos fixados nela com uma expresso insondvel, enquanto Maggie e Tomasso se 
sentavam no sof.
   O salo foi obviamente criado para ser acolhedor, mas seu tamanho e a as emoes incertas dos ocupantes fizeram com que Maggie se sentisse em um tribunal.
   Somente a princesa Theresa sorriu para ela, apertando sua mo como se fossem amigas.
   - Fico to feliz com o casamento de vocs! Sua ligao com as crianas foi surpreendente desde que se conheceram. Lembro que comentei isso com Tomasso quando 
ele perguntou se voc aceitaria o cargo. Mas agora compreendo.
   - O que voc compreende, Theresa? - perguntou o rei Vicente.
   - Eles j se conheciam. Maggie deve ter reconhecido algo de Tomasso nas crianas e naturalmente se ligou a eles por isso.
   - Voc acha? - perguntou o prncipe Cludio, parecendo incrdulo.
   Achando que podia falar em seu favor, Maggie afirmou:
   - Est certa. Tomasso foi a nica pessoa em toda a minha vida a quem me liguei to rapidamente quanto Anna e Gianni.
   - No queria que Maggie soubesse que eu era prncipe - interrompeu Tomasso, antes que ela continuasse. - Era importante para mim fazer faculdade e me formar por 
meus prprios mritos.
   - Mas se ela era sua amiga... - A voz de Cludio era de implicncia.
   Ela no seria uma amiga to prxima, se Tomasso tivesse revelado sua identidade.
   - s vezes, escondemos coisas das pessoas mais queridas por razes que os outros podem no compreender - falou novamente a princesa Theresa. - Tomasso fez a escolha 
dele h seis anos, mas no foi culpa de Maggie e voc e Vicente no devem esperar que ela explique isso.
   - Quantas vezes j pedi para me chamar de papai? - o rei repreendeu a nora.
   Ela simplesmente sorriu com certa tristeza no olhar. Maggie imaginou se os demais haviam percebido isso.
   - Falei a Maggie que a acolheriam. Estava enganado? - Tomasso perguntou com uma voz que ecoou no salo.
   - Vov, o senhor no gosta de Maggie? - Anna perguntou. - Eu a amo. Ela ser minha me.
   - Ela prometeu, vov. No pode faz-la partir - Gianni falou em um desespero infantil, quase raivoso. - No vou deixar, nem o papai.
   Ele se levantou, caminhando at o pai.
   - No vai deixar o vov mandar Maggie embora, vai?
   Tomasso abraou o filho com o olhar fixo no pai.
   - No. Agora, acalme-se, Gianfrancesco. No precisa ter medo dessa famlia que o ama.
   Anna foi para o colo de Maggie e a abraou.
   - Eu amo voc, Maggie. Quero que seja minha me.
   Maggie abraou a pequena e suspirou. A situao tinha ido longe demais e no estava ajudando.
   - Est tudo bem, Anna. Ningum est tentando me mandar embora.
   - Mas o papai est irritado. Eu sei.
   - Pode ser, mas no h razo para isso. Seu av e seu tio esto fazendo perguntas apenas porque no me conhecem.
   - Quando eles a conhecerem, vo am-la como eu amo - falou Anna.
   - Tenho certeza de que est certa, querida - falou a princesa Theresa. - Gosto muito de Maggie e costumo avaliar bem o carter das pessoas.
   As palavras dela foram obviamente dirigidas ao marido e ao sogro, que franziram o cenho diante das crticas.
   - Talvez possa falar um pouco sobre voc - pediu o rei Vicente, tentando amenizar a situao.
   O prncipe Cludio a encarou.
   - Na realidade, Tomasso falou muito de voc quando trabalhou na casa dele, h seis anos. Voc mantinha o lugar em paz.
   - Sim, ele falou - respondeu Maggie diretamente. -  difcil conseguir boa ajuda domstica.
   - Tenho a impresso de que foi alm da casa limpa e da boa comida.
   - ramos bons amigos - emendou Tomasso. - Eu falei a voc.
   - Mas no foi uma amizade que durou depois da relao de trabalho. - Embora tenha sido uma afirmao, o prncipe Cludio deixou soar como uma pergunta.
   - Amizades de faculdade so assim. Com quantos amigos voc tem contato at hoje? - ela perguntou.
   - Pouqussimos - admitiu prncipe Cludio.
   - Est vendo? - complementou a princesa Theresa. - Est procurando problemas onde no h.
   O prncipe Cludio olhou para o irmo.
   - Se conhecia Maggie quando pediu para que Theresa a contratasse, faz sentido que quisesse se casar com ela.
   - Sim.
   - No exatamente - falou Maggie.
   - O que, ento? - perguntou o rei.
   - Seu filho... tinha um plano.
   - Que tipo de plano? - perguntou a princesa Theresa.
   - Primeiro, ele queria testar se eu seria adequada - falou Maggie.
   - No pode estar falando srio! - exclamou a princesa Theresa.
   - Mas estou.
   O rei Vicente concordou.
   - Isso foi inteligente.
   Uma reao tpica do macho Scorsolini. Maggie emitiu um som de resignao e piscou para a princesa Theresa, que estava prestes a cair na gargalhada.
   - Seu teste foi rpido - ressaltou  prncipe Cludio.
   Tomasso deu de ombros com a mesma arrogncia demonstrada anteriormente pelo irmo.
   - No demorei muito para perceber que Maggie era tudo de que me lembrava.
   - Sei.
   Tomasso comeou uma constrangedora ladainha para convencer a famlia sobre os predicados de Maggie. Ele chegou at a comentar sobre o desejo que ela tinha de 
estabelecer um sistema de pr-escola em Isole dei Re..
   - Parece uma boa idia, mas voc no estar ocupada demais cuidando do seu marido e dos meus netos para se dedicar a uma tarefa como essa?
   - No ser tudo de uma vez, Sua Alteza. Provavelmente comearia com uma escola perto da casa de Tomasso, em Diamante.
   - Mesmo assim, esse tipo de empenho certamente iria de encontro  sua dedicao  famlia.
   - Seu filho  adulto - retrucou Maggie. - Ele no precisa que eu cuide dele, e eu jamais negligenciaria Anna e Gianni para dar ateno a outras crianas. Eles 
so minha prioridade e continuaro sendo, mas isso no me impede de ter outros interesses. - Algum precisava lembrar ao rei que estavam no sculo XXI.
   O rei a surpreendeu sorrindo em aprovao.
   - Obrigado. Eu acreditava que no havia causa alguma por trs de sua afeio pelos meus netos, mas queria ter certeza. Desculpe se voc se sentiu ameaada. Algumas 
mulheres no tm as suas prioridades. Tanto o marido quanto as crianas podem ser muito feridos por negligncia.
   De repente, Maggie percebeu que o casamento de Tomasso com Liana devia ter sido doloroso para todos. Ela fora uma mulher egosta que havia colocado os prprios 
prazeres na frente das demais prioridades e feriu muitas pessoas por isso.
   - Nunca deixaria isso acontecer. Por favor, acredite em mim.
   - Eu acredito. Theresa falou ainda que voc no tirou folga quando Tomasso viajou, mesmo quando os funcionrios da casa estavam prontos para assumir suas funes.
   - Gosto da companhia deles.
   - E da companhia do meu filho? - perguntou o rei.
   - Pai - falou Tomasso, sem conseguir intimidar o pai.
   - Voc ama o meu filho?
   - Essa pergunta no precisa ser respondida - esbravejou Tomasso. - Estou feliz com o casamento, portanto voc deve ficar tambm.
   O Rei Vicente sacudiu a cabea.
   - No acha essa pergunta relevante? Discordo. - Ele olhou para ela novamente. - Vou perguntar novamente... Voc ama o meu filho?
   Maggie no tinha alternativa. Podia mentir e salvar seu orgulho ou dizer a verdade. Nunca fora boa em mentir, ento no tinha alternativa mesmo.
   - Sim, amo - ela falou calmamente, recusando-se a ser humilhada pela unilateralidade da relao deles, mas no havia como negar a dor que sentia. - E amo as crianas 
tambm.
   Ele no havia perguntado, mas ela achou muito importante declarar, pelo bem das crianas.
   Tomasso ficou imvel ao lado dela, e ela evitou fit-lo.
   - Voc o amou h seis anos - dizia o rei novamente, continuando com a intromisso.
   Aquilo era doloroso e ela respirou fundo.
   - Eu... isso no  da conta de ningum.
   - Concordo. - Theresa se levantou. - O senhor no apenas est se intrometendo em questes que no nos dizem respeito, como tambm est com uma platia inadequada. 
- Ela olhou para as duas crianas que ouviam atentamente a conversa dos adultos. - J aborreceu seus netos, ofendeu seu filho mais novo e constrangeu a moa que 
deveria estar chamando de filha. Sempre soube que os homens Scorsolini eram eficientes, mas esto passando dos limites, na minha opinio. Maggie, gostaria de ir 
para o seu quarto?
   Antes de Maggie assentir, o rei falou:
   - Desculpe. No foi minha inteno aborrecer as crianas ou constrang-la.
   - Mas no se importa de ter ofendido o seu filho? - perguntou Maggie, sem conseguir se controlar.
   O rei sorriu.
   - Estou acostumado a ofender os meus filhos. Eles so homens fortes.
   - Sou uma mulher forte, mas no gosto que pisem nos meus sentimentos. E concordo com a princesa Theresa. As crianas foram desnecessariamente contrariadas.
   - Desculpem, crianas.
   Anna deu um abrao no av, mas Gianni recuou.
   - Gianfrancesco?
   - Maggie vai ser minha me.
   - Sim.
   - Eu a amo tambm.
   - Posso ver, piccolo mio.
   - Vai mand-la embora?
   - No. Agora ela  parte da nossa famlia... Alm disso, seu pai no permitiria. Ele  to teimoso quanto o vov.
   Gianni aquiesceu e sentou-se novamente ao lado do av, tomando sua mo em um gesto de afeio que comoveu Maggie.
   A princesa Theresa se sentou novamente sem olhar para o marido, que a observava com estranheza.
   Ento, ela olhou para o sogro com uma expresso que fez com que ele se dirigisse a Maggie.
   - Fale mais desse sistema de pr-escola que quer instaurar em Isole del Re.
   Isso assinalou o fim das dvidas e a conversa prosseguiu sem problemas. Sem se sentir pressionada, agora Maggie achava o pai de Tomasso muito charmoso e agradvel. 
O prncipe Cludio ficou quieto, mas aparentemente suas preocupaes com o casamento foram abrandadas.
   No entanto, Maggie sentiu-se aliviada quando a princesa Theresa perguntou se ela queria relaxar um pouco antes do jantar.
   
   
   CAPTULO XII
   
   - Vamos para Nassau amanh de manh para fazer compras - falou a princesa Theresa.
   - Parece timo. Obrigada. No quero constranger Tomasso na festa do pai, mas no posso comprar roupas de grife com meu oramento.
   A princesa Theresa riu suavemente.
   - A maioria das mulheres no pode e no precisa ter medo. A aparncia de uma mulher pode ser modificada para que se ajuste a todas as ocasies, mas seu carter 
 irretocvel.
   - Eu falei isso a ela, mas talvez ela a oua. 
   Theresa virou para Tomasso, que as acompanhava.
   - Talvez essas no sejam as palavras que precise ouvir de voc.
   Tomasso franziu o cenho e Maggie sentiu uma repentina e urgente vontade de chorar. As palavras a que Theresa se referia no sairiam da boca dele hoje, como no 
haviam sado h seis anos.
   - A que horas vocs vo amanh? - ele perguntou, ignorando o comentrio.
   - Sete da manh, mas pensei em irmos hoje  noite. S que achei que Maggie ficaria cansada depois da viagem de hoje.
   - A vinda de helicptero no durou nem uma hora, estou bem - falou Maggie, atrada pela idia de ficar longe de Tomasso naquela noite.
   - Ento podemos ir depois do jantar - falou a princesa Theresa. - Assim, teremos todo o dia de amanh e o outro antes de voltar.
   - Parece timo.
   - Vocs no precisam de dois dias de compras para escolher um vestido - reclamou Tomasso, sem que ela entendesse.
   - No seja bobo, Tomasso - falou Theresa. - Vamos comprar roupas para Maggie para vrias ocasies. Como sua noiva e futura esposa, ela precisar de muitas roupas.
   Maggie apreciava a compreenso da princesa Theresa, e sorriu em agradecimento.
   - Ento posso ir com vocs.
   - No, obrigada. Homens no so bem-vindos em compras desse tipo.
   Antes de Tomasso discutir, Cludio entrou e pediu a opinio do irmo em um assunto de negcios.
   - Ele no quer perd-la de vista por dois dias - falou Theresa para Maggie.
   - No sei por qu.
   -  possessivo.
   A risada suave de Theresa acompanhou Maggie na imensa sute que dividiria com Tomasso.
   Ela tomou um longo banho e logo teria de se aprontar para o jantar.
   Tomasso chegou para se trocar para o jantar enquanto ela pegava um dos vestidos que havia comprado para usar em atividades sociais com os antigos patres.
   - Descansou bem? - ele perguntou, enquanto se despia e trocava a roupa.
   - Tomei um longo banho. 
   Os olhos dele brilharam.
   - Queria ter me unido a voc. Fiquei a tarde toda tratando de negcios com meu irmo enquanto papai distraa as crianas.
   - Certamente se divertiu. Voc gosta de trabalhar.
   - Assim como Cludio, mas eu teria preferido fazer amor com voc na banheira.
   Ela virou os olhos, corando.
   - Voc no pensa em nada mais? 
   Talvez toda aquela seduo no fosse apenas por causa dela. O homem s pensava naquilo. Ele deu um n na gravata.
   - Sabe que sim, mas no consigo me controlar, pois sua paixo  algo que vicia e no consigo tirar voc da cabea.
   Ela se virou, pois as palavras pareciam muito prximas da realidade, embora soubesse que no havia nada por trs delas.
   - Theresa mudou nosso vo para nove horas, hoje.
   De repente, ele passou as mos ao redor da cintura dela e beijou sua nuca.
   - Vou sentir saudades, Maggie. Vai sentir minha falta? 
   - Sabe que sim.
   - Por que me ama? 
   Ela havia imaginado quando isso viria  tona. No tinha por que negar, j que tinha admitido para toda a famlia.
   - Sim.
   - Fico feliz.
   Ela quis perguntar por que isso fazia diferena, mas ele a virou para beij-la e, quando terminou, ela no tinha mais condies de falar nada.
   Ele terminou de se vestir. Ento, cruzou o quarto e abriu um cofre de onde tirou uma caixa de veludo preta e entregou a ela.
   - O que ?
   - Abra e veja.
   Ela abriu, revelando um lindo colar de prolas.
   - Que lindo! - ela elogiou.
   - Vai ficar timo com o seu vestido. 
   Ela apertou a caixa na mo dele.
   - No vou usar as jias de Liana - ela avisou, afastando-se dele.
   - No era de Liana. O gosto dela era mais extravagante. Eram da minha me.
   - E por que no esto com Theresa?
   - Quando ficamos adultos, meu pai deu algumas a Cludio e outras para mim.
   - Tem certeza de que Liana nunca usou esse colar?
   - Sim.
   - Certo. - Percebendo o quanto soou sem graa, ela acrescentou: - Muito obrigada.  realmente lindo. Cuidarei bem dele por voc.
   -  seu agora - ele falou.
   - Obrigada.
   - Faria tanta diferena se Liana tivesse usado?
   - Sim.
   Ele assentiu.
   - Ento, esteja certa de que nunca vou lhe dar nada que tenha pertencido a ela.
   Incluindo o corao dele. J havia deixado isso bem claro.
   
   A viagem para Nassau foi uma revelao para Maggie. Theresa sabia exatamente onde achar alta-costura e elas fizeram compras durante toda a manh, parando apenas 
para almoar.
   Tomasso ligou trs vezes durante o dia. As ligaes eram breves e nada romnticas, mas ela gostava e sempre sorria durante um bom tempo depois delas. Maggie e 
Theresa descobriram que, apesar das diferenas, tinham muito em comum e riram bastante juntas. Isso ajudou Maggie a perceber que talvez conseguisse se ajustar  
vida de princesa.
   Elas foram para a piscina jacuzzi do hotel para relaxar depois das compras.
   O telefone de Maggie tocou. Ela sorriu para Theresa e atendeu.
   - Boa noite, Tomasso.
   - Ol, bella mia. Acabou de fazer compras?
   - As roupas. Amanh, vamos comprar os acessrios.
   - Acha que vai levar o dia todo?
   - No tenho dvida alguma. 
   Ele suspirou.
   - Pensei que pudesse voltar mais cedo.
   - Fico feliz ao ver que sente minha falta.
   - Eu falei que sentiria.
   - Fico feliz mesmo assim. - Mesmo que sentisse sua falta apenas na cama.
   - As crianas sentem saudades tambm. Querem dizer boa-noite.
   - Claro. Chame-os. - Ela falou com os dois depois Tomasso voltou para a linha.
   - Estou ouvindo o som de gua borbulhando.
   - Theresa e eu estamos relaxando na hidromassagem do hotel.
   - Na pblica?
   - No  pblica.  do hotel.
   - Est desfilando pelo hotel de mai? - ele perguntou.
   - Muito pouco. Ns nos trocamos e viemos direto para a piscina.
   - Fico surpreso com o fato de Theresa ter incentivado isso.
   - Isso realmente o incomoda?
   - Vocs esto em segurana?
   - Sim.
   - Nesse caso, no. Evidentemente, eu preferiria estar a, porm  mais pelo meu prprio bem do que por preocupao com voc.
   - Estou com saudades.
   - Bom.
   - Theresa acha que podemos organizar um casamento simples em uma semana, duas no mximo.  muito cedo?
   - Poderia ser antes, mas est bem.
   Ela sentiu-se contente por ver que ele ansiava pelo casamento... independentemente das razes.
   - Preciso ir.
   - O qu? Ah, Cludio acabou de entrar e gostaria de falar com Theresa. Pode cham-la?
   - Claro.
   Ela passou o telefone para Theresa.
   - O prncipe Cludio quer falar com voc. 
   Theresa olhou para o telefone com uma expresso estranha e atendeu. 
   - Al? 
   Ela franziu o cenho.
   - Deixei o celular no quarto. Estou na jacuzzi do hotel.
   Maggie tentou no ouvir e se concentrou no relaxamento. Estava quase dormindo quando Theresa devolveu o telefone.
   - s vezes, ele  um Neanderthal.
   - Deve ser de famlia tambm. 
   As duas riram.
   
   Elas voltaram para Lo Paradiso na tarde seguinte cheias de compras.
   Ela viu sua famlia no momento em que a porta do avio foi aberta. Tomasso esperava com Anna em um dos braos e de mos dadas com Gianni. Em segundos, ela estava 
no meio de um abrao familiar que a fez pensar que poderia realmente ter felicidade no casamento, embora no fosse amada por seu noivo.
   Ela quase se convenceu disso tarde da noite, quando eles fizeram amor maravilhosamente.
   Ele resmungou no dia seguinte, quando soube que ela iria ao salo com Theresa.
   - Prometa apenas que no deixar que toquem no seu cabelo.
   - Mas vou justamente cortar.
   - Mas gosto dele longo.
   - Vou pedir para manter o comprimento e dar um corte, certo?
   Ele assentiu.
   - E use pouca maquiagem. No quero ir  festa com uma Barbie.
   - Por isso Theresa no quis que fosse fazer compras conosco. Voc  impossvel.
   - Pode ser. Mas pelo menos eu no ficaria preocupado em saber o que usaria hoje  noite.
   - Est com medo de que eu o constranja?
   - No seja tola. Temo que tenha comprado um vestido que mostre aos outros o que tenho o privilgio de ver em particular. Sou um homem possessivo.
   - Est preocupado por eu ficar muito sensual?
   - Acho que isso  inevitvel, mas, com o olhar clnico de Theresa, pode ficar ainda mais.
   Ela ficou contente com o fato de ele estar realmente preocupado com isso.
   - Acho que ter que esperar para ver.
   Mas, horas depois, quando ela se transformou em uma mulher que mal reconhecia, estava nervosa.
   O vestido mostrava seu corpo  perfeio. Era um tomara-que-caia e tinha cor alaranjada. Era justo nos seios e caa pelos quadris at os joelhos, de onde caa 
at o cho. Os saltos lhe davam mais cinco centmetros de altura, mas ainda tinha de virar a cabea para olhar nos olhos de Tomasso.
   - O que acha? - ela rodopiou para ele.
   - Est incrvel. Ser a mulher mais linda. - Ele parecia realmente sincero.
   O corao dela pulava no peito.
   - No est muito chamativo?
   - Gosto de voc com cores vibrantes.
   - Bom. Theresa insistiu que eu comprasse muita coisa com as cores de que gosto. - Ela disse que eu devia ser autntica.
   Maggie gostou muito da idia.
   - Fico contente. No quero que mude para se ajustar ao que pensa que seja o meu mundo. - Ele a puxou para perto. -  a mulher que eu quero. Voc  real, Maggie, 
e  assim que quero que permanea.
   - No sei fazer diferente.
   - Fico feliz. 
   Eles sorriram e ele a beijou.
   Ela ficou muito orgulhosa de entrar no salo de baile com ele naquela noite.
   Ele estava muito atraente com seu terno formal branco, atraindo muitos olhares femininos. O mesmo aconteceu com os irmos dele. Embora Cludio ignorasse, Marcello 
flertava com charme europeu, mantendo as mulheres  distncia.
   Maggie no sabia quando seu casamento seria oficialmente anunciado. Ningum comentou nada a respeito, mas ela no se importava com isso.
   Vendo a forma como as mulheres olhavam para Cludio, contudo, ela sabia que nem mesmo o casamento lhe daria sossego.
   Durante a noite, mulheres lindas flertaram com Tomasso, e ele no hesitou em deixar claro que eles eram um casal. Inclusive para os homens que se mostravam atrados 
por ela.
   Isso aconteceu cinco vezes e ento Maggie teve uma revelao. No era uma princesa, mas atraa outros homens.
   No eram apenas as roupas e jias ou a maquiagem. Mas era porque as pessoas percebiam que ela combinava com aquele homem. As mulheres flertavam, outras lanavam 
olhares invejosos, mas nenhuma delas sugeriu que ela no fizesse parte daquele cenrio.
   Ela o amava. Ele podia no am-la, mas assumiu um compromisso e sua lealdade no podia ser questionada. Sua paixo era to real quanto o amor dela, e sua amizade 
era to preciosa para ela quanto a paixo.
   Aquele homem era seu e ele seria dela para o resto de suas vidas. E isso seria o bastante. Faria com que fosse assim.
   Ela virou para olhar para ele, sorrindo de modo radiante e fazendo com que ele parasse de falar e esquecesse o que iria falar em seguida.
   O homem com quem conversava, um rei do Oriente Mdio, riu.
   - Nada mais eficaz para fazer com que um homem interrompa uma conversa de negcios do que uma linda mulher.
   Tomasso enrubesceu, mas concordou.
   O rei se afastou e Tomasso virou-se para ela.
   - O que foi, Maggie?
   - O qu?
   - Por que voc est sorrindo?
   - Gosto de sorrir.
   - Foi um sorriso especial.
   - Sim, foi. Eu amo voc, Tomasso.
   Ele apertou a cintura dela de modo possessivo.
   - Eu sei, e fico mais feliz com isso do que voc possa imaginar, mas isso no explica o sorriso, explica? Voc est exalando felicidade, embora, desde que voc 
aceitou, tenho a impresso de que tem muitas reservas em se casar comigo.
   - Amo voc e isso me faz to feliz que estou realmente explodindo de alegria. Talvez estivesse um pouco preocupada em me casar com voc, mas no mais. Sei que 
no me ama, no assim, e pensei que isso significaria que eu teria que ficar lutando pelo meu lugar com voc... Por favor, deixe-me continuar. Eu agora vejo que, 
diferente do que aconteceu nos meus lares adotivos, no sou parada temporria na sua vida. Serei sua esposa at morrer e no precisarei me esforar em manter o ttulo, 
apenas amar voc e as crianas, e ficaremos todos contentes. No sei por que demorou tanto, mas acabei de perceber que voc ser um marido maravilhoso e serei me 
de Gianni e Anna, e terei mais filhos com voc. Estou muito, muito feliz com tudo isso.
   Ele curvou os lbios at seu sorriso ser to radiante quanto o dela.
   - Fico feliz. 
   
   Era quase meia-noite quando o rei Vicente pediu a ateno de todos. Todos ficaram quietos no salo.
   - Hoje  noite, celebramos meu aniversrio e agradeo a todos, mas tenho mais a comemorar do que mais um ano de sade. - Ele fez uma pausa e acenou para Maggie 
e Tomasso. Quando eles pararam ao lado dele, ele sorriu. - Essa mulher linda e adorvel concordou em se casar com meu filho e nossa famlia tem o prazer de dar as 
boas-vindas  nova princesa Scorsolini.
   Cludio entregou a ele uma caixa de veludo. O rei Vicente a abriu e revelou uma pequena tiara que colocou na cabea dela gentilmente, antes de beijar sua face.
   - Bem-vinda  famlia, filha.
   Todos os presentes aplaudiram e queriam saber quando seria o casamento, mas essa informao era sigilosa.
   Maggie apenas sorriu e aceitou as saudaes com uma paz que no sabia que encontraria em sua vida.
   Tomasso mostrou de vrias formas que se importava com ela. Desde o plano para traz-la de volta para a sua vida  forma como concordou com as demandas sobre suas 
horas de trabalho e  forma com que fazia amor com ela to perfeitamente, ele provou que ela era especial.
   Tomasso e Maggie finalmente ficaram sozinhos na cama, ao amanhecer. Ele olhou para a beleza emanada dos olhos dela e agradeceu por ter tirado a maquiagem.
   - Voc estava linda, mas eu prefiro sem artifcios. - A voz dele era rouca, o que fazia sentido, pois as emoes apertavam sua garganta.
   - Obrigada. - Aquele sorriso novamente. Uma verso mais sonolenta, mas que ainda arrasava o corao dele.
   - Voc  perfeita para mim.
   - Voc  perfeito para mim tambm - ela suspirou.
   Ela merecia todas essas palavras e, de alguma forma, ele as diria. Ele no percebeu que essas palavras batiam dentro do seu corao, implorando para serem expressadas 
desde que ela sorrira para ele daquele jeito. O amor que ela lhe deu sem pedir nada em troca e que o fez perceber o quanto ela merecia dele.
   Ele pensou que o amor fosse um tipo de iluso, uma fraqueza a que no queria se entregar.
   Mas agora entendia: amar no era ser fraco. Era preciso ter fora, como a que Maggie tinha. Era preciso reunir coragem e ele no era homem de ter medo de nada.
   - H seis anos, eu me apaixonei por voc, mas fui um idiota por no ter percebido.
   Ela abriu os olhos e sentou-se na cama.
   - O qu?
   - Voc fazia minha vida perfeita e eu ignorei isso. Quando conheci Liana, estava amargurando sua rejeio, mas tambm estava determinado a manter nossa amizade, 
ter o melhor dos dois mundos. Minha cabea foi virada pela beleza estonteante, no vou negar, mas fiquei arrasado quando voc ameaou se demitir, e algo dentro de 
mim sabia que, se eu no permitisse que voc se afastasse, mais tarde minhas promessas para Liana iriam por gua abaixo. No era maduro o suficiente para perceber 
que o que eu sentia por Liana no era amor.
   - No?
   - No. Eu amava voc. Como poderia amar outra mulher? Talvez Liana sentisse que meus sentimentos por ela no eram to profundos. Talvez por isso tenha ficado 
to afastada da famlia, mas s sei que no sentia falta dela quando trabalhava. Sinto sua falta. Mesmo num simples dia no escritrio eu sinto falta de estar em 
casa com voc e as crianas.
   - Eu... - A voz dela no saiu.
   - Na primeira noite, quando deitei na cama com voc... era como um sonho se tornando realidade. No entendo minhas aes naquela noite, exceto que a tive e isso 
era destino, e acho que faria qualquer coisa para mant-la ali.
   - Voc disse que no me amava... no entendo.
   - Estava sendo estpido novamente. Acho que seis anos no foram suficientes para me ensinar.
   - Quando percebeu?
   - Acho que percebi que era mais que amizade quando voc viajou com Theresa. Senti tanta saudade que no consegui sair do telefone. Cludio perguntou se eu estava 
me casando com voc por causa das crianas e eu respondi que era por mim, percebendo o que era, mas ainda no havia conseguido dar voz  emoo at agora... voc 
sorriu para mim e tudo que eu queria era pegar voc no colo e traz-la para a cama para fazermos amor at voc gritar de prazer.
   Ela o fitou.
   - Isso  luxria, no amor.
   - Luxria... ou paixo...  parte do amor, uma parte fcil para um homem entender. As emoes no so fceis.
   - E voc as sente?
   - Tanto que morreria se a perdesse.
   Os olhos dela se encheram de lgrimas, mas ela sorriu.
   - Nunca vai me perder.
   - E voc sempre ter a mim.
   - At que a morte nos separe.
   - At que a morte... - Ele no conseguiu continuar e a beijou.
   Ela derreteu como sempre, entregando-se ao corpo dele, entregando-se to completamente que os olhos dele marejaram.
   - Eu amo voc - ele sussurrou contra os lbios dela, entrando em seu corpo segundos depois.
   - Eu amo voc - ela retrucou muito convicta.
   Aquela mulher era verdadeiramente sua outra metade e Tomasso passaria a vida agradecendo a Deus por t-la trazido a ele e mostrando a ela o quanto a amava.
   
   FIM
   
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